O quinteto “fantático” — os cinco nomes para o futuro do Chelsea

  • por Luis Felipe Zaguini
  • 4 Anos atrás

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Antes mesmo da demissão de José Mourinho, em dezembro do ano passado, a mídia internacional bombardeava Stamford Bridge com diversas especulações sobre a pergunta cuja resposta vale um milhão: quem será o próximo treinador do Chelsea? O clube, em medida emergencial, contratou Guus Hiddink como treinador interino até o fim da temporada e garantiu que o time de Roman Abramovich anunciaria o substituto de Mourinho em pouco tempo. As especulações ficaram cada vez mais fortes, alguns nomes apareceram e outros tantos acabaram perdendo força. Até agora, cinco foram apontados como os principais candidatos ao cargo e um deles deve assumir o time inglês para a próxima temporada.

Manuel Pellegrini

O chileno de 62 anos assinou contrato em 2013 e será treinador do Manchester City até o fim da temporada, mas já está disponível para negociar um pré-contrato com o time de Stamford Bridge sem custo algum aos cofres do time londrino – haja visto que seu contrato termina ao fim da temporada e a equipe que comanda atualmente já assinou termos com Pep Guardiola.

Após uma grande campanha com o Villarreal e um fraco desempenho no Real Madrid, acertou termos contratuais com o Málaga, levando o clube para a Champions League, pela primeira vez na sua história, e chegando até às quartas de final, sendo eliminado pelo finalista daquele ano, Borussia Dortmund. Tal desempenho impressionou os olhos de Khaldoon Al Mubarak, que teve muito interesse em contar com o chileno no Manchester City, onde conquistou uma Premier League e uma Copa da Liga no seu segundo ano de mandato.

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Segundo o próprio treinador, o estilo de jogo que implementa em suas equipes é imprevisível, com várias maneiras de jogar impostas em uma só. A ofensividade que o técnico usa, mesmo fora de casa, culmina no maior número de gols marcados pelas últimas duas temporadas. O jogo de alta velocidade de Pellegrini quebra vários sistemas defensivos de equipes que jogam com mais da metade de seus times atrás da linha da bola.

Caso Manuel acerte com o Chelsea, a equipe pode mudar a maneira de jogar e dar prioridade ao ataque ao invés da defesa, deixando, assim, de ser conhecido como um time muito defensivo. Além disso, a ida de Pellegrini à Londres pode ser um auxílio na contratação de grandes jogadores da equipe de Manchester, que certamente tem uma forte ligação com o técnico chileno e podem ser persuadidos a mudar de clube.

Antonio Conte

O ex-jogador da Juventus tem atualmente 46 anos e treina a seleção italiana desde 2014. Dentro das quatro linhas, o então meio-campista teve um grande passado pela Vecchia Signora, onde conquistou um troféu de Champions League, uma Copa da UEFA, cinco campeonatos italianos e vários outros troféus. Fora de campo, Conte treinou diversas equipes italianas de menor expressão antes de ser contratado pelo clube no qual passou grande parte de sua carreira como jogador. Pela Juve, venceu três campeonatos italianos consecutivos até atrair interesse da Azzurri.

Conte já era cogitado como técnico do Chelsea ainda em 2012, após a demissão de André Villas-Boas e Roberto di Matteo, na mesma situação de José Mourinho e Guus Hiddink: o italiano era cogitado para um contrato efetivo no banco de treinador dos Blues.

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Seu estilo da escola italiana, com forte representação na última linha antes do goleiro, escapa um pouco do normal pois, além da eficácia defensiva, ele busca o máximo de seus jogadores — ao melhor estilo Jürgen Klopp! Antonio pratica um futebol equilibrado entre as três faixas do campo, garantindo a eficiência na linha de defesa, a ligação apropriada entre a defesa e o ataque no meio-campo e um ataque faminto por gols e espaços. A pressão proposta por Conte diminui o tempo de reação do adversário, forçando-o ao erro em vez de simplesmente esperá-lo acontecer.

Com Conte, além dos atributos táticos, o time do Chelsea ganharia sangue italiano, com possíveis reforços, principalmente defensivos. Alguns nomes como Andrea Barzagli, Giorgio Chiellini, Andrea Ranocchia, entre outros, podem fazer parte da equipe caso o técnico italiano assuma o time e precise de reforços.

Diego Simeone

Especulado há muito tempo pelos tabloides ingleses, Diego Simeone é o que mais se identifica na situação histórica do clube: um técnico pragmático, que prioriza defender ao atacar, garantindo a consistência, uma base defensiva, para depois pensar em marcar gols para definir partidas — embora isso esteja mudando com o passar do tempo, assim como a ideia de jogo dos últimos meses de José Mourinho no cargo.

O argentino tem um extenso currículo, tanto como jogador quanto treinador. Como jogador, teve passagem nos melhores clubes da Europa até se aposentar no Racing de Avellaneda, em 2006. No mesmo ano, o ex-meio-campista iniciou um trabalho que durou até 2010, em quatro clubes diferentes, até ir para a Europa para a primeira experiência. Mais precisamente na Itália, onde dirigiu o Catania até o fim da temporada 2010/11. Sem emprego, voltou para o Racing até o fim de 2011, quando foi chamado para treinar o Atlético de Madrid.

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Desde lá, Cholo conquistou vários títulos: Liga Europa, La Liga, Copa do Rei, Supercopa da Espanha, e como esquecer a dramática final da Champions League de 2013/14, onde foi derrotado para o Real Madrid na prorrogação? Porém, segundo alguns canais midiáticos, Roman Abramovich não pretende ter a fama de controlar um time ultradefensivo, e isso pode atrapalhar um pouco nas negociações. Apesar de tudo, a ida de Simeone ao Chelsea parece mais forte do que nunca, pois segundo ao jornal espanhol El Confidencial, o técnico argentino disse ao clube espanhol que pretende morar na Inglaterra ao final da temporada.

Simeone tem contrato vigente com o Atlético até junho de 2020 e, para contar com o argentino, o Chelsea terá que pagar uma multa rescisória avaliada em 15 milhões de libras. A contratação de Simeone abre espaço para novos jogadores que já atraem grande interesse do time londrino, como Antoine Griezmann e Diego Godín.

Massimiliano Allegri

Embora o italiano tenha negado interesse em ir para a Inglaterra, a mídia continua plantando boatos sobre sua contratação pelo Chelsea. Allegri sempre atuou por times modestos e também sempre treinou equipes sem grandes investimentos, até ser contratado pela Cagliari, em 2008. Num período que durou até 2010, o Milan se sentiu na obrigação de oferecer um contrato ao ítalo, que foi campeão italiano logo na temporada de estreia.

Porém, sem oferecer mais aditivos à equipe rossonera, foi despedido. Com a saída de Conte para a seleção italiana, o lugar na Juventus ficou vago, mas foi rapidamente preenchido pelo ex-técnico Milan. Assim que assumiu o clube de Turim, Allegri pretendia continuar com a tradição do time em conquistar o campeonato italiano, conquistando o tetracampeonato italiano. Mas ele conseguiu mais: numa campanha histórica e totalmente sem precedentes, foi finalista da Champions League da temporada passada, perdendo somente para o imbatível Barcelona.

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O estilo de jogo de Allegri é baseado na pressão no campo de ataque para recuperação da bola e na compactação das linhas quando a equipe procura se defender. É difícil de dizer se esse estilo se encaixaria no Chelsea, pois na Juventus, Claudio Marchisio e Paul Pogba usam a velocidade para atacar e o poder de marcação para impedir que as laterais sejam exploradas pelo adversário. No clube londrino, a falta de jogadores com essa característica — com exceção de Willian — forçaria o clube a contratar novas caras, com as duas supracitadas sendo possíveis.

A movimentação de Allegri para o Chelsea tem o aval de Giovanni Galeone, mentor do técnico italiano:

“Creio que Max irá para o Chelsea e se sairá bem. Ele sairá da Itália, e o ver indo para a Inglaterra porque Roman o ofereceu uma proposta é realmente fantástico. Como um dos melhores técnicos do mundo, ele tem que sair da Juventus. Não faz sentido ficar na Itália.”

Jorge Sampaoli

O argentino, ex-técnico da seleção chilena, encontra-se desempregado e é mais um dos fortemente ligados à Stamford Bridge. Ele sempre foi apaixonado por futebol. Desde pequeno jogou em clubes amadores de Casilda, no estado de Santa Fé, na Argentina, antes de assinar um contrato com o Newell’s Old Boys, um dos clubes mais populares do país. Após dois anos jogando na base do clube que revelou Lionel Messi, o jovem sofreu graves fraturas nos ossos, as quais fizeram o promissor jogador abandonar a carreira futebolística logo aos 19 anos de idade.

Isso o motivou a entender como funciona o jogo, seus aspectos táticos e tudo mais. Sampaoli foi campeão do campeonato chileno enquanto dirigia a Universidad de Chile e também venceu a Copa América com a seleção nacional chilena no ano passado. Em entrevista a um jornal do local onde nasceu, Rosário, na Argentina, Sampoli comentou sobre seu estilo de jogo:

“Minhas equipes se caracterizam por pressionar no campo adversário, explorar os lados do e ir fechando o espaço do oponente. É muito importante saber sobre o rival, com quem jogarás, fazer uma escala de valores e trabalhar com base nelas.”

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Tal resultado e o estilo de jogo atrativo do técnico renderam o terceiro lugar na premiação de Melhor Técnico do Mundo da FIFA, onde perdeu somente para Pep Guardiola e Luís Enrique. Caso Sampaoli assuma o Chelsea, o estilo de jogo do clube mudará drasticamente e, para isso, novas diretrizes e contratações serão necessárias, como uma renovação de elenco, pois algumas peças não tem mais o pique necessário para correr o campo inteiro durante os 90 minutos. É pouco provável, haja visto que recentemente o técnico negou os rumores que o ligavam à Londres, mas o futuro é imprevisível e a possibilidade existe.


Além dos cinco técnicos favoritos a assumirem o posto do time de Fulham, Roman Abramovich pode passar a considerar a opção de manter Guus Hiddink efetivamente caso os resultados, e um possível planejamento, do holandês surpreendam o russo.

É preciso também lembrar da condição de Gianfranco Zola: a lenda do clube dirigiu o Watford anteriormente e demonstrou imenso interesse em voltar para Stamford Bridge, mas dessa vez o camisa 25 não estará dentro das quatro linhas, e sim instruindo o time magicamente, como sempre fez nos gramados do time azul.

A decisão final é de Abramovich, mas, independente da escolha, o Chelsea tem excelentes opções para colocar o clube novamente nos trilhos e voltar ao sucesso adquirido na temporada anterior.

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Estagiário na vida há (quase) 20 anos. Estudante de Jornalismo, apaixonado por futebol, doente pelo Chelsea - e redator do site oficial do clube no Brasil. Sensato e objetivo, ama pesquisar sobre a história do "beautiful game" e é também muito interessado sobre como a pelota é jogada no leste europeu e nas divisões alternativas, não só do Velho Continente, mas também de nosso país.