Os números da Primeira Liga cobram mais convicção dos clubes

Com bons públicos nos estádios e audiência líder na TV paga, a Primeira Liga estreou bem (Foto: Atlético-MG/Divulgação)

Com bons públicos nos estádios e audiência líder na TV paga, a Primeira Liga estreou bem (Foto: Atlético-MG/Divulgação)

Após muitas discussões de bastidores e ainda mais incertezas sobre se iria mesmo acontecer, a Primeira Liga teve, enfim, início na última quarta-feira. E, apesar da titubeação de alguns dirigentes envolvidos, que sequer conseguem bater o martelo em torno de um nome único para o torneio, já mostrou que tem tudo para ser exatamente aquilo que os clubes participantes esperavam: um sucesso de público e, consequentemente, uma salvação para um primeiro semestre que costuma ser de marasmo para quem não disputa a Copa Libertadores.

Por isso, o Doentes por Futebol ficou na espreita durante o fim de semana, à espera de números que servissem para comparar o interesse dos torcedores pela nova competição com o que eles têm demonstrado em relação aos campeonatos estaduais. O que esses dados nos mostraram foi mais ou menos o que já esperávamos: para a tristeza da CBF, a Primeira Liga já deu uma mostra considerável de que tem tudo para ser o grande sucesso de bilheteria – e de audiência – no futebol do Sul e Sudeste do país.

Esses fatos contrastam com a postura hesitante com que o torneio tem sido tratado por alguns dos personagens-chave de sua organização. No Mineirão para o jogo entre Atlético Mineiro e Flamengo, o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello, não pensou duas vezes em chamar a Primeira Liga de “torneio amistoso”. Se a ideia era criar algo que se contrapusesse ao sectarismo da CBF… bem, estão fazendo isso errado ao acatar uma nomenclatura estabelecida por puro despeito. E a primeira rodada da competição já deu grandes sinais de que não é preciso se curvar, ainda mais quando, do outro lado, está alguém que não tem a menor ideia do que está falando.

Comparando os números da rodada inicial da Primeira Liga com os dos Estaduais do fim de semana, não teve pra ninguém: só o Paulistão conseguiu chegar perto – isso, considerando que os jogos da nova competição foram à noite. Em termos de média de público, a diferença é ainda maior. O que deixa claro que houve boa presença de torcedores não só no jogo entre Galo e Flamengo.

A abertura dos estaduais também proporcionou um outro comparativo interessante. Em quatro estados houve clássicos envolvendo muita rivalidade. Ainda assim, a Primeira Liga conseguiu atrair mais público do que a soma das bilheterias desses quatro jogos de duas torcidas. Isso porque Avaí e Fluminense não jogaram em suas cidades pela Copa Rio-Sul-Minas.

Outro critério que mostra como foi positiva a rodada inaugural da Primeira Liga é a taxa média de ocupação dos estádios. Comparando com os Estaduais mais fortes no quesito “estádio cheio”, a competição ficou em segundo lugar, atrás apenas do Paulistão.

A título de curiosidade: só seis estádios no país seriam capazes de abrigar todos os torcedores que foram aos seis jogos da 1ª rodada da Primeira Liga, na última semana.

A primeira rodada foi apenas mais um dos indícios de que a Primeira Liga tem tudo para ser mesmo um sucesso. Mas o amplo apoio que o torneio tem recebido de grande parte da imprensa, do público e até do Governo Federal, não tem se traduzido em um comportamento convicto e de unidade por parte Liga ante a pressão que tem sido feita pela CBF. Se a entidade máxima do futebol nacional nunca esteve tão combalida, da mesma forma, nunca houve outra oportunidade tão nítida para romper com o anacronismo que baseia suas decisões autoritárias e egoístas. Desperdiçar esse timing seria como convidar Sami Khedira para mais um passeio no Mineirão.

*Colaborou Osmar Júnior

Comentários

Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.