Solidariedade, futebol e resenha: o diário do DPF em Manaus

Foto: Antônio Lima/Sejel

Foto: Antônio Lima/Sejel

Foram apenas dois dias. Na verdade, pouco mais de 48h, para os que tiveram mais tempo. Mas a passagem do Doentes por Futebol por Manaus foi intensa o suficiente para fazer de cada minuto uma memória inesquecível para os quatro membros do nosso time na capital amazonense: eu, Fred Miranda e Felippe Garcia, representando o DPF, além de Henrique Almeida, o quarto elemento, a serviço da nossa parceira Netshoes. A missão era cobrir e divulgar o amistoso entre os amigos de José Aldo e de Antônio Pizzonia, ídolos do esporte local. Mas a história da nossa estada na cidade começou bem antes.

No horário amazonense, já era mais de 1h da manhã do sábado quando este que relata desembarcou no Aeroporto Brigadeiro Eduardo Gomes, após mais de oito horas de deslocamento a partir do Recife e conexão no Rio de Janeiro. No saguão, Fred já esperava a mim e aos demais passageiros do meu voo: Zico, Leandro Ávila, Macula, José Loreto, entre outros que saíram da capital carioca para fazer a festa do povo manauara. Felippe e Henrique tinham chegado mais cedo, e já nos aguardavam no hotel.

O que provavelmente os convidados não esperavam (e nós, menos ainda) era que a festa estava programada para começar já no aeroporto. A Secretaria da Juventude, do Esporte e do Lazer do Amazonas montou uma recepção para as estrelas com símbolos da cultura local ainda no desembarque.

Zico, Denílson, Leandro Ávila e outros foram recebidos por Aldo e pela Secretaria (Foto: Antôno Lima/Sejel)

Zico, Denílson, Leandro Ávila e outros foram recebidos por Aldo e pela Secretaria (Foto: Antôno Lima/Sejel)

Enquanto isso, do lado de fora, no saguão, o Galinho de Quintino era aguardado por dezenas de torcedores flamenguistas, que cantavam e batucavam ensandecidos para receber seu ídolo maior.

Zico sofreu muito assédio ao chegar em Manaus (Foto: Antônio Lima/Sejel)

Zico sofreu muito assédio ao chegar em Manaus (Foto: Antônio Lima/Sejel)

Depois de driblar o assédio no aeroporto, as estrelas entraram em um ônibus que as levou ao hotel. No meio da resenha, lá estávamos eu e Fred, ainda nos ambientando às brincadeiras e ao bom humor de um pessoal que nem parecia tão castigado pela longa viagem de avião. Essa impressão, no entanto, mudou assim que chegamos ao destino: todo mundo estava esfomeado e devorou o saboroso jantar oferecido. E logo depois de comer, a maioria, incluindo a nós do DPF, se recolheu para tentar descansar.

Pelo menos para DPF e Netshoes, o dia começou cedo. Enquanto os astros do amistoso repousavam para dar seu show (ou, no caso de alguns, quase isso…) na Arena Amazônia, nós aproveitamos para “turistar”. Visitamos o chamado Encontro das Águas, onde (não) se misturam o Rio Negro e o Rio Solimões.

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

Fizemos contato com a fauna local. Conhecemos bichos fofos…

Durante nossa estada em Manaus encontramos o mais novo reforço para o time DpF: Paulo Henrique se descreve como sendo um…

Publicado por Doentes por Futebol em Sábado, 27 de fevereiro de 2016

… outros, nem tanto.

DPF e Netshoes entram em contato com a Anaconda, que os amazonenses conhecem como sucuri (Foto: Arquivo pessoal)

DPF e Netshoes entram em contato com a Anaconda, que os amazonenses conhecem como sucuri (Foto: Arquivo pessoal)

E fizemos um breve reconhecimento do local.

Igarapé próximo ao Rio Solimões (Foto: Arquivo pessoal)

Igarapé próximo ao Rio Solimões (Foto: Arquivo pessoal)

De volta a Manaus, fomos contemplar a imponência do Teatro Amazonas. Um prédio suntuoso, que não pudemos, infelizmente, conhecer por dentro. O relógio marcava: pouco mais duas horas para o início do evento-teste para as Olimpíadas, na Arena Amazônia.

O maior palco para as artes na capital amazonense (Foto: Arquivo pessoal)

O maior palco para as artes na capital amazonense (Foto: Arquivo pessoal)

Após o rápido almoço, uma visita ao quarto do grande astro do evento. Mais um encontro com José Aldo, a quem presenteamos com um de nossos mantos.

José Aldo nos recebeu em seu quarto antes de partir para a Arena (Foto: Arquivo pessoal)

José Aldo nos recebeu em seu quarto antes de partir para a Arena (Foto: Arquivo pessoal)

Seguimos, então, ao palco do evento. São Raimundo e Rio Negro sub-20 já jogavam – terminariam empatando em 1 a 1, na preliminar do amistoso – quando o ônibus com Bebeto, Zico, Aldo, Denílson e… nós, DPF e Netshoes, saiu do hotel em direção à Arena, cheio de samba e sob o aceno do povo que caminhava pelas calçadas da cidade.

Um breve momento do samba que agitou o ônibus no caminho para a Arena (Foto: Reprodução)

Um breve momento do samba que agitou o ônibus no caminho para a Arena (Foto: Reprodução)

O ônibus só parou na porta do vestiário usado pelos dois times. Nessa hora, a ficha caiu. Lá dentro, estavam: ídolos do esporte, craques, autoridades locais (até o governador, que anunciou estar à procura de algum parceiro para administrar a Arena), um certo número de gente meio perdida – incluindo a nós, DPF e Netshoes – e uniformes, com nossas marcas estampadas.

Foto: Antônio Lima/Sejel

Foto: Antônio Lima/Sejel

Tudo em prol de uma causa que terminou conseguindo arrecadar mais de 40 toneladas de alimentos para o povo de Presidente Figueiredo, São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.

As duas equipes perfiladas antes do início do jogo (Foto: Antônio Lima/Sejel)

As duas equipes perfiladas antes do início do jogo (Foto: Antônio Lima/Sejel)

Dentro de campo, antes da bola rolar, fizemos uma brincadeira que apelidamos de “Desafio do Ronaldinho”. A missão: acertar a bola em um dos travessões da Arena Amazônia. Convidamos três pessoas das arquibancadas e o mito Felipe terminou saindo vencedor, acertando de primeiraDepois, foi só descontração, nostalgia, reverência e, acima de tudo, alegria.

Matamos a saudade de Bebeto, que jogou demais, marcou dois gols para o time de Aldo e saiu como o melhor em campo.

Matador como nos velhos tempos: Bebeto brihou - desta vez, levando o Doentes por Futebol às costas (Foto: Antônio Lima/Sejel)

Matador como nos velhos tempos: Bebeto brihou – desta vez, levando o Doentes por Futebol às costas (Foto: Antônio Lima/Sejel)

Vimos Denílson tentar seu repertório mais ousado e irreverente.

O ponta esquerda entrou em campo só para brincar e provocar os adversários (Foto: Antônio Lima/Sejel)

O ponta esquerda entrou em campo só para brincar e provocar os adversários (Foto: Antônio Lima/Sejel)

Vimos Zico cobrar falta de pertinho (e até transmitimos ao vivo, mas o Periscope já mandou para o saco) e, em lance seguinte, marcar com a categoria de sempre.

"É falta na entrada da área / adivinha quem vai bater? / É o camisa 10 da Gávea..." (Foto: Antônio Lima/Sejel)

É falta na entrada da área / adivinha quem vai bater? / É o camisa 10 da Gávea…” (Foto: Antônio Lima/Sejel)

Presenciamos, enfim, uma verdadeira festa de futebol com a melhor das intenções. (veja mais fotos lá no Blog DPF)

Nesse sábado, 32 mil torcedores fizeram um bonito gesto de solidariedade, que vai ajudar gente necessitada de cidades vizinhas. E tiveram a chance – lamentavelmente rara, em Manaus – de ver a bola rolar dócil, suave, entre pés que a conhecem tão bem. Certamente, tiveram uma noite de deleite. Para nós, DPF e Netshoes, também foi.

Foto: Sejel

Foto: Sejel

(Agradecemos à Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer do Governo do Amazonas e à Netshoes, por terem tornado essa experiência possível).

Comentários

Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.