“Tá quase fechado. Só falta fechar”

  • por Bráulio Silva
  • 4 Anos atrás

Quem acompanha futebol sabe que a fase mais chata do esporte ocorre justamente na época de contratações e especulações. Normalmente entre dezembro e janeiro, aqui no Brasil, e no mês de junho, em solo europeu.

O que mais tem é jogador fechado com determinado clube. E tome recorde de jornais vendidos nas bancas, de clicks e page views no blog/site. Fontes para lá de duvidosas tornam-se extremamente confiáveis e qualquer divulgação transforma-se em verdades absolutas. Rádios e jornais, dentro ou fora da internet, brigavam/brigam para lançar furos de reportagem, o que também era/é feito por empresários, a fim de noticiar algo que jamais foi cogitado. Relembramos abaixo alguns casos:

Ronaldinho no Grêmio (2011)

O Grêmio sonhava com o retorno de sua joia, que saiu pela porta dos fundos 10 anos antes. As negociações estavam avançadas e a concorrência com Palmeiras e Flamengo parecia estar superada. Caixas de som foram colocadas no Estádio Olímpico e tudo levava a crer que o melhor do mundo em 2004 e 2005 voltaria para casa. Que nada! Ronaldinho acertou com o Flamengo e depois foi para o Atlético-MG, onde conquistou a Libertadores de 2013.

Vídeo de Ronaldinho atuando pelo Grêmio, em 1999, quando revelado pelo clube gaúcho. Os torcida e diretoria tinha esperança dele repetir estes dribles com a camisa tricolor.

 

Anelka no Atlético-MG (2014)

O ex-presidente atleticano Alexandre Kalil tinha o hábito de usar o Twitter para divulgar as contratações do Galo. Pela rede social, o dirigente anunciou as contratações de Ronaldinho, Guilherme, Victor, entre outras. Anunciou também as renovações de contrato de Ronaldinho e Cuca. Em abril de 2014, Kalil tuitou: “Anelka é do Galo”.

 

Vágner Love no Corinthians (2005)

Revelado pelo Palmeiras em 2003, foi vendido para os russos do CSKA em 2004. Um ano depois, o atacante viu seu nome especulado no rival Corinthians. De férias no Brasil, o atacante concedeu uma coletiva com uma camisa do Timão, com o nome de “Love” ao fundo. Há quem garanta que o acordo existiu e acabou “melando” pela entrevista concedida. O fato é que Love, após 10 anos, jogou no Corinthians, conquistou o Brasileirão e voltou para a Europa.

Love dando entrevista em 2005 com uma camisa do Corinthians com seu nome ao fundo || Foto: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

Love dando entrevista em 2005 com uma camisa do Corinthians com seu nome ao fundo || Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Renato Gaúcho no São Paulo (1997)

Sem grandes conquistas desde o bi do Mundial, em 93, o São Paulo buscava retomar o caminho do sucesso. E a aposta era em um nome de peso. Assim, o presidente do Tricolor apresentou Renato Gaúcho no Salão Nobre do Morumbi. Diferente de outras apresentações, o atacante não vestiu a camisa do clube e apenas posou com ela em mãos para os fotógrafos. Três dias depois, o atacante de 34 anos confirmou sua renovação com o Fluminense, que lhe devia 1 milhão de reais. No Tricolor das Laranjeiras, jogou até o meio do ano. Depois, transferiu-se para o Flamengo. Os jornais da época também noticiavam um interesse do Fluminense em Edmundo, do Vasco, o melhor jogador do Brasileirão daquele ano.

Coletiva concedida por Renato Gaúcho. Se apresentou mas não assinou o contrato.

Coletiva concedida por Renato Gaúcho. Se apresentou mas não assinou o contrato.

 

Riquelme no Fluminense (2008) e no Palmeiras (2013)

No fim de 2007, o coordenador técnico do Fluminense e ex-lateral Branco deu diversas entrevistas avalizando o nome do argentino, pilar da equipe do Boca campeão da Libertadores de 2007. Em 2008, as equipes se enfrentaram e o Flu eliminou o Boca Juniors de Riquelme nas semifinais da competição. Já no começo de 2013, o presidente palmeirense Arnaldo Tirone deu declarações de que o ídolo xeneize, Juan Roman Riquelme, estava com tudo acertado para jogar a Libertadores e a Série B pelo Palmeiras. Ao que tudo indica, a negociação só não ocorreu por causa do Conselho Fiscal do clube, que vetou os valores. Mesmo sem vir, o camisa 10 do Boca deu alegria à torcida palmeirense ao ajudar o time argentino a eliminar o Corinthians naquela Libertadores.

Riquelme aqui demonstra o motivo de tantos clubes querem seu futebol.

 

Ronaldo no Flamengo (2009)

O Fenômeno sempre se declarou flamenguista. Ia ao Maracanã, recuperou-se no clube em 2008 e desfilava com o manto rubro-negro em tempos de recuperação no Brasil. Tudo levava a crer que, em 2009, o atacante defenderia o time do coração quando voltasse aos gramados. Para surpresa de muitos, Ronaldo aceitou o convite do Corinthians, fato que deixou parte da torcida flamenguista furiosa. No clube paulista, ganhou um estadual e uma Copa do Brasil.

Ronaldo treinou e se recuperou no Flamengo (e se disse torcedor!), mas acabou assinando com o Corinthians.

 

Miranda no Internacional (2006)

O zagueiro então com 22 anos, revelado pelo Coritiba, vinha de uma passagem apagada pelo Sochaux da França, onde havia realizado apenas 20 jogos. Em agosto de 2006, alguns portais chegaram a anunciar que o time gaúcho havia feito um acordo com os franceses para adquirir o zagueiro. Dias depois, Miranda apareceu no São Paulo, onde jogaria por empréstimo durante uma temporada. No entanto, acabou ficando por 5 anos e conquistou o Brasileirão em três oportunidades.

Imagem reprodução site dgabc.com.br

Imagem reprodução site dgabc.com.br

Léo Moura no Vasco ou Coritiba (2015)

Flamenguista de infância e revelado pelo Botafogo, Léo Moura jogou no Vasco em 2002. Depois de rodar por diversos clubes, atuou no Flamengo por quase 10 anos, entre 2005 e 2015. Léo foi para o futebol norte-americano e assinou com o Fort Lauderdale Strikers. Quase quatro meses depois, foi noticiado o acerto de Léo Moura com o Vasco. Com uma enxurrada de críticas, Léo desistiu de ir para o cruzmaltino e tentou um acerto com o Coritiba. Até posou com a camisa verde e branca. Mas acabou impossibilitado de acertar, por conta da regra de transferências da FIFA que não permite que um atleta jogue por três equipes diferentes durante uma temporada. Por isso, acabou indo para o futebol semi-amador da Índia, onde defendeu o FC Goa e foi treinado por Zico.

Eurico chegou a anunciar a contratação de Léo Moura.

 

Tardelli no Botafogo (2012)

Hoje no futebol chinês, Diego Tardelli era um sonho da diretoria do Glorioso em 2012, quando atuava no Catar. Mas a proposta nunca saiu do papel e o atacante fez história no Galo, ao ganhar a Libertadores em 2013 e a Copa do Brasil em 2014.

Imagem reprodução Blog Bruno Voloch

Imagem reprodução Blog Bruno Voloch

Maradona no Santos (1995)

Cumprindo suspensão pelo doping registrado na Copa de 1994, Maradona esteve perto de defender as cores santistas ao fim de sua pena. A tacada teve grande incentivo de Pelé, que com sua agência de marketing se reuniu com Diego em diversas oportunidades para tratar de salários. Samir Abdul- Hak, presidente santista na época, também deu entrevistas elogiando El Pibe. Mas, ao fim da suspensão, Maradona preferiu retornar ao seu clube de coração, o Boca Juniors. E o Santos acabou tendo em Giovanni um grande ídolo que, com a camisa 10, conduziu o time da Vila Belmiro ao vice do Brasileiro daquele ano.

 

Bebeto, Donizete Pantera e Gonçalves no Cruzeiro (1997)

Diferente dos outros casos citados acima, os três foram contratados, apresentados e jogaram pelo clube em um jogo: a final do Mundial de Clubes, em 1997. Contratados no fim do Brasileirão, Bebeto deixou o Vitória, Donizete saiu do Corinthians e Gonçalves, do Botafogo. Única e exclusivamente para jogarem o Mundial pelo clube mineiro e se firmarem entre os convocados de Zagallo na Copa do ano seguinte. Ignorando os heróis que ralaram para conseguir o título da Libertadores, o Cruzeiro nada produziu em solo japonês. Os três atletas não ficaram no clube e até hoje servem de exemplo de como não proceder no Mundial. Depois do fiasco, Bebeto e Gonçalves foram para o Botafogo e para a Copa de 1998. Donizete ficou ainda mais longe da Seleção Brasileira e foi para o Vasco, onde disputou novamente o Mundial de Clubes e foi vice outra vez.

Uma das piores “contratações” do clube mineiro. Para muitos torcedores, esta situação ajudou na derrota no mundial de 1997.

E você, lembra de outros casos de jogadores que quase defenderam seus clubes? Responda nos comentários.

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.

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