Caminho até a Rússia: Brasil 2 x 2 Uruguai

  • por Doentes por Futebol
  • 4 Anos atrás

Dunga manteve a ideia do último jogo, ainda em 2015, contra o Peru.

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4-1-4-1 que emulava o Corinthians de Tite (campeão em 2015) a época, com Renato Augusto e Elias no auge. Em pouco mais de quatro meses muita coisa mudou, mas a ideia não. Renato ganhou a companhia de Fernandinho – Elias está machucado -, com Luiz Gustavo por trás. A frente deles, muita velocidade no trio Douglas Costa, Neymar e Willian. Incisivos e profundos, mas pouco criativos.

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Antes mesmo do primeiro minuto, Daniel achou Willian em profundidade, que cruzou para a diagonal de Douglas Costa para abrir o placar. Brasil intenso, com saída limpa e transição muito veloz, principalmente com o três de frente, no último terço do campo.

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Pelo lado esquerdo, Daniel se juntava a Willian e Fernandinho, atacando o espaço de Arévalo, Álvaro Pereira e Cristian Rodriguez. Três contra três, mano a mano e Brasil criando chances. Funcionou Neymar por dentro, porque o craque recuava até o meio das duas linhas do Uruguai, aproveitando espaço na recomposição lenta do adversário e a clarividência no passe.

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Como para servir Renato Augusto, elemento surpresa nas costas de Álvaro Pereira. Outra vez pelo lado esquerdo o time de Tabárez sofreu.

Sem Godin e Gimenez, a zaga reserva penou com a falta de sintonia e a lentidão do time todo no momento sem bola. Em primeiro tempo, a frente da defesa esteve escancarada. Nos poucos mais de 40% de posse que o Uruguai teve durante todo o jogo, a transição era lenta e não achava Suárez, que está acostumado, na seleção, a correr atrás do passe em profundidade, trombar com o zagueiro e vencer o duelo pessoal. Nem isso. Nem Cavani, que muito recuado tentando ajudar, não chegava a tempo.

Quando o Uruguai avançou um pouco, o cruzamento do ex lateral do São Paulo achou um corte mal feito por Filipe Luis e uma marcação muito distante de David Luiz – dupla que teria uma noite infernal.

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Contra Cavani, de frente para o gol, foi fatal. O tento não só colocou a celeste no jogo, como desestabilizou o time de Dunga. Que passou os minutos finais do primeiro tempo atordoado e assustado. Era tudo que Tabárez queria.

El maestro voltou do intervalo com Álvaro Gonzales no lugar do nulo Cristian Rodriguez.

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Mas a principal mudança foi alinhar o camisa vinte a Vecino, recuar Arevalo e abrir Cavani. Com Sanchez do lado oposto e Suárez avançado. Tabárez leu o jogo, percebeu que anulando o centro e colocando Arevalo entre as linhas para negar espaço a Neymar, teria mais controle no meio e menos chances do terceiro gol. Encurralado e sem espaço o Brasil se perdeu e diminuiu todo o ritmo.

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Até que Suárez recebeu de Álvaro, se projetou a frente de David Luiz e bateu cruzado para deixar tudo igual. Errou Daniel Alves que viu o passe entrar às costas e a dupla de zaga que não conseguiu fechar o espaço de um jogador cruzando para o lado da perna “pior”. Luisito empatou o jogo de canhota, num chute cruzado. Sobrou precisão, mas erros também.

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Não contente com as duas falhas de timing, David Luiz cabeceou curto e deixou Suarez cara a cara com Alisson. O goleiro teve mais sorte do que o atacante e viu a bola explodir em seu pé direito. O Uruguai cresceu absurdamente e o técnico Dunga ficou sem reação. A cada vez que era focado, o comandante mostrava sua expressão de indecisão e pânico. Dunga não percebeu a leitura de Tabárez e não soube como tirar Neymar da forte marcação – trazer o camisa dez para a ponta talvez fosse a melhor opção. O gás de Renato acabou, assim como o de Douglas Costa e Willian.

Com Coutinho na vaga de Fernandinho, Renato fez dupla de Luiz Gustavo e Douglas Costa centralizou atrás de Neymar. Avançar o craque para brigar com os zagueiros também não era melhor opção. O time não reagiu, então veio Ricardo Oliveira, este no lugar de Douglas Costa. Neymar foi para o lado, com o camisa nove do Santos no comando de ataque. O Uruguai seguiu melhor. Stuani fez Alisson trabalhar, explorando o lado de David e Filipe. Sem o apoio de Neymar na ponta, tão menos de Renato Augusto, já mais cansado, o Brasil foi tentando compensar a marcação e deu espaço.

panorama final

A última foi Lucas Lima, aberto pela direita no lugar de Willian. Nada mudou, até pelo pouco tempo, a boa marcação do adversário e o grande desespero canarinho. Que terminou o jogo com oito finalizações e quatro acertos, contra doze e sete concluídos do Uruguai. A posse foi mais brasileira, até porque o Uruguai acelerava quando tinha a bola: 60% a 40%. Nas faltas, a desmistificação da “raça truculenta” dos adversários: 21 a 15 para um pilhado Brasil. Que perdeu Neymar e David Luiz para o duro embate contra o Paraguai (suspensos por excesso de cartões amarelos).

Dunga montou uma boa equipe, com ideias que funcionaram num primeiro momento. Faltou ao comandante repertório para sair das situações adversas, mexer as peças de forma coerente e reagir ao domínio do adversário durante 90% do segundo tempo. Se o atual técnico do Brasil mostrará isso, é difícil saber.

Mas que as atuações coletivas e individuais seguem deixando a desejar, isso é certo.

O caminho até a Russia parece que será bastante acidentado para o Brasil; seguiremos acompanhando bem de perto.

CAMINHO ATÉ A RUSSIA - DESTACADA

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