DPF Entrevista: Sávio Bortolini

  • por Lucas Cavalcante
  • 2 Anos atrás
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A equipe do Doentes por Futebol esteve nos estúdios do Esporte Interativo na terça-feira (22/03) para entrevistar o Sávio, ídolo flamenguista, ex-seleção brasileira e Real Madrid. Agora comentarista, o anjo loiro da Gávea falou sobre suas expectativas com a seleção, carreira, além do trabalho que está exercendo no canal.

 

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Separamos alguns trechos da conversa abaixo:

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VIDA DE COMENTARISTA

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“Tem sido muito boa a experiência, diferente do que eu fazia, principalmente no último jogo contra a Roma, fiz uma espécie de comentarista na beira do campo, foi muito diferente mas ao mesmo tempo meio que inovador, uma nova visão de comentário. Não tinha aquela visão tática de cima, mas os lances perto a gente tem uma outra visão. É muito diferente, mas tenho buscado a cada jogo, a cada viagem aperfeiçoar, aprender, é um aprendizado constante. Mas o fato é que quando recebi a proposta do EI no começo da temporada falando de Liga dos Campeões, realmente enchi os olhos, é uma competição que conheço bem, joguei 5 vezes pelo Real Madrid, uma vez pelo Anorthosis, seis oportunidades que participei dentro de campo e você ter essa visão dos bastidores, treinamentos, o que antecede, jogos decisivos, uma final, é muito importante e tento trazer esse pouco de experiência pra esse lado agora.
 
O mais emocionante, vou ser sincero, é aquela musiquinha, aquilo ali desde a estreia na fase de grupos, quando você ouve na final, é a mesma emoção, é difícil, a gente aqui fora meio que se emociona com aquela emoção toda, quando você está lá dentro realmente é muito diferente. É claro que ganhar é, sem dúvida, muito emocionante, você vive uma expectativa muito grande quando você chega numa final, sobre quem vai ser um adversário, e é uma satisfação, quando você ganha parece que para a Europa. Eu lembro quando ganhamos, nossa chegada em Madrid parecia uma loucura. É uma competição diferente, que mexe, e eu tive o prazer de participar nessas seis edições e é legal que agora tenho outra visão, e emociona também, são jogos fantásticos, emocionantes, é muito especial também.”

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MELHOR COMPANHEIRO

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“Tive alguns parceiros realmente que marcaram, Romário no Flamengo, tive três anos com ele e foi realmente um grande artilheiro, nós tivemos uma das melhores médias de gols da história do Flamengo quando jogamos juntos, e isso marcou bastante. No Real Madrid, tive o Raul, que sem dúvida foi um grande parceiro, um grande artilheiro, um cara que é símbolo no Real Madrid e teve um especial também que foram dois anos pelo Zaragoza que foi o David Villa. Foi muito mais difícil ainda porque no Fla e no Real Madrid, você já tem uma expectativa de ganhar títulos importantes, e no Zaragoza foi totalmente diferente. Ganhamos a Copa do Rei contra o Real Madrid, ganhamos a Supercopa em pleno Mestalla contra o Valencia, e Villa era aquele cara que estava sempre ali, várias assistências que eu dei ele estava sempre ali para concluir, acho que esses três foram os mais importantes.”
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CARRASCO DO REAL MADRID?

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“Eu sempre procurei primeiro onde joguei, era muito particular, honrar a camisa do clube que eu estava vestindo. Desde minha primeira apresentação, nunca prometi nada, gols, boas atuações, títulos. Não passava na minha cabeça, mesmo porque se você promete tem que cumprir e às vezes não tem condições. O que eu prometia era dedicação, vestir a camisa do clube de maneira intensa, com amor, dedicação, amor, foi assim no Flamengo, no Real Madrid e não foi diferente no Zaragoza. Só que no primeiro ano de Zaragoza eu fiz uma final justamente contra o Real Madrid, onde havia uma expectativa muito grande de, sem exagero, um massacre na final em Monjuic, Barcelona, quando tinha os galácticos. Mas o futebol surpreende e nós surpreendemos, tive uma participação muito direta e bacana nessa final, e o mais importante é que em momento algum eu desrespeitei a entidade Real Madrid, pelo contrário, até hoje vou lá e tenho um carinho muito grande pela torcida e isso é o que me dá maior satisfação.”

 

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PITACOS CHAMPIONS

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Barcelona é sempre favorito. Não vou negar. Apesar dos números dizerem totalmente o contrário, que na era moderna da UCL nenhum clube ganhou dois anos consecutivos, os tabus estão aí para serem quebrados. Acho que o Barcelona sim é um dos grandes favoritos, mas tem o Real Madrid e o Bayern de Munique que são grandes favoritos também. Fora ali tem o PSG, mas se colocar em escala, Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique.

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MELHOR ATAQUE DO MUNDO

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“Essa não é brincadeira. De 95 pra cá foi a pergunta mais respondida, sem dúvida. Mas eu até levo essa pergunta para minhas palestras também. Porque é muito importante, eu aprendi demais com essa questão, eu tinha apenas 21 anos e sei o que significou para mim porque elevei durante a minha carreira, aprendi muito com isso. Não deu certo por vários motivos, não tínhamos um time á altura desse ataque, não deu certo porque o clube não tinha nenhuma estrutura para dar suporte a esse ataque. Não deu certo poque não tínhamos comprometimento, união, parceria dentro e fora de campo, é uma infinidade de coisas. É claro que a expectativa era de dar certo, o ataque era muito forte, mas o futebol não é só isso, principalmente um esporte coletivo. Existem vários fatores que influenciam também e não deu certo por todos esses fatores. Por todas essas coisas negativas fora de campo, não tinha como dar certo.
 
Em contrapartida cheguei dois anos depois ao Real Madrid onde só tinha estrelas como Roberto Carlos, Redondo, Seedorf, Raul, Morientes, Mijatovic, Suker, jogadores fantásticos, e quando cheguei lá a primeira coisa que me veio a cabeça foi isso, eu tinha passado por isso em 95, mas tudo foi totalmente ao contrário, porque os jogadores tinham um comprometimento muito grande, o time era muito forte e o respeito à entidade Real Madrid era acima de tudo. Acho que por isso a gente tinha um foco muito grande, tanto que na primeira temporada que cheguei o time estava há 32 anos sem ganhar a Liga dos Campeões, era uma expectativa muito grande, uma pressão imensa, mas aos poucos fomos conquistando etapas e ganhamos a competição. Os dois tinham grandes jogadores, mas como se levou, foi totalmente diferente. Não tínhamos o que citei, o Real Madrid tinha tudo isso e a qualidade humana que unificou tudo e conseguimos em 5 temporadas ganhar 3 ligas dos campeões, mundial, supercopa, um momento muito especial na história do clube.”

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MENTALIDADE EUROPEIA

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Não acho que que o jogador brasileiro não tenha essa mentalidade. Se você pegar alguns clubes como o Corinthians comandado pelo Tite, aquela postura profissional, aquele comprometimento, a gente vê isso nos jogadores. Mas ainda assim, temos que levar o futebol de uma maneira muito mais profissional. Eu digo atletas, jogadores, entidade máxima que representa nosso país, tudo. Claro que a Europa também tem vários problemas, problemas com a UEFA, a FIFA, mas quando pega um campeonato como a Liga dos Campeões, com a infinidade de craques que tem, e não é só isso, o comprometimento, a postura desses jogadores, dos clubes é tudo diferente. Ainda o futebol brasileiro tem que melhorar bastante principalmente na questão de gestão.

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PRESSÃO PELO OURO

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Eu tenho uma opinião muito particular, é claro que é muito importante pro futebol brasileiro essa medalha de ouro, mas acho que tem que tirar um pouco esse peso da medalha de ouro. Mesmo por que a principal competição é a Copa do Mundo. É importante a medalha de ouro? Claro que é importante, mas tem que tirar um pouquinho. Toda olimpíada é essa expectativa muito grande, é uma pressão além do que a gente pode sustentar e acho que é uma competição boa, importante para o futebol brasileiro, se ganhar o ouro vai ser histórico, mas acho que um pouco menos, né. A expectativa é exagerada e acho que o Brasil tem que entrar um pouco mais á vontade nessa competição mesmo porque jogadores tem, e tem totais condições de ganhar.

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BRONZE 96 DEPOIS DA CONQUISTA DO PRÉ OLÍMPICO

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Acho que o pré-olímpico foi uma competição legal, difícil porque classificam só dois, foi na Argentina e fomos campeões. Agora, no futebol, você tem que estar atento em todos os momentos, é claro que sempre tem um favorito , mas não quer dizer que esse favorito vá ganhar, e o que aconteceu em 96 ficou de lição, depois do jogo contra a Nigéria que ganhávamos por 3 a 1 e com 20 minutos a Nigéria fez 3 gols, fica uma lição muito grande que tem que estar atento a todo momento.

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FRUSTRAÇÃO?

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Pelo contrário, eu tenho um carinho muito grande pela minha medalha de bronze. Tá lá em casa, na minha sala de troféus, em um lugar muito especial por que é claro que no futebol brasileiro o segundo e o terceiro lugar não valem, mas dependendo da competição, ir a uma olimpíada são três postos, você tem ouro prata e bronze, e é claro, pra mim representa muito a medalha de bronze, porque você jogar uma olimpíada já é muito difícil, muito complicado, e ser medalhista é mais complicado ainda.
 É claro que eu tinha a expectativa de ganhar a medalha de ouro, ficou a frustração principalmente por como foi o jogo contra a Nigéria, mas eu sabia particularmente que ganhar uma medalha era muito importante e eu tenho muito orgulho mesmo. Foi muito rápido, eu fui como titular e em 45 minutos eu saí e não voltei mais, quer dizer, até hoje não tem como ter uma explicação porque eu vinha como titular e artilheiro da seleção pré-olímpica durante três anos, e com 45 minutos eu saí e não voltei mais, mas enfim, coisas do futebol, coisas da seleção brasileira, naquela época tínhamos grandes jogadores principalmente do meio pra frente e a disputa era muito acirrada.
 

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SELEÇÃO PRINCIPAL

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Foi uma questão de escolha também, mesmo porque eu fui para a Europa. Em 98 e 2002, as duas copas, eu estava muito bem no Real Madrid, tinha acabado de ganhar a liga dos campeões em 98 e em 2002 e eu estava muito bem. Minha expectativa era sempre grande de ser convocado, mas não vinha, porque também era a cabeça do treinador, de repente não gostava da minha maneira de jogar ou tinha outro jogador melhor, tínhamos 2 ou 3 jogadores por posição naquela época, o que a gente não vê muito hoje, por diversos fatores, eu não estou aqui para criticar porque não fui a uma Copa do Mundo, mas acredito que o momento que eu vivi no futebol europeu nas épocas das Copas do mundo, eu tinha plenas condições de ser convocado, mas por diversos fatores que podem ter acontecido, não fui. Mas nem por isso eu desanimei, pelo contrário, a cada não convocação era um ânimo a mais que eu tinha de melhorar, de aperfeiçoar e de ganhar títulos.
 

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GERAÇÃO ATUAL

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É uma geração boa de grandes jogadores, infelizmente nem todos esses jogadores conseguem jogar e assimilar na seleção o que jogam nos clubes, por diversos fatores também, principalmente pela questão tática, mas é claro, se a gente pegar a década de 80, 90, 2000, a gama de grandes jogadores era muito grande. Hoje temos um elenco muito mais limitado e acredito que muito mais fácil para o treinador escolher e colocar em campo.
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Confira a entrevista na íntegra:

DPF ENTREVISTA – SÁVIO

Publicado por Doentes por Futebol em Terça, 22 de março de 2016

Comentários

Niteroiense, estudante, doente por futebol e por tudo que esse esporte maravilhoso envolve. Valoriza muito clubes tradicionais e suas torcidas. Torcedor fanático do Flamengo e do Tottenham.