FUTEBOL ALTERNATIVO | Histórias da Copa Conmebol

  • por Rogério Júnior
  • 2 Anos atrás

Criada em 1992 pela Confederação Sul-Americana de Futebol, a Copa Conmebol, à época, servia como modelo de terceira competição do continente – atrás das tradicionais Libertadores da América e Supercopa Sul-Americana, além da Copa Mercosul, num segundo instante. Um dos maiores objetivos do torneio era abrigar clubes que, na maioria das temporadas, não tinham se credenciado aos outros dois torneios da América do Sul.

Por mais que tenha durado apenas oito edições, a Copa Conmebol reservou um punhado de histórias curiosas. Muitas delas acabaram escanteadas pelo tempo, assim como ocorre com grande parte dos acontecimentos envoltos no chamado futebol alternativo, espécie de sociedade futebolística localizada às margens dos grandes episódios envolvendo a redonda, costumada a gerar histórias aqui, ali e, porque não, acolá.

O Doentes por Futebol conta um pouco destas histórias de uma das mais competições mais românticas que o futebol latino já viu.

Foto: Divulgação - Na última edição da Copa Conmebol, a final mais alternativa da histórias das competições sulamericanas: Talleres x CSA de Alagoas.

Foto: Divulgação – Na última edição da Copa Conmebol, a final mais alternativa da histórias das competições sulamericanas: Talleres x CSA de Alagoas.

Curiosidades da Copa Conmebol

• Galo bicampeão:

Muito antes de Ronaldinho Gaúcho e São Victor do Horto terem feito história na Libertadores da América de 2013, outros dois esquadrões do alvinegro de Belo Horizonte trouxeram o nome do Atlético à tona no continente sul-americano na década de 1990. O Galo foi o único bicampeão do campeonato, ao bater o tradicional Olimpia, em 1992, e o Lanús, em 1997. A segunda conquista marcou o primeiro título de Emerson Leão como técnico de futebol no Brasil.

• Maracanã em festa:

O título do Botafogo, em 1993, é emblemático para todo o Rio de Janeiro. A conquista é, até hoje, a única glória internacional de um clube carioca dentro do Estádio Jornalista Mário Filho. Outra peculiaridade do êxito alcançado pela Estrela Solitária, diante do Peñarol, é o treinador que fez com que o Fogão alcançasse tal feito: Carlos Alberto Torres, também conhecido como o grande capitão do tricampeonato mundial da Seleção Brasileira.

• Virada épica:

A edição de 1995 é outra eternizada na memória de um povo. Em 19 de dezembro daquele ano, na cancha de Gigante de Arroyito, em Rosario, na Argentina, o Rosario Central reverteu uma situação quase inimaginável e sagrou-se campeão do torneio, diante do Galo de Minas Gerais. Os hermanos, que haviam sido derrotados na primeira batalha, em Belo Horizonte, pelo placar de 4 a 0, devolveram o resultado na Argentina e precisaram das penalidades máximas para fisgar a tão sonhada faixa de campeão sul-americano.

• Festival de alternatividades:

Quem imaginaria que os modestos Talleres, de Córdoba, e CSA, de Maceió, pudessem se enfrentar numa final de competição sul-americana? O fato aconteceu na Copa Conmebol de 1999, a última do campeonato. A edição, esvaziada, permitiu que as confederações espalhadas pelo continente indicassem do modo que preferissem seus representantes, o que refletiu de vários times pequenos, tais como o equatoriano Deportivo Cuenca, os colombianos Atlético Huila e Deportes Quindío, os brasileiros Paraná Clube, Vila Nova e São Raimundo, além, é claro, dos finalistas Talleres e CSA. Os argentinos acabaram sendo campeões depois de uma vitória por 3 a 0 no segundo embate da decisão.

Salve o Tricolor Paulista!

No título do São Paulo, conquistado em 1994, é possível relembrar uma série de episódios curiosos imersos a campanha do Tricolor do Morumbi.

Foto: São Paulo FC - O expressinho tricolor de 1994. O registro é da semifinal disputada diante o Corinthians, de Casagrande e companhia.

Foto: São Paulo FC – O expressinho tricolor de 1994. O registro é da semifinal disputada diante o Corinthians, de Casagrande e companhia.

• Expressinho: Durante todo o campeonato, o São Paulo utilizou uma espécie de terceiro time, visando driblar a concorrência de outras competições mais importantes, disputadas no mesmo período da Copa Conmebol.

• Rogério Ceni: O goleiro, hoje costumado a bater recordes, ganhou notoriedade após conquistar o alternativo campeonato de 1994.

• Clássico: Depois de passar por Grêmio e Sporting Cristal, o expressinho tricolor tinha o todo poderoso Corinthians pela frente. Mesmo com Casagrande, Viola, Ronaldo, Tupãzinho, Branco e Marques, o time do Parque São Jorge sucumbiu diante da garotada tricolor, repleta de jovens promessas – Denilson, Caio e Juninho Paulista, por exemplo.

• Trabalho: Muricy Ramalho era o treinador do expressinho do Morumbi. Contratado meses antes do início da competição para a função de auxiliar técnico de Telê Santana, o comandante deu indícios de que, mais tarde, poderia fazer história no Cícero Pompeu de Toledo.

• Público da final: Apenas cinco mil testemunhas compareceram ao primeiro jogo da decisão do campeonato, diante do Peñarol, no Morumbi. Mesmo com o público irrisório, o Tricolor passou por cima dos uruguaios: 6 a 1.

• Calendário: Por conta de uma quantidade surreal de jogos agendados, o São Paulo chegou a jogar duas vezes no mesmo dia no ano de 1994. No início da noite de 16 de novembro daquele ano, o Tricolor recebeu e venceu o Sporting cristal, em duelo válido pelo torneio continental. Cerca de 10 minutos após o fim da partida, o São Paulo voltava a campo, no mesmo Morumbi, para enfrentar o Grêmio, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro. O mais impressionante é que o meia Juninho Paulista atuou, acredite, nas duas partidas – na primeira sob o comando de Muricy Ramalho e na derradeira sob as ordens do mestre Telê Santana.

Campeões e vices:

• 1992 – Atlético-MG (Olímpia-PAR)
• 1993 – Botafogo (Peñarol-URU)
• 1994 – São Paulo (Peñarol-URU)
• 1995 – Rosário Central-ARG (Atlético-MG)
• 1996 – Lanús-ARG (Independiente Santa Fe-COL)
• 1997 – Atlético-MG (Lanús-ARG)
• 1998 – Santos (Rosário Central-ARG)
• 1999 – Talleres-ARG (CSA)

Confira como foi a primeira partida da decisão da edição de 1994, disputada entre o expressinho do São Paulo e o gigante uruguaio Peñarol:

Comentários

Curitibano, jornalista, 24 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.