Quando um jogador define uma função: Deeney, o pivô

Foto: PremierLeague.com | Deeney é a grande referência do Watford

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No futebol, função e posição não são conceitos que se confundem. A posição de volante, por exemplo, pode determinar a presença de um marcador, que só busca destruir as atividades adversárias, ou, de forma absolutamente diversa, a existência de um passador, peça vital à saída de bola da equipe. Isto ocorre, também, quando trabalhamos a posição de centroavante. O “nove” pode se definir de diversas formas; sendo o pivô uma delas. Trabalhando essa função, poucas formas seriam tão precisas para descrevê-la quanto a maneira como Troy Deeney, capitão do Watford, atua.

Seu perfil físico pode indicar a presença de um jogador de pouca mobilidade que passa os 90 minutos à espreita de uma chance para fuzilar a meta rival e garantir pontos para seu clube. Não poderia revestir-se de maior engano tal descrição. Deeney movimenta-se o tempo inteiro no ataque dos Hornets e, por incrível que pareça, sobretudo nessa temporada, onde o jogo de seu time demanda eficiência máxima nos não abundantes ataques da equipe, tem mostrado incrível capacidade de jogar em prol de seus companheiros.

À primeira vista, uma dupla de ataque formada pelo rápido Odion Ighalo e pelo forte Troy Deeney passa a impressão de que o primeiro é quem trabalha para assegurar o sucesso do segundo. Não é o que acontece. Isto porque, mais do que um atacante de área, Deeney é um pivô. E o que faz um pivô?

Foto: WatfordFC.com | Deeney é ídolo dos Hornets

Foto: WatfordFC.com | Deeney é ídolo dos Hornets

De forma simplificada, um pivô joga de costas para a meta rival, retém a bola à espera da apresentação de novos companheiros e atrai a marcação adversária para criar espaços, sempre se entregando em prol do coletivo. Por isso, embora seja habitualmente centroavante, o pivô muitas vezes acaba não sendo o maior artilheiro de uma equipe que faz uso dessa função. É isso que Deeney faz a serviço do Watford. Com um controle enorme de seu porte físico, o jogador atrapalha a vida dos defensores rivais e muitas vezes não é ele quem dá destino final à jogada, mas a prepara.

Em um movimentado e emocionante jogo contra o Arsenal, válido pela FA Cup, Deeney voltou a mostrar porque define a função de pivô. O placar de 2×1 para os Hornets só foi possível graças à dois lances do camisa 9; primeiro, deu uma leve escorada na bola, permitindo que a mesma encontrasse Ighalo e, a seguir, as redes do goleiro Ospina; e depois, prendeu a pelota à espera da aproximação de seus companheiros, passando-a a Adlène Guédiora, que afundou o goleiro colombiano dos Gunners. Duas assistências.

Foto: PremierLeague.com | Deeney tem mais mobilidade do que sua aparência nos faz pensar

Foto: PremierLeague.com | Deeney tem mais mobilidade do que sua aparência nos faz pensar

Quem busca entender melhor o que a função de pivô representa tem uma forma fácil de consegui-lo: basta assistir às partidas do Watford com foco especial para a participação de Deeney. Não à toa, o corpulento atacante é quem mais criou chances de gol pelos Hornets na Premier League. 39 ao todo – além de seis assistências.

Tudo o que o Watford faz na atual temporada, em que o previsível era uma batalha contra o rebaixamento, mas no momento vislumbra-se até possibilidade de título, passa pelo que Deeney e Ighalo fazem em campo e pela forma como Quique Flores organizou a equipe. O jogo do restante do time é feito em prol da dupla, que conseguiu o desempenho que vem alcançando porque tem em seu camisa 9, e capitão, um jogador inteligente: um autêntico pivô.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.