Semana definiu as últimas vagas do futebol feminino olímpico (e mais…)

O início de março foi um período movimentado no futebol feminino mundial, com cinco torneios que colocaram frente a frente as melhores nações do mundo e que definiram as últimas vagas para o Torneio Olímpico do Rio.

Hexagonal final das Eliminatórias Asiáticas

No último dia de fevereiro, teve início o fortíssimo hexagonal final do qualificatório asiático, em Osaka. Mesmo jogando em casa, a seleção japonesa, quarta colocada do ranking mundial e finalista da última Olimpíada e dos últimos dois Mundiais, foi eliminada, perdendo para Austrália (3×1) e China (2×1). A equipe ficou em terceiro lugar, com 7 pontos, no torneio que daria duas vagas aos Jogos.

A grande sensação do torneio foi a Austrália, nona do ranking, que venceu suas quatro primeiras partidas e se classificou para o torneio olímpico pela primeira vez via AFC (as outras duas tinham sido via OFC), terminando a competição com 13 pontos.

Mesmo sem Wang Fei, umas de suas melhores jogadoras, a China (#17 do ranking) também confirmou a classificação, com três vitórias e dois empates, e mantém uma invencibilidade de 14 partidas sob o comando do técnico Bruno Bini.

Coreia do Sul (#6) e Coreia do Norte (#18) morreram abraçadas com 5 pontos, enquanto o Vietnã (#29), único que precisou passar por etapas classificatórias anteriores, não marcou ponto.

 

De Vanna comemora gol contra o Japão. (Foto: Football Australia)

De Vanna comemora gol contra o Japão. (Foto: Football Australia)

 

Quadrangular final das Eliminatórias Europeias

O regulamento da UEFA previa que os três melhores classificados da confederação no Mundial de 2015 estariam nas Olimpíadas. Assim, a Alemanha (4ª do Mundial) e a França, eliminada nas quartas, classificaram-se já em 2015.

Como o melhor classificado dos europeus, a Inglaterra (3ª no Mundial), é inelegível para participar dos Jogos, a terceira vaga seria do quarto melhor europeu na competição. Porém, caso essa seleção fosse eliminada na mesma fase que outra seleção europeias, todas aquelas eliminadas em tal fase brigariam pela vaga em um torneio qualificatório.  Assim, o torneio teve que ser realizado entre quatro equipes, todas eliminadas nas oitavas do Mundial: Holanda (#12 no ranking da FIFA), Noruega (#10), Suécia (#8) e Suíça (#20).

A Holanda sediou o quadrangular, em turno único, que classificou a Suécia. As suecas fizeram 7 pontos, vencendo Noruega a Noruega e a Suíça, ambas pelo placar mínimo, e empatando com a Holanda na última rodada (1×1).

A seleção sueca, assim, chega a sua sexta Olimpíada, mesmo número de Brasil e EUA, que também estiveram presentes em todas as edições do Torneio Olímpico.

 

Schough comemora gol da classificação. (Fonte: Svenskfootball.se)

Schough comemora gol da classificação. (Fonte: Svenskfootball.se)

SheBelieves Cup

Os Estados da Florida e do Tennessee sediaram a edição inaugural da SheBelieves Cup, um torneio amistoso entre quatro das melhores seleções do mundo. Participaram as seleções dos EUA (# 1 no ranking da FIFA), Alemanha (#2), França (#3) e Inglaterra (#5).

Mesmo envolvendo grandes seleções, o torneio contou com uma baixa média de gols, com apenas 9 tentos em 6 partidas, média de 1,5 gol por jogo, além de um nível técnico abaixo do esperado.

Nas duas primeiras rodadas, a seleção da casa bateu Inglaterra e França pelo placar mínimo, enquanto as alemãs superaram as mesmas adversárias (1×0 na França e 2×1 na Inglaterra).  Precisando da vitória na rodada final, as americanas venceram por 2×1, de virada, com todos os gols marcados no primeiro tempo, e faturaram a taça.

Morgan venceu a Bola de Ouro e a Chuteira de Ouro. (Foto: ussoccer.com)

Morgan venceu a Bola de Ouro e a Chuteira de Ouro. (Foto: US Soccer)

O primeiro gol americano, inclusive, de Alex Morgan, deve figurar na lista dos melhores gols femininos ao final do ano. Segue o lance:

Algarve Cup

Tradicional torneio feminino, quase um “Mundialito” realizado anualmente, o torneio de Algarve neste ano esteve bem esvaziado, já que as melhores equipes do ranking estavam nos outros torneios da semana.

Brasil (#7 do ranking) e Canadá (#11), os favoritos, chegaram à final. Para isso, as canadenses lideraram o grupo A após vencer a Islândia (1×0), que acabou com a mesma pontuação da equipe da América, mas perdeu a vaga exatamente no critério de confronto. No mesmo grupo, belgas e dinamarquesas terminaram com 3 pontos.

No grupo B, o Brasil venceu suas três partidas, contra Nova Zelândia (1×0), Portugal (3×1) e Russia (3×0). Neozelandesas e portuguesas terminaram com 4 pontos, enquanto as russas não pontuaram.

Na grande final, Zadorsky e Beckie colocaram o Canadá em boa vantagem, com dois erros infantis da zaga do Brasil, no meio do segundo tempo. Um gol de Andressa Alves nos acréscimos não foi suficiente para a equipe de Vadão que, mostrando o mesmo futebol burocrático dos últimos anos, ficou com o vice campeonato.

Canadenses comemoram o título da Algarve Cup. (Foto: Canada Soccer).

Canadenses comemoram o título da Algarve Cup. (Foto: Canada Soccer).

Copa do Chipre

Assim como a Algarve Cup, a Cyprus Cup (Copa do Chipre) é realizada anualmente, desde 2008, normalmente na mesma época.

Mais esvaziada que nos últimos anos, devido aos torneios simultâneos, a competição contou, em 2016, apenas com seleções europeias. Favorita, a Itália decepcionou e foi apenas segunda colocada no seu grupo na primeira fase. As austríacas, líderes da chave, foram campeãs ao bater as polonesas, que venceram o grupo B, por 2×1.

 

Mais:

– As canadenses eram fregueses do Brasil, tendo sido derrotadas três vezes em 2015: 2×0 na final do Pan e 2×1 e 3×1 no Torneio Internacional de Natal. Elas voltam a se enfrentar em 4 e 7 de junho, em dois amistosos marcados, respectivamente, para Toronto e Ottawa.

– EUA (10 vezes), Noruega (4), Alemanha (3), Suécia (3) e China (2) são as outras seleções que venceram a Algarve Cup.

– A Algarve Cup, tradicionalíssima, é disputada anualmente desde 1994. Portugal e Dinamarca são as únicas seleções que participaram de todas as edições. Noruega e Suécia só perderam a competição em 2016, devido ao Pré-Olímpico Europeu. A Seleção Brasileira participou apenas das últimas duas edições.

– Participaram da Copa do Chipre as seguintes seleções: Itália (#13 no ranking da FIFA), Finlândia (#24), Áustria (#27), Polônia (#31), Irlanda (#32), República Tcheca (#33), Gales (#36) e Hungria (#42).

– Houve ainda disputas da primeira fase eliminatória para a Copa das Nações Africanas, que será disputada no final do ano, em Camarões. Dentre as equipes classificadas às Olimpiadas, o Zimbábue derrotou a Tanzânia por 2×1 fora de casa, enquanto a África do Sul estreia apenas na segunda fase.

– Dentre as 20 primeiras colocadas no ranking da FIFA, apenas a seleção espanhola (#14) não participou de torneios essa semana. Porém, fez dois amistosos fora de casa: empates em 0x0 com a Romênia e em 1×1 com a Escócia.

– As seguintes seleções disputarão os Jogos do Rio: Brasil, Colômbia, França, Alemanha, Suécia, África do Sul, Zimbabue, Nova Zelândia, Canadá, EUA, Austrália e China. A seleção do Zimbábue será a única estreante. Chinesas, australianas e alemãs voltam após se ausentar em 2012. Dentre aquelas que disputaram os últimos Jogos, quatro não jogarão em 2016: Camarões, Grã-Bretanha, Japão e Coreia do Norte.

Equipes classificadas para os Jogos. (Foto: Women Soccer United).

Equipes classificadas para os Jogos. (Foto: Women Soccer United).

– Os EUA chegaram a todas as finais olímpicas do futebol feminino, vencendo quatro vezes e perdendo apenas para a Noruega, em Sydney-2000. A seleção brasileira foi vice campeã duas vezes (2004 e 2008), enquanto chinesas (1996) e japonesas (2012) conquistaram a prata uma vez cada. Alemanha (três vezes), Noruega e Canadá já conquistaram o bronze. O Brasil só não foi semifinalista em 2012.

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Sergio Rocha é torcedor do Madureira e sempre teve o sonho de escrever sobre esportes em geral, embora tenha optado pela carreira de engenheiro civil. No "currículo", cadernos recheados de resultados esportivos e agendas da década de 90, quando antes da internet acessava rádios de diversos locais do país buscando os resultados esportivos do Acre à Costa Rica. Além de fanático por futebol, é fanático por praticamente todos os esportes, e no tempo livre que sobra sempre busca os últimos resultados esportivos do PGA Tour ou dos futures da ATP. Além disso, coleciona quadrinhos da Disney e é louco por astronomia.