A rápida adaptação de Lucas Romero

Foto: Divulgação/Cruzeiro.com.br

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No início do presente ano, muitas dúvidas pairaram sob a Toca da Raposa. Sem Mano Menezes, que conduzira o Cruzeiro a uma arrancada final excelente no Brasileirão de 2015, com novas contratações que o torcedor pouco conhecia e sob o comando do inexperiente Deivid era difícil saber o que esperar do clube celeste. Após testes, todavia, o treinador encontrou uma fórmula de jogo, com um tridente de meio-campo liderado tecnicamente pelo mais jovem de seus integrantes: Lucas Romero.

Jovem volante que está prestes a completar 22 anos, o argentino arrumou a casa no Cruzeiro. Embora esteja ladeado pela experiência de Henrique, bicampeão brasileiro com o clube e membro do time vice-campeão da Copa Libertadores de 2009, e pelo compatriota Ariel Cabral, seu ex-companheiro no Vélez Sarsfield, sua vitalidade e resistência é que têm dado vida e solidez ao meio-campo cruzeirense.

Foto: Divulgação/Cruzeiro.com.br

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Embora muitas vezes durante os jogos se posicione mais recuado em comparação com seus companheiros, é dele o passe mais qualificado da Raposa. Como tem sido visto mundo afora, o Cruzeiro tem utilizado um meio-campista que recua à primeira linha de marcação mais que os demais para fazer a saída de bola e tem tido sucesso com tal prática. Lucas Romero constantemente se aproxima dos zagueiros para receber a bola e dar, com qualidade, destinação a mesma.

Sua noção de posicionamento e capacidade para ler o jogo o tornam praticamente um organizador de jogo, embora suas fichas o registrem como volante. Desde que chegou a Belo Horizonte, o argentino disputou oito partidas, efetuou 12 desarmes e apresenta uma média de acerto de passes que assombra: 93%.

Foto: Reprodução/Footstats.net

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Além disso, a forma como tem conseguido alternar posições com Henrique e Ariel Cabral, que já vêm entrosados desde 2015, tem sido um ponto positivo na difícil tarefa do Cruzeiro de superar as desconfianças. Muitas vezes, Romero avança no terreno e tem sua posição coberta pelo recuo de um de seus companheiros.

“Sempre tento ser o líder do time, conduzir a bola e gosto que a bola passe por mim, sentir-me participante de cada jogada no ataque, que seja o passe ao meia ou ao atacante. Gosto que a equipe gire, crie situações. Gosto de ter a bola e tentar chegar da forma mais clara ao gol do rival. Estou continuamente procurando a bola, atraio a bola, me movo para o lado esquerdo, para procurar a bola, para encontrar a maneira de chegar (ao gol adversário)”, disse o jogador no início de março ao Superesportes.

Foto: Divulgação/Cruzeiro.com.br

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Se uma leva de reforços ainda não mostra as credenciais que levaram o clube mineiro a contratá-los – casos de Matías Pisano, Douglas Coutinho, Federico Gino, por exemplo – Romero, que só foi contratado em razão do acerto de Gustavo Cuéllar com o Flamengo, surpreende pela maturidade com a qual tomou conta da meia-cancha azul celeste. A torcida ainda tem apresentado muitas queixas com relação ao time, sua formatação e ao técnico Deivid, mas Romero é visto pela suprema maioria dela como um grande negócio.

Deivid continuará a utilizar três volantes? Não é possível dizer, só se pode aferir com total certeza que independentemente do esquema tático utilizado pelo técnico, hoje Lucas Romero é titular absoluto da Raposa.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.