Atlético Nacional: o favorito que vem da Colômbia

  • por Lucas Sousa
  • 5 Anos atrás

Esqueça os times brasileiros ou as potências argentinas. Quem manda na Libertadores 2016 até aqui é o Atlético Nacional, da Colômbia. Onze gols marcados, nenhum sofrido e 100% de aproveitamento nas quatro partidas realizadas, a melhor campanha da competição. Se havia alguma desconfiança após a eliminação para o Emelec, nas oitavas do ano passado, os resultados irretocáveis mostram que os colombianos devem estar entre os favoritos ao título continental.

E o bom momento do Atlético Nacional não é obra do acaso. O trabalho realizado pelo clube nos últimos anos é digno de elogios. A “era Osório” foi a mais vencedora da história verdolaga e Reinaldo Rueda vai dando continuidade: são dois títulos em menos de um ano. O quinto lugar no Apertura 2015 foi menos do que o esperado, mas a conquista do Clausura mostrou um Nacional próximo ao que passeia na Libertadores: 33 gols marcados e sete sofridos, melhor ataque e melhor defesa após 20 rodadas. Produção próxima mas com jogadores diferentes, já que cinco titulares da campanha vitoriosa não figuram mais no onze inicial. Ponto para Rueda, que trocou meio time e manteve a qualidade.

Foto: Atlético Nacional - Reinaldo Rueda e o auxiliar Bernardo Redín: dupla faz belo trabalho no clube colombiano

Foto: Atlético Nacional – Reinaldo Rueda e o auxiliar Bernardo Redín: dupla faz belo trabalho no clube colombiano

Três foram para o México: o zagueiro Óscar Murillo foi vendido (Pachuca), Jefferson Duque, atacante artilheiro da campanha do título, emprestado (Atlas) e Yimmi Chará, outro atacante, teve seu empréstimo encerrado (Dorados). As perdas abriram espaço para dois jovens promissores: Marlos Moreno e Davison Sánchez, membros da seleção principal e sub-23 da Colômbia, respectivamente. Víctor Ibarbo, titular dos Cafeteros na Copa do Mundo de 2014 e principal aquisição do clube, chegou para substituir o artilheiro Duque. Outras duas modificações na equipe vieram de jogadores que já estavam no elenco: Daniel Bocanegra e Alejandro Guerra assumiram, respectivamente, as vagas de Gilberto García e Macnelly Torres.

Arte: Doentes por Futebol - O ofensivo 4-2-3-1 de Rueda: velocidade e movimentação no ataque, apoio dos volantes e jogo direto

Arte: Doentes por Futebol – O ofensivo 4-2-3-1 de Rueda: velocidade e movimentação no ataque, apoio dos volantes e jogo direto

Com essa nova composição, Reinaldo Rueda construiu uma equipe extremamente ofensiva. O Atlético Nacional não teve receio de atacar nenhum de seus adversários nesta Libertadores, seja em casa ou fora. No 4-2-3-1 verdolaga a linha de defesa e os volantes cuidam da saída de bola e da iniciação dos ataques. Na volância, Sebastián Pérez é quem aproxima dos jogadores ofensivos enquanto Alexander Mejía busca a bola nos zagueiros e distribui passes. Mais a frente o quarteto ofensivo não para de movimentar e inverter posições, criando linhas de passe para quem está organizando.

Foto: Federação Colombiana de Futebol - Sebastián Pérez, o volante que chega à área, marcou ao "estilo Ibrahimovic" com a camisa da seleção

Foto: Federação Colombiana de Futebol – Sebastián Pérez, o volante que chega à área, marcou ao “estilo Ibrahimovic” com a camisa da seleção

O time abusa dos passes verticais, sempre procurando superar as linhas adversárias e explorar a velocidade dos seus homens de frente. Essa procura pelo ataque rápido é a principal característica ofensiva da equipe. Nada de trocar muitos passes e avançar aos poucos no gramado, o Atlético Nacional roda a bola até achar uma brecha e faz logo um passe direto para os atacantes, que merecem atenção especial.

https://youtu.be/Uw-7rEIwKw4?t=2s

Jonathan Copete e Marlos Moreno dão muita velocidade pelas beiradas, além de frequentemente aparecerem na zona central quando os laterais avançam. Guerra, o meia centralizado, não é um legítimo maestro e sim um ponta-de-lança com capacidade de infiltrar e finalizar a gol. No comando de ataque, Ibarbo. Ponta em grande parte da carreira, o jogador retorna ao clube para ser o grande comandante do ataque verde e branco. É o atacante centralizado, mas aparece em todo o campo: recua para articular jogadas e abrir espaço para os companheiros, aparece entre as linhas de marcação do adversário e também cai pelas beiradas. Quando esse quarteto se aproxima, procura tabelas rápidas pelo centro do gramado e cria muitas oportunidades de gol.

Foto: Atlético Nacional - Victor Ibarbo tem sido o grande destaque dos verdolagas na Libertadores 2016

Foto: Atlético Nacional – Victor Ibarbo tem sido o grande destaque dos verdolagas na Libertadores 2016

Curiosamente, a única defesa que ainda não foi vazada na Libertadores não é um primor de organização. Reinaldo Rueda pede que seus jogadores iniciem o combate na região central do campo, o que nos diz sobre algumas características de sua equipe. Os jogadores ofensivos têm muita velocidade e o estilo de jogo é direto, o primordial para conseguir bons contra-ataques. Por outro lado, o time não é muito sólido defensivamente e muitas vezes defende apenas com seis homens (a defesa e os dois volantes). Dessa forma, uma pressão média oferece espaços para contra-atacar e não chama o adversário para cima, perfeito para o Atlético Nacional.

Porém, quando os jogadores de frente sobem a pressão e tentam roubar a bola ainda no campo de ataque, a defesa e os volantes não fazem o mesmo, abrindo um grande espaço no meio-campo. Falta a equipe colombiana mais coordenação quando não tem a bola e isso é compensado com bastante intensidade. Quem tem a bola é pressionado e não tem sossego. Os colombianos também visam povoar a região da bola, criando superioridade numérica e dificultando que o adversário avance.

Foto: Atlético Nacional - Equipe colombiana faz ótima campanha na Libertadores e se coloca como candidata ao título

Foto: Atlético Nacional – Equipe colombiana faz ótima campanha na Libertadores e se coloca como candidata ao título

O Atlético Nacional passeou na Libertadores até aqui. É bem verdade que os adversários do grupo não apresentaram um grande desafio aos colombianos, mas a superioridade do time de Rueda chama a atenção. O reflexo da ótima fase pode ser visto nas convocações da seleção nacional: quatro jogadores na principal (Farid Díaz, Víctor Ibarbo, Marlos Moreno e Sebastían Pérez) e mais quatro na sub-23 (Felipe Aguilar, Cristian Bonilla, Juan Pablo Nieto, e Davison Sánchez). Atuações e campanhas mais do que suficientes para a torcida sonhar com a taça continental e repetir o feito de 1989.

Comentários

Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.