Dez “Novos Maradonas” que não vingaram

  • por Henrique Souza
  • 3 Anos atrás
Tevez foi um dos argentinos visto como sucessor de Maradona. Foto: Boca Juniors/Facebook/Reprodução

Tevez foi um dos argentinos visto como sucessor de Maradona. Foto: Boca Juniors/Facebook/Reprodução

Poucos países reverenciam tanto um futebolista quanto a Argentina faz com Maradona. A idolatria que o ex-jogador possui em sua terra natal é tão grande que o alçou ao posto de divindade (não é exagero: há até um grupo de torcedores que criaram a Igreja Maradoniana, em que celebram o argentino como seu deus).

A adoração pelo Pibe fez com que o país buscasse “novos Maradonas” em cada jogador promissor que atuasse do meio para a frente e surgisse na Argentina. Excetuando Lionel Messi (que construiu seu próprio legado), nenhum deles chegou ao mesmo nível de Diego, embora alguns até tenham conseguido certo sucesso em suas carreiras. O Doentes por Futebol escolheu dez jogadores que ficaram marcados pela comparação com o craque e não alcançaram todo o sucesso esperado. Confira:

Diego Latorre
Latorre foi o primeiro jogador a carregar a alcunha de “Novo Maradona”. Surgido no Boca Jrs, jogava como meia e atacante, e em 1987 estreou no profissional aos 18 anos com gol. Quatro anos depois já conquistava o Campeonato Argentino. Suas boas apresentações o levaram até a seleção, onde chegou a marcar um gol contra o Brasil e fazer parte do elenco campeão da Copa América em 1991. Em seguida, desembarcou na Fiorentina em 1992 junto com Gabriel Batistuta, mas enquanto seu compatriota virou ídolo na Itália, disputou apenas dois jogos e no ano seguinte foi para o Tenerife, onde conseguiu recuperar um pouco do seu antigo brilho. Mais tarde voltou ao Boca, e fez boas partidas nos dois anos que passou no seu primeiro clube. Mas o jogador que prometia ser o sucessor de Maradona virou um cigano do futebol, passando por várias equipes e atuando no México e na Guatemala até se aposentar em 2006.

Ariel Ortega
Cria do River Plate, o meia-atacante baixo e habilidoso que também caía pelas pontas logo começou a ser comparado com Maradona pelo estilo de jogo e pela constituição física. Muito temperamental, entrou em conflito com Claudio Ranieri, seu treinador no Valencia, para onde foi contratado junto aos Millonarios. Entretanto, após sair dos Ches, viveu bons momentos na Itália, atuando por Sampdoria e Parma. Mas assim como Latorre, seu maior brilho ocorreu nas suas passagens pelo seu clube formador. Voltou mais duas vezes ao River, uma antes de uma nova aventura (que não deu certo) na Europa, onde jogou no Fenerbahçe, e outra já no fim da carreira. Pela seleção argentina, foram 87 jogos, 16 gols e participação em 3 Copas do Mundo. Assim como Maradona, Ortega também enfrentou problemas com as drogas, embora o vício do “Burrito” tenha sido outro: o alcoolismo.

Marcelo Gallardo
O atual técnico dos Millonarios, também surgiu no River Plate e foi contemporâneo de Ortega. Um pouco mais armador do que o “Burrito”, também era um meia baixinho e técnico, autêntico “enganche” argentino, que também tinha qualidade nas bolas paradas. Além do River Plate, alcançou relativo sucesso na França, especialmente no Monaco. Também atuou no PSG, DC United e encerrou sua carreira no Nacional do Uruguai, onde começou sua trajetória como treinador. Na Argentina, disputou 43 partidas, marcou 13 gols e foi à duas Copas do Mundo.

Pablo Aimar
Mais um exemplar da base do River Plate, “El Payaso” (o palhaço), como era conhecido, foi um grande armador. Era um meia habilidoso, técnico e passador. Do River Plate foi para a Espanha, jogar no Valencia. Pelos Ches, brilhou sob o comando de Rafa Benítez, alcançando um vice-campeonato na Champions League, um título da Copa da UEFA e dois Campeonatos Espanhóis. Também jogou por Zaragoza, Benfica e Johor Darul Takzim, da Malásia. Entretanto, problemas físicos recorrentes o impediram de chegar mais longe. O talento do pequeno argentino era tão grande que Maradona afirmou certa vez que ele era o único jogador que pagaria para ver jogar. Lionel Messi, outro gênio da bola, já declarou que Aimar é uma das suas maiores influências. Na seleção, foram 52 jogos, 8 gols e presença em duas Copas do Mundo.

Claudio Borghi
Surgido no mesmo Argentinos Jrs de Maradona, Borghi apareceu para o mundo na final do Mundial Interclubes de 1985, entre o seu clube e a Juventus (que venceria nos penâltis). A grande atuação trouxe comparações com Diego e o levou para o Milan. Entretanto, pela equipe já contar com os holandeses Van Basten e Gullit (o Campeonato Italiano só permitia dois estrangeiros na época), o meia foi emprestado ao Como. Borghi acabou nunca jogando pelo Milan e se tornou um andarilho da bola. Atuando principalmente em seu país natal e no Chile (também chegou a jogar aqui no Brasil, pelo Flamengo), o argentino terminou sua carreira no Santiago Wanderers. Pela seleção, foram apenas 9 partidas e 1 gol, mas o suficiente para ser campeão mundial ao lado de Maradona em 1986, como reserva.

Carlos Marinelli
Cria da base do Boca Jrs, foi desde cedo cercado de expectativas. Com 17 anos e apenas um jogo como profissional, já tinha sido comprado por cerca de US$ 1,5 milhão pelo Middlesbrough. A imprensa logo tratou de colocá-lo como sucessor de Maradona, mas o argentino nunca decolou e não passou de uma eterna promessa. Assim como outros desta lista, perambulou por vários clubes e diferentes países. Torino, Braga, Kansas City Wizards e Millonarios foram algumas das equipes defendidas por Marinelli, que se aposentou nos peruanos do Deportivo Universidad San Martín de Porres.

Carlos Tevez
Surgido no Boca Jrs, o atacante baixinho, atacarrado, habilidoso e arisco com a bola nos pés logo começou a ser comparado com Maradona pela mídia argentina. Foi “apadrinhado” pelo próprio Diego, fã confesso do jogador, que já declarou que “daria um braço” para poder jogar com Tevez no Boca. O avante teve uma carreira de sucesso no exterior, brilhando em clubes como Corinthians, Manchester United, Manchester City e Juventus, até voltar para o próprio Boca no ano passado. Assim como Maradona, é idolatrado pelos argentinos, por nunca ter esquecido de suas origens. Entretanto, seu temperamento por vezes difícil impediu que alcançasse o mesmo êxito na seleção. Apesar disso, foram 76 jogos e 13 gols até o momento. Foi medalha de ouro na Olímpiada de Atenas, em 2004, esteve nas Copas de 2006 e 2010, e em quatro Copas América.

Javier Saviola
Cria do River Plate, foi um dos maiores da história… nas categorias de base. Baixinho e muito veloz, o atacante era uma tormento para as defesas adversárias. Estreou pelo River aos 16 anos, e as comparações com Maradona se intensificaram após “El conejo” (“o coelho”), como era conhecido, ser o artilheiro do Mundial sub-20 em 2001, se tornando o jogador mais novo a alcançar esse feito e superando o próprio Diego. Do River, desembarcou no Barcelona, e apesar de um bom desempenho nas suas três primeiras temporadas, perdeu espaço com a chegada de Frank Rijkaard e foi emprestado ao Monaco. A partir daí, a carreira de Saviola nunca mais foi a mesma. Passou também pelo Sevilla, voltou ao Barcelona, jogou no Real Madrid, Benfica, Málaga, Olympiacos e Verona, até voltar pro River e deixar o clube logo depois, sem marcar nenhum gol. Pela seleção, foram 39 partidas e 11 gols, participando de uma Copa do Mundo e uma Copa América.

Andrés D’Alessandro
Mais um exemplar da safra de enganches argentinos dos anos 90 e 2000, D’Alessandro surgiu no River Plate na mesma geração de Javier Saviola. Os dois integraram a seleção campeã mundial sub-20 em 2001. Meia habilidoso, técnico, capaz de passes açucarados e cobranças de falta venenosas, chegou a ser considerado um dos 100 futebolistas mais promissores do mundo, de acordo com a mídia esportiva. Mesmo pretendido por equipes como a Juventus, o argentino acabou indo para o Wolfsburg. Na Alemanha, não se firmou, e acabou sendo emprestado para o Portsmouth, onde foi bem, chegando a despertar interesse de times como Benfica e Atlético de Madrid. Seu destino acabou sendo o Zaragoza, onde passou duas temporadas. De volta à Argentina, atuou por um ano no San Lorenzo, se transferindo para o Internacional, onde se tornou ídolo e conquistou títulos como a Copa Sul-Americana de 2008 e a Libertadores de 2010. Em 2016, regressou ao River Plate. Na seleção argentina, jogou 25 jogos e marcou 3 gols. Foi medalha de ouro em Atenas-2004 e esteve na Copa América, no mesmo ano.

Juan Román Riquelme
Fruto do Boca Jrs, Riquelme foi um dos jogadores mais talentosos de sua geração e talvez o argentino com maior potencial para alcançar o nível de Maradona até o surgimento de Messi. O meia elegante, que jogava de cabeça erguida, era habilidoso, com uma visão de jogo fora do normal, capaz de passes precisos e certeiro nas bolas paradas, foi indiscutivelmente um craque. Com tanto talento, foi logo comparado ao eterno ídolo argentino, que substituiu na despedida de Diego dos campos, em 1997. Fez parte de uma das gerações mais vitoriosas da história xeneize, destacando-se a sensacional atuação contra o Real Madrid na final do Mundial Interclubes de 2000, vencida pelo Boca.

Comprado pelo Barcelona, parecia pronto para se tornar um dos maiores da história, mas conflitos com Louis Van Gaal, então técnico da equipe catalã, contribuíram para que sua passagem pelo clube não seguisse como esperado. Com a chegada de Ronaldinho, devido ao excesso de jogadores extra-comunitários, foi cedido ao Villareal, onde viveu seu melhor momento na Europa, comandando a equipe até as semifinais da Liga dos Campeões em 2006. Infelizmente, a perda de um pênalti que poderia classificar o time para a final também marcou seu tempo no Submarino Amarelo. Um ano depois, voltava ao Boca para ampliar ainda mais sua idolatria no clube, onde ficou até 2014, quando se transferiu para o Argentinos Jrs, último time da carreira. Pela Argentina, foram 51 jogos, 17 gols e uma medalha de ouro olímpica em 2008. Também esteve na Copa do Mundo de 2006, em duas Copas América e uma Copa das Confederações.

Comentários

Doente por futebol desde que se conhece por gente. Formado em Educação Física e estudante de jornalismo. Apaixonado por jogos e times clássicos. Considera Zidane, Ronaldo, Romário e Messi os maiores que viu jogar.