DPF Entrevista: Felipe, goleiro do Anápolis

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Foto: Divulgação/Agência Camafeu

Cria do Santos e hoje finalista do Campeonato Goiano, o goleiro Felipe, que também passou por clubes como Náutico e Fluminense, conversou com o Doentes por Futebol. Na entrevista, o jogador falou sobre Seleção Brasileira, Santos e a retomada de sua carreira profissional, no Anápolis, grande surpresa do Goiano de 2016.

Wladimir Dias (DPF) – Inicialmente, gostaria de saber sua opinião sobre uma polêmica em relação a Seleção Brasileira. Até bem pouco tempo atrás, o Jefferson, do Botafogo, era o titular, mas recentemente foi preterido e perdeu lugar inclusive na reserva. Quem você acha hoje o goleiro mais capaz de assumir a 1 do Brasil? Por quê?

Felipe – Jefferson é um grande goleiro, vem fazendo um grande trabalho no Botafogo. O Alisson também vive um grande momento. Com grandes defesas, pode ser considerado o melhor goleiro no momento, mas o Brasil tem outros nomes como o Victor, do Atlético Mineiro e o Marcelo Grohe, do Grêmio, que são goleiros excelentes.

DPF – O que você considera ter sido a maior razão para a sua saída dos grandes clubes e chegada ao Anápolis? Como você vê a diferença de estrutura entre clubes grandes, médios e pequenos?

F – Na carreira de um jogador existem momentos bons e ruins, e eu não sou diferente. Passei um ano de 2015 muito complicado e escolhi o Anápolis como um recomeço, um clube que me mostrou um projeto muito bom, com pagamento em dia e cumprindo com suas obrigações. Sua estrutura é melhor do que a de muitos times de série A e B.

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Foto: Divulgação/Agência Camafeu

DPF – Qual é a sensação de chegar à final de um campeonato estadual tendo deixado clubes de maior tradição pelo caminho?

F – A sensação é a melhor possível, estou feliz em ver que o trabalho está sendo bem realizado e o [meu] momento bom ter voltado.

DPF – No Santos você alternou bons e maus momentos, e foi criticado algumas vezes. Você acha que isso interferiu na sua carreira?

F – Não, como falei, faz parte da carreira de um jogador. Sou muito grato por tudo que o Santos me deu, me proporcionou. Do Santos, só guardo as coisas boas, que são os títulos, os amigos que fiz e os grandes jogos que fiz.

Foto: Divulgação/ Santos FC

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DPF – Você fez parte de uma das Seleções Sub-17 mais promissoras dos últimos tempos, à época, com nomes como Ramón, Kerlon, Renato Augusto, Celsinho e Marcelo. Em quem você percebia um talento acima do normal e por que você acredita que muitos deles não cumpriram as expectativas?

F – Todos esses que estão em evidência hoje já eram diferentes naquela época, não é à toa que chegaram em clubes grandes ou nos melhores do mundo. Aqueles que na época eram diferentes e não conseguiram, não o fizeram porque o caminho do futebol é muito difícil. Às vezes as coisas não acontecem como imaginamos, e [jogadores] não dão certo, mas isso não quer dizer que não sejam bons jogadores.

DPF – Qual você considera ter sido o melhor momento de toda a sua carreira como jogador profissional? Por quê?

F – Eu, graças a Deus, tive grandes momentos. Mas se pode dizer que todo começo é especial, e meu começo de carreira foi muito bom. Em 2006, tudo era novidade, e eu fiz grandes jogos, ficava feliz pela repercussão, mas em relação a título e time com certeza foi 2010, pelo time que era, os títulos que conquistamos e o ano que foi.

DPF – O que você acha que diferencia as categorias de base do Santos, que tantos jogadores de grande talento revelam para o futebol?

F – Lá eles dão oportunidades para jogadores jovens, o projeto é muito bom nas categorias de base, desde muito cedo.

Foto: Divulgação/Fluminense FC

Foto: Divulgação/Fluminense FC

DPF – No início de sua carreira chegou a haver especulação na imprensa de uma possível transferência sua para o futebol europeu. Dentre os clubes especulados estava o Milan. Houve realmente este interesse e, se sim, o que evitou uma negociação?

F – Sim, [houve o interesse], mas eu não tinha passaporte comunitário, isso dificultou bastante [a transferência], pois há limites de estrangeiros.

DPF – Hoje, quais são suas perspectivas no futebol?

F – Primeiramente, ganhar o Campeonato Goiano, e depois procurar manter esse momento bom seja onde for.

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Foto: Divulgação/Agência Camafeu

DPF – Para finalizar, gostaria de saber se você tem algum caso ou história, curioso, diferente ou engraçado que ocorreu durante a sua trajetória no futebol e que você gostaria de compartilhar com nossos leitores.

F – Eu sou um cara muito brincalhão dentro do grupo, brinco com todo mundo. Principalmente quando subi para o profissional eu perturbava demais os mais experientes, e lembro que eles estavam jogando cartas na concentração. Eu e os mais jovens invadimos os quarto deles e bagunçamos tudo. Todos os jovens conseguiram sair e eu, por causa do meu chinelo, fiquei pra trás [risos]. Apanhei demais [risos] – na brincadeira lógico [risos].

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 25 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no O Futebólogo e na Revista Relvado.