Lucas Hernández: o novo guerreiro do Cholismo

  • por Victor Mendes Xavier
  • 5 Anos atrás

Quantos jogadores da categoria sub-21 seriam importantes ao Atlético de Madrid? Se Diego Pablo Simeone pudesse eleger a dedo quantos dessa faixa de idade quisesse ter em seu elenco, inclusive os que formam parte dos clubes mais poderosos do mundo, em quem confiaria para uma partida decisiva? Por mais que se reflita, parece difícil encontrar sequer três candidatos. Entretanto, Lucas Hernández completou 20 anos em fevereiro, já veste rojiblanco e, depois de 180 minutos que beiraram a perfeição contra o Barcelona de Messi, Suárez e Neymar num mata-mata de Champions League, já é essencial pro histórico time contagiado pelo espírito de Cholo.

Em alguns casos, é mais recomendável para um jogador em formação passar uma temporada emprestado em busca de maturidade, para, aí sim, viver a experiência do ciclo de Simeone mental e fisicamente plenamente adaptado. Caso, por exemplo, de Saúl Ñiguéz, de temporada gigante em 2015/2016, que tem 21 anos, e que após uma passagem positiva pelo Rayo Vallecano retornou a Manzanares para virar um membro mais do que chave do Atlético. “Eles devem estar preparados”, costuma comentar o comandante argentino.

OLHO NELE - LUCAS HERNANDEZ

Lucas Hernández tem em seu sangue DNA de futebolista. Seu pai, Jean-François Hernández, foi zagueiro do Atlético de Madrid e do Rayo Vallecano. Jogava no Olympique de Marseille quando Lucas nasceu, na cidade francesa. Em 2007, aos 11 anos, o menino ingressou à categoria do Atléti. Em 2014, começou a escrever a sua história em Madrid. Primeiro, em abril, quando estreou com o Atlético B na Segunda Divisão B, a Terceira Divisão da Espanha. Mesmo próximo do fim da Liga, seu desempenho chamou a atenção do técnico Alfredo Santaelena, que passou a convocá-lo com frequência para a disputa das rodadas finais. O resultado? Lucas virou titular do time B e foi um dos responsáveis por evitar a queda à quarta divisão. O passo 2 foi dado em junho. Satisfeito com o desempenho do francês, o Atlético de Madrid renovou o contrato da promessa até 2018, já pensando no futuro no time A.

Simeone, claro, já estava de olho na situação. Sabia que ali estava um talento com potencial enorme a ser explorado. Em novembro, o relacionou para uma partida contra o Villarreal. Lucas ficou os 90 minutos no banco, mas deu início ao processo de entendimento da filosofia do comandante. A estreia viria a acontecer em dezembro. E como titular, em uma partida válida pela ida da terceira fase da Copa do Rei, contra o L’Hospitalet. Nove dias depois, a estreia no Campeonato Espanhol, substituindo Guilherme Siqueira contra o Athletic Bilbao em San Mamés. De início, era ali na lateral esquerda que Lucas daria seus primeiros lampejos de defensor de elite, por sua explosão, rapidez e eficácia nas ações.

A ascensão do zagueiro foi meteórica e Simeone não teve dúvidas em colocá-lo como titular na lateral esquerda nas oitavas de final da Copa contra o Real Madrid. Com Siqueira lesionado, Cholo estava dando prioridade à improvisação de Jesus Gámez, mas a desastrosa atuação no Camp Nou, três dias antes do dérbi, quando sofreu frente a Messi, desanimou o argentino. O físico de Hernández adicionava uma característica mais que importante: a possibilidade de recompor muito rápido com a bola perdida. Esse protagonismo físico permitia a Simeone utilizá-lo tanto na posição de origem, como zagueiro, ou como lateral de matriz defensiva. Um “filho de Maldini”. Não havia mais dúvida: estava ali um jogador.

A saída de Miranda ao término de 2014/2015 representou um baque ao sistema defensivo colchonero. Simeone pensou em Lucas como um dos sete defensores do plantel para a nova campanha. O fato de ser canhoto concedia a ele essa vantagem para ser quarto zagueiro e reserva de Filipe Luís. Ao contrário do ano anterior, em 2015, Lucas teve a oportunidade de realizar a pré-temporada com o primeiro time, período fundamental em nível rítmico, assim como para adquirir maior senso tático dentro da ideia de Simeone. Atualmente, ninguém desconfia mais de Lucas.

Taticamente, Hernandez teve seu primeiro momento de descoberta de adversidades no segundo tempo do duelo no Camp Nou. O Barcelona perdia por 1 a 0, o Atlético estava com um a menos e, naturalmente, recuar seria a solução. Empurrado por um Camp Nou que tornou-se um caldeirão, os blaugranas impediram qualquer maneira dos rojiblancos saírem da defesa. Defensivamente, o Atlético se comporta num 4-4-2 em blocos baixos, intensos, mas igualmente pacientes para fecharem espaços, sobretudo pelo meio. Encarar uma eliminatória contra o time de Messi é, na atualidade, o maior desafio que um time pode ter. E a resposta de Lucas foi assustadora.

Sua calma para confrontar Suárez, um centroavante conhecido pela eletricidade, foi notável. Lucas encarou o uruguaio com personalidade. Quando Neymar circulava por sua zona, o jovem mostrou ter alma de jogador experiente, mantendo seu posicionamento e nunca tentando antecipar, o que gerou desconforto no brasileiro, visivelmente irritado.

Lucas tem 20 anos e só o tempo fará compreendermos melhor o seu real nível. A primeira impressão foi acima das expectativas. Simeone, seu corpo técnico e todos os colchoneros sabem: Lucas Hernández está preparado para qualquer desafio. Já é o novo guerreiro do Cholismo.

Olho Nele!

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.