Atlético de Madrid x Real Madrid, por Cléber Santana

Foto: chapecoense.com | Jogador atuou no Atlético de Madrid entre 2007 e 2010

Foto: chapecoense.com | Jogador atuou no Atlético de Madrid entre 2007 e 2010

Jogador que passou por vários clubes no futebol brasileiro, Cléber Santana, hoje comandante do meio-campo da Chapecoense, atuou no Atlético de Madrid entre 2007 e 2010, tendo passado uma temporada emprestado ao Mallorca.

Assim, o brasileiro teve a oportunidade de vivenciar de dentro a atmosfera do clássico entre os Colchoneros e o Real Madrid, o derby mais importante da capital espanhola. Embora fossem outros tempos, ainda um pouco distantes das glórias recentes do Atleti, o brasileiro passou um período importante na equipe madrilena e falou ao Doentes por Futebol sobre o que marca a final da UEFA Champions League de 2015-2016.

Wladimir Dias (DPF): Como você enxerga a evolução do Atlético, desde os tempos em que atuou lá até hoje? Já era possível ver alguma faísca do crescimento pelo qual o clube passou?

Cléber Santana: Sem dúvidas! O Atlético sempre foi um time que esteve entre os quatro no [Campeonato] Espanhol. Sempre conseguia entrar direto ou jogar aquelas duas partidas da prévia para entrar na Champions League. [Naquela época] Tinha um time mais técnico e não defendia nem 40% do tanto que defende no futebol desses três últimos anos. Creio muito que seja a filosofia do [Diego] Simeone! O Atlético hoje é um time que defende muito e consegue surpreender no contra-ataque. Os adversários quase não criam contra o Atlético atual…

DPF: Qual foi o clássico contra o Real Madrid mais marcante que você disputou?

CS: Disputei vários clássicos contra o Real pelo Atlético. Nesses três anos, não me lembro de ter ganho nenhum. Era sempre bem disputado, mas sempre saía derrotado, seja por 1×0 ou 2×1. Não tive muita sorte! Mas, pelo Mallorca, ganhamos de 3×1 no [Santiago] Bernabéu, tive a felicidade de fazer um grande gol e receber o prêmio do Troféu Kubala de melhor gol da Europa!

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DPF: Quem foi o melhor jogador com quem você atuou no Atlético e qual foi o melhor jogador do Real Madrid que você enfrentou?

CS: Eu tive a felicidade de jogar com grandes jogadores no Atlético. Simão Sabrosa, Agüero, Forlán, Thiago Motta, Luis Garcia, Reyes e outros! No Real, [os melhores foram] Robinho, Raul, Robben, van Nistelrooy, Cristiano Ronaldo, Kaká e ainda outros de que não me recordo.

DPF: Qual foi a maior diferença sentida por você ao sair do Santos e se transferir para o futebol espanhol?

CS: A cultura, os poucos treinamentos que se fazia no Atlético. Você sai de um time em que nos dois [últimos] anos tinha sido campeão, no qual já tinha uma história e quando se transfere zera tudo. Apaga-se tudo e você tem que construir tudo outra vez em outro país, o início é um pouco complicado, mas depois você se adapta normalmente.

DPF: Como você lembrou bem, com a camisa do Mallorca você chegou a marcar e vencer o Real Madrid, o que sentiu com o gol e a vitória?

CS: Me senti muito feliz pelo gol e pela vitória! Fazer um gol no [Santiago] Bernabéu já é maravilhoso e, do jeito que foi, é inesquecível!⁠⁠

DPF: Como a imprensa e a torcida de Madrid trata o clássico entre Atlético e Real Madrid?

CS: Esse clássico de Madrid para a cidade! É incrível a rivalidade que existe entre essas duas equipes. Tive o prazer e o privilégio de disputá-lo; ver aquela mobilização do povo espanhol. Realmente é um clássico muito lindo!

DPF: Qual é a sua perspectiva para a final da UEFA Champions League?

CS: As duas equipes fizeram por onde e merecem esse momento. Vai ser um jogo bem disputado. Creio e torço para que o Atlético seja campeão!

DPF: Como você enxerga o papel de Simeone nesse crescimento do Atlético?

CS: Nesse período em que ele está no Atlético, ele mudou totalmente a maneira de o time jogar. Ele tem uma parcela muito grande nesse crescimento, até porque já existia essa grande identificação dele com o clube desde o tempo em que ele jogou e conquistou [títulos] como jogador no clube!

Foto: clubatleticodemadrid.com | Simeone conduziu o Atleti a sua grande evolução

Foto: clubatleticodemadrid.com | Simeone conduziu o Atleti a sua grande evolução

DPF: Qual a sua recordação mais marcante dos tempos de Atlético de Madrid?

CS: Vivi vários momentos marcantes! Os clássicos contra Real [Madrid] e Barcelona, as três Champions League que disputei, a Liga Europa que ganhamos em 2010! São momentos marcantes que vou levar para meus filhos e netos!

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 25 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no O Futebólogo e na Revista Relvado.