Diego Costa e suas desventuras com a Espanha

  • por Doentes por Futebol
  • 3 Anos atrás
(Por Tiago Lemos)

Por mais que tenha brilhado pelos clubes por onde passa, Diego Costa não dá sorte quando o assunto é seleção. Aos 27 anos, o brasileiro de Lagarto (SE), que naturalizou-se espanhol para vestir a camisa da Fúria, terá de assistir a Eurocopa 2016 da arquibancada ou pela televisão.

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O centroavante não figura na pré-lista com 25 nomes divulgada pelo técnico Vicente del Bosque para a disputa do torneio, que será realizado na França, entre 10 de junho e 10 de julho. Problemas de lesão e de indisciplina podem ter atrapalhado o camisa 19. Entretanto, o jogador do Chelsea não é o único atleta com status de medalhão a ser deixado de lado. Os meias Juan Mata, do Manchester United, e Santi Cazorla, do Arsenal, além do atacante Fernando Torres, do Atlético de Madrid, também ficaram fora da convocação.

A Euro seria uma ótima oportunidade para Diego Costa se destacar pela Espanha, principalmente após o vexame na Copa de 2014, no Brasil. Na ocasião, o jogador não rendeu o esperado, assim como o selecionado que fora campeão mundial em 2010 – eliminado na primeira fase. Além disso, o centroavante teve de aturar as vaias da torcida canarinho, que não engolira sua opção pela Fúria meses antes do torneio.

 

EXPLOSÃO NA EUROPA E DECEPÇÃO NA COPA

Diego da Silva Costa chamou atenção do planeta bola quando foi uma das referências do Atlético de Madrid na conquista do título espanhol 2013/2014. A equipe de defesa sólida, comandada por Diego Simeone, tinha uma metralhadora de gols vestida com o número 19 no ataque. Ao fim da competição, ótimos números a favor do sergipano: 36 bolas nas redes em 44 jogos disputados (La Liga + Champions)

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O bom futebol do atacante também acertou em cheio a Liga dos Campeões, na qual Diego Costa marcou oito gols em nove jogos. Na decisão, no entanto, os problemas físicos o atrapalharam. Com isso, o atleta teve de ser substituído aos nove minutos iniciais por causa de uma lesão na coxa esquerda. No fim, apenas um vice-campeonato para o Atlético – derrota na prorrogação por 4 a 1 diante do Real Madrid.

panini-america-2014-world-cup-sticker-update-costaO título da Champions ficou no quase, mas o sergipano não tinha o que reclamar. Dias depois, Diego Costa vestia a camisa da Espanha na Copa do Mundo do Brasil, após muita polêmica. O centroavante, que fizera dois amistosos em 2013 com o manto canarinho, foi alvo de uma briga entre Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Real Federação Espanhola de Futebol (Rfef).

Ele, que havia adquirido a nacionalidade espanhola, optou por virar companheiro de Xavi, Iniesta e companhia na Fúria. Um dos motivos teria sido a demora em ser convocado novamente por Felipão para defender a Seleção Brasileira.

Na Copa, que ficou famosa pela boa média de gols marcados – 2,67 por partida -, o camisa 19 não balançou as redes. Na primeira rodada, contra a Holanda, Diego Costa chegou a cavar um pênalti, cobrado e convertido por Xabi Alonso. O centroavante terminou substituído por Fernando Torres aos 18 minutos do segundo tempo. No restante da partida, só deu Laranja Mecânica: virada e goleada por 5 a 1.

No segundo jogo, contra o Chile, o atacante não brilhou e deu lugar a Torres, aos 19 minutos da etapa final. Para piorar, a Fúria foi derrotada por 2 a 0 e confirmou sua eliminação. Na despedida do Mundial, Diego Costa teve que assistir do banco de reservas o triunfo por 3 a 0 sobre a Austrália.

Como consolação, a bela temporada no Atlético de Madrid deu algum resultado individual para o atleta. Logo após a Copa, o centroavante foi contratado pelo Chelsea. Na ocasião, a diretoria dos Blues pagou cerca de 43 milhões de euros – o equivalente a R$ 126,5 milhões – por um contrato de cinco anos.

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SUCESSO NO CHELSEA E SECA NA FÚRIA

A camisa do Chelsea não pesou para Diego Costa. Treinado pelo português José Mourinho, o atacante voltou a dar suas arrancadas em direção ao ataque e conquistou o título inglês logo em sua primeira temporada, com 20 gols marcados em 26 jogos disputados.

Na Liga dos Campeões, porém, o jogador não se destacou. Nas duas últimas edições do torneio, Diego Costa atuou em 15 partidas pelo clube inglês e balançou as redes apenas duas vezes. O Chelsea terminou eliminado por duas vezes seguidas para o PSG, ambas nas oitavas de final.

Se em sua estreia na terra da Rainha, Costa voou, em sua segunda temporada ele teve turbulências – digamos assim – muito em função do clube londrino não ter ido bem (apenas 50 pontos conquistados e um decepcionante décimo lugar na Premier League). Mesmo assim, o camisa 19 marcou 12 vezes em 28 jogos e contribuiu para afastar a equipe da zona de rebaixamento.

https://www.youtube.com/watch?v=KnshKMzGMco

Pelo Chelsea, apesar da boa média de gols, o sergipano também acumulou problemas físicos e de indisciplina. Fatos desse tipo foram fundamentais para a sua ausência da Espanha.

Seu último jogo pela Fúria acontecera em 13 de novembro de 2015 – vitória por 2 a 0 em amistoso contra a Inglaterra. Diego Costa jogou até os 19 minutos do segundo tempo, mas foram Mario Gaspar e Cazorla os autores dos gols do triunfo.

Com a camisa espanhola, o camisa 19 fez dez jogos – seis oficiais. O único gol do brasileiro foi marcado na goleada por 4 a 0 sobre Luxemburgo, em 12 de abril de 2014, pelas Eliminatórias da Euro. Curiosamente, foi a segunda partida com mais tempo de jogo do atacante pela seleção, substituído aos 37 minutos do segundo tempo. Ele só atuara por 90 minutos em sua estreia, no triunfo sobre a Itália por 1 a 0, em amistoso de 5 de março de 2014.

UMA LESÃO NO CAMINHO DA EUROCOPA

Um motivo fundamental deve ter sido determinante para Diego Costa ficar fora da lista. O atacante sofreu uma lesão na coxa que o tirou das duas últimas partidas do Chelsea na temporada 2015/2016.

“Avaliamos todas as situações. Não queríamos ter uma carga de jogadores que estão em situação de incerteza. Preferimos não trazê-los. Lucas Vázquez (Real Madrid) é diferente, porque confiamos que possa se recuperar bem de sua lesão. Mas, por coisas assim, chamamos 25 jogadores”, disse Vicente del Bosque, técnico da Espanha.

A dois anos do Mundial da Rússia, Diego Costa ainda tem tempo de sobra para vestir a camisa espanhola e mostrar que a escolha pela Fúria no lugar da Seleção Brasileira não fora um erro.

https://www.youtube.com/watch?v=1MdDXLb7ySU

Na Copa, o centroavante estará com 29 anos. Parar disputar o torneio, o centroavante só precisa fazer o que sabe: jogar futebol em alto nível e ser um terror para os goleiros adversários. Resta saber se fatores de indisciplina e lesões deixarão Costa mostrar seu melhor futebol pela Espanha. Ele ainda está devendo.

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