Falta criatividade ao Coelho

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Foto: americamineiro.com.br | Givanildo vem sendo contestado por parte da torcida americana

O América Mineiro está de volta à elite do futebol brasileiro. Após quatro temporadas, o Coelho enfim voltou à competição mais importante do futebol brasileiro. Sob o comando de Givanildo de Oliveira, treinador com grande identificação com o clube (comandou o Decacampeão nos acessos da Série B para a A, em 1997 e 2015, e da Série C para a B, em 2009), o time mostrou uma proposta bem definida no fim do Campeonato Mineiro, que culminou com o título mas pode não ser suficiente para o clube cumprir um bom papel na temporada.

O goleiro João Ricardo vem sendo brilhante desde que chegou a Belo Horizonte. Eleito o melhor de sua posição no Mineiro, é sinônimo de segurança e com grandes reflexos é o grande destaque individual do clube. Na linha de zaga, o jogo é bem simples, com muita marcação e seriedade. Além disso, na primeira parte do ano, o Coelho teve em Bryan uma importante válvula de escape pela lateral esquerda e não deve ter muito prejuízo com sua venda ao Cruzeiro, uma vez que seu reserva e autor de todos os gols do clube na final do estadual, Danilo, vem bem.

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Foto: americamineiro.com.br | Danilo foi a estrela da final do Mineiro

Quanto ao empenho coletivo das peças de meio e ataque, o clube mostrou coesão nas partidas decisivas do Mineiro. Além dos volantes Leandro Guerreiro e Claudinei, meias como Rafael Bastos, Tiago Luís, Tony e Osman mostraram consciência com relação à marcação, mas neste 4-2-3-1, que tem mais cara de 4-5-1, pouco criam. E este é o problema. Para uma disputa com 38ª rodadas extremamente equilibradas, um jogo totalmente baseado em marcação pode não ser suficiente para levar o Coelho a uma boa campanha.

Apontado como potencial “Leicester brasileiro” por um torcedor satisfeito com a conquista do Mineiro, o time não tem um jogador capaz de criar algo diferente – alguém para ser seu Mahrez – e tampouco um artilheiro eficaz como Jamie Vardy. Para jogos pontuais, como a final de um estadual, um jogo baseado em marcação pode ser suficiente, mas não para uma temporada completa. O clube tem esperança de que o experiente Borges volte a mostrar suas credenciais e marcar os gols de que o clube precisa, porém para isso alguém terá que criar as oportunidades.

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Foto: americamineiro.com.br | Goleiro João Ricardo é o grande nome do América

Em sua estreia, contra o Fluminense, mesmo atuando em casa, na maior parte do tempo o clube ofereceu a posse da bola ao clube carioca e não teve a iniciativa de propor o jogo, o que tem sido uma constante em jogos grandes. Com isso, o América sofre muito durante a maior parte de seus encontros e aumenta a propensão a uma falha decisiva (que foi justamente o que ocorreu contra o Tricolor). Chutes de fora da área foram tentados e até são boa alternativa, mas não podem formar a tônica do jogo do Coelho.

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“Levamos o gol em uma bobeira nossa, um erro que complica. Um time como o Fluminense aproveita esse tipo de bobeira. Mas não foi o primeiro tempo ruim que determinou a derrota, mas sim um erro nosso. Tivemos uma dificuldade muito grande de criar no primeiro tempo, mesmo jogando em casa”, disse um desapontado Givanildo na coletiva após o jogo contra o Fluminense, corroborando a explanação feita acima.

Foto: americamineiro.com.br I Rafael Bastos vem sendo uma grande decepção

Foto: americamineiro.com.br | Rafael Bastos vem sendo uma grande decepção

Givanildo, que a despeito da identificação que possui com o clube vem sendo criticado pela torcida, está trabalhando com as peças de que dispõe, e não parece se incomodar ao ver seu time ser muito agredido. Talvez não precise mudar sua forma de jogar (o Leicester é um exemplo), mas, para tanto, necessita ter jogadores capazes de operacionalizar um contragolpe perfeito e, portanto, precisa receber uma boa dose de talento e criatividade.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.