Flamengo: Olhem elas!!!!

  • por Nilton Plum
  • 4 Anos atrás

Os dois últimos grandes títulos nacionais do Flamengo geraram fenômenos distintos nas ruas.
Em 2009, debaixo de toda aquela tensão da última rodada do campeonato brasileiro, com tantos candidatos ao título via combinações de resultados e com o tempero adicional da curiosidade a respeito da postura do Grêmio, que caso ganhasse ou mesmo empatasse tornaria o seu maior rival, o Internacional, campeão, o clima nas ruas era de festa. Esquinas, lojas, bares… Todos rubro-negros. Era um domingo à tarde, data tradicional do futebol. Até blocos carnavalescos deram o ar da graça.

Em 2013, no tricampeonato da Copa do Brasil, o jogo foi numa quarta à noite. A tensão foi menor e as ruas do RJ estavam vazias. Quem não foi ao estádio, ficou em casa assistindo ou torcendo contra. Só existe uma ocasião que costumava permitir, outrora, tal cenário no RJ: a seleção brasileira numa final.

Hoje, o Flamengo conquistou seu primeiro título brasileiro no futebol feminino. Fora de casa, com um placar adverso. Num contexto tão comum, tão familiar ao torcedor rubro-negro, que lhe faz tanta falta na categoria masculina do esporte que chega a dar saudade. O Flamengo do impossível e do improvável dá saudades como um parente que se foi ou um amor que já não existe mais. A adversidade, palavra feminina, se tornou companheira do Flamengo. Tão fiel que quando o time joga em vantagem, não costuma jogar bem. Sente falta do impossível.

flafem

Como deve ser difícil levantar o estandarte campeão do clube mais popular do Brasil no esporte mais popular do país diante de estádios vazios nos dois jogos finais! O futebol feminino do Flamengo tem que jogar contra o adversário, o tempo, o placar e a indiferença. Que espécie de ignorância é tão poderosa que é capaz de vencer a paixão de um torcedor doente por futebol? É a que distingue o “esporte de homem” e o “esporte de mulher’? A “cor de homem” e a “cor de mulher”? A cor? Um pequeno retrocesso no tempo e a cor seria um fator preponderante para se decidir quem pode jogar ou não o futebol, quem pode ser campeão ou não, quem pode viver ou não…

As mulheres do Flamengo foram campeãs brasileiras de futebol. Se você não sabe, não liga, não gosta… Lamentável. Os Deuses do futebol deram de ombros e caprichosamente trouxeram o gol do título, marcado por Gaby, num cabalístico número rubro-negro: o minuto 43. Adversidade, acaso, perseverança, vitória. O basquete masculino conhece muito bem estes elementos e é campeão sucessivamente, os garotos do sub 20 também. O Flamengo que perde deveria olhar mais para o Flamengo que ganha. Olhar e se reconhecer.

gaby

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