Keita Baldé, o senegalês potente da Lazio

  • por Lucas Martins
  • 4 Anos atrás

A população africana é reconhecida por sua biomecânica diferenciada, geralmente dotada de muita capacidade física. É natural observar essa característica no esporte, principalmente no futebol.

OLHO NELE KEITA BALDE

Keita Baldé Diao não nasceu na África, porém guarda esse detalhe nos genes desde o berço. Filho de senegaleses e concebido na Catalunha, o atacante da Lazio é capaz de unir ambas as culturas futebolísticas. Entre corpulência e qualidade técnica, nasceu o jogador que já soma mais de 100 partidas com o time romano. Gerado no Barcelona, Keita brilha mesmo é na Itália.

Foto: Divulgação

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Keita Baldé começou sua vida no futebol aos sete anos, ainda antes de se incorporar ao poderoso Barcelona. Quando o garoto marcou cinco gols em um torneio nos arredores de Arbúcies, sua pequenina cidade natal, um olheiro culé apresentou-se e ofereceu-lhe a possibilidade de jogar no Barça. Os pais do jovem não hesitaram e permitiram que se iniciasse uma fase de mais visibilidade em sua carreira. Em 2010, já consolidado na base barcelonista, Keita armou uma de suas peripécias em viagem da equipe ao Catar. Como produto de uma brincadeira com um companheiro, o jogador foi emprestado ao Cornellà, clube muito dedicado à criação de talentos. Por lá, foram 47 gols em uma só temporada, trazendo o interesse do Barça à tona novamente.

Entretanto, nesse momento, foi o atacante que não quis permanecer na Catalunha. A partir de 2011, a nova morada seria Roma, outra bela cidade, para atuar na Lazio. Por questões burocráticas, todavia, Keita Baldé levou pouco mais de um ano para disputar competições oficiais nos biancocelesti. Tempo suficiente para fomentar a sede de títulos e gols, pois a volta aos gramados foi ao melhor estilo. Keita retornou balançando muitas redes e ganhou os dois primeiros torneios em que atuou, entre eles, o Campeonato Italiano sub-19. Nessa conquista, mesmo tendo aterrissado na metade do campeonato, foi ele o grande destaque azul – inclusive decidindo um dérbi contra a Roma. Na temporada 2013/14, o espanhol de origem senegalesa já faria a transição para os profissionais.

Foto: Divulgação/Instagram

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Em 2013/14, Keita alternou entre base e grupo profissional. Com o elenco sub-19, perdeu a Supercopa Italiana e ajudou na conquista da Copa Itália. Enquanto isso, passava a ficar cada vez mais em campo com os “adultos”, sobretudo na Europa League. Sob comando do bósnio Vladimir Petkovic, o garoto aproveitou um momento conturbado do clube para fincar sua bandeira ao lado de gente como Klose, Candreva e Hernanes. Na metade final da temporada, já com o técnico Edoardo Reja, estabeleceu-se de vez entre os titulares.

No total, foram seis gols e nove assistências em 35 partidas – poucas atuando os 90 minutos. Números excelentes para um período de transição, aos 18 anos, numa liga dura como a Serie A italiana. Na mesma trilha, o futebol leve e potente de Keita encantava tanto quanto suas estatísticas.

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Uma foto publicada por Keita Balde Diao✔ (@keitabalde14) em Set 27, 2015 às 9:59 PDT

Reja não ficou para o campeonato de2014/15, e isso teve um peso imediato no jogo do senegalês. A Lazio oscilou no início de Stefano Pioli. Keita deixou de produzir e perdeu espaço. Em seguida, ficou quase um mês de fora por lesão, logo na ascensão laziale. Quando Baldé conseguiu pisar outra vez nos gramados, o brasileiro Felipe Anderson estava voando, havia confiscado titularidade e a confiança do treinador. Felipe, muito próximo de Keita, inclusive chegou a tocar no assunto: “Ele é um grande jogador, tenho certeza de que a hora dele vai chegar também. Somos grandes amigos”. Não seria exatamente rápido, mas o momento do ex-Barça realmente chegaria. Antes, contudo, o fim de temporada foi melancólico: no banco, contrastando com o time – que faturou uma vaga na Champions. Foi sua pior fase na Lazio, com apenas quatro gols anotados.

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Como contraponto, 2015/16 não poderia ter começado de melhor maneira. Keita saiu do banco para decidir um jogo de Uefa Champions League logo na estreia, contra o Bayer Leverkusen.

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Além do gol, que aproximou a Lazio da fase de grupos da competição, o jogador ganhou uma nova posição: a de centroavante. Sua equipe terminou sendo eliminada no duelo de volta, mas Baldé recuperou a segurança em si mesmo. De lá para cá, foram mais quatro tentos e sete assistências. A potência senegalesa estava de volta. Os limites de Keita Baldé voltaram a se expandir.

Keita Baldé ao lado de El-Hadji Diouf, lenda senegalesa (Foto: Divulgação/Instagram)

Keita Baldé ao lado de El-Hadji Diouf, lenda senegalesa, em treinamento da seleção (Foto: Divulgação/Instagram)

Tanto que ele estreou pela boa seleção de Senegal na última data Fifa, mesmo com a possibilidade iminente de defender Espanha ou Itália. O jovem quer estourar de uma vez por todas e, para tal, é importante ter convicção nas escolhas e estabilidade na carreira.

Foto: Divulgação/Instagram

Foto: Divulgação/Instagram

Keita sempre preferiu atuar pelo lado esquerdo, a fim de buscar diagonais rumo ao centro – ele é destro, então isso acaba sendo natural. Como um ponta clássico, gosta de ter a linha lateral como aliada. Entretanto, o que realmente marca Baldé é a explosão muscular, a potência. O senegalês é capaz de atingir um alto pico de velocidade muito rapidamente, antes de qualquer recuperação do defensor. Por isso seu ‘um contra um’ é tão exaltado, por tal razão seus dribles longos costumam ser letais. Mas Keita não verticaliza as jogadas sem critério, ele sabe quando partir para cima e quando pausar para trabalhar o lance. Algo aprendido ainda no Barça, que se mantém até hoje.

Outro detalhe é como o atacantesabe utilizar o corpo para proteger a pelota, seja conduzindo-a ou em disputas. A facilidade para se posicionar entre a redonda e o rival é grande. Daí, ou o garoto avança, ou é parado apenas com falta. As finalizações são um ponto em clara evolução, já que em certo momento isso foi contestado. Mais adiante, a capacidade criativa do laziale chamou atenção em fases não tão boas do time. Baldé não distribui o jogo ou oferece lançamentos, mas mesmo sem auxílio de uma equipe organizada já se mostrou um nato criador de ocasiões de gol. A exemplo do povo africano, faz muito em contextos pobres.

Arte: DPF

Arte: DPF

Como centroavante, dá mobilidade ao ataque e desequilibra defesas a partir disto. Defensivamente, em contrapartida, o trabalho de Keita nunca foi muito intenso. Desde as categorias de base da Lazio, o atleta oscila entre agressividade e passividade, entrega e simples observação. É um aspecto a amadurecer.

De qualquer maneira, pelos atributos físicos, qualidade técnica, capacidade criativa e inteligência, clubes como Liverpool e Arsenal já foram ligados ao jovem que escolheu ser senegalês.

Olho nele!

Comentários

2000. Um doente por futebol que busca insistentemente entender esse jogo magnífico de forma completa - claro, sem sucesso.