Klopp: Heavy metal na terra dos Beatles

  • por Elcio Mendonça
  • 3 Anos atrás
Foto: John Powell/Liverpool FC - Klopp em seu momento heavy metal

Foto: John Powell/Liverpool FC – Klopp em seu momento heavy metal

Ainda no comando do Borussia Dormutnd, na campanha que levou a equipe alemã à final da UEFA Champions League em 2013, Jurgen Klopp foi questionado por um repórter sobre as diferenças de estilo entre os aurinegros e o Arsenal, adversário na fase de grupos.

O treinador não pensou duas vezes e respondeu ao seu estilo: “Wenger gosta de ter a bola, jogar futebol, dar passes… É como uma orquestra. Mas é uma música silenciosa, não é? Eu gosto de heavy metal. Para mim, ele é Sir Arsène Wenger, é realmente alguma coisa, eu gosto muito dele. Mas eu sou esse cara. Eu sempre quero tudo no volume máximo. Eu quero ser como uma bomba”.

Klopp é a antítese do futebol atual, dos ternos elegantes e dos discursos ensaiados. Ele é a intensidade na beirada do campo e se comporta como um torcedor. Por isso sempre cria uma relação com os adeptos do clube. Foi assim na Alemanha, onde dirigiu Mainz (somando as passagens como jogador e técnico foram 18 anos na equipe) e Dortmund, e não é diferente em Anfield.

Foto: Divulgação - Despedida do Dortmund teve direito a mosaico da torcida

Foto: Divulgação – Despedida do Dortmund teve direito a mosaico da torcida

Ele foi contratado pelo Liverpool, em outubro do ano passado, para trazer um pouco de heavy metal ao clube. A intensidade vai além do jogo vertical da equipe, que com Brendan Rodgers já mostrava boa velocidade, é algo que mexe com a atitude da equipe.

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Foi assim no clássico diante do Manchester United, nas oitavas de final da Liga Europa, quando os Reds se mostraram num ritmo diferente dos rivais, ou contra o Borussia Dortmund, no eletrizante 4 a 3, que garantiu o time na semifinal da competição europeia.

Mas se engana quem pensa que o estilo de jogo de Klopp ignora a posse de bola. O Liverpool tem a quinta maior média de posse da Premier League, com 55% por jogo. A diferença é tentar usá-la da maneira mais objetiva possível. Um exemplo disso é o fato de ser a equipe que mais trocou passes dentro da grande área (média de 8,1 por jogo) e a segunda que mais finalizou (16,6 chutes por partida). Philippe Coutinho, com uma média de 4,3 remates por partida, tem a melhor marca da competição.

Defensivamente os números também são empolgantes. Os vermelhos são a equipe que mais desarmou (média de 22,9 por jogo) e a segunda que foi menos atacada (média de 10,5 chutes por partida) durante toda a Liga Inglesa.

No campo tático, Klopp chegou a apostar em vários esquemas, inclusive com três zagueiros, mas foi no 4-2-3-1 que a equipe viveu os melhores momentos na temporada, sendo escalada dessa maneira 19 vezes na Premier League e sete na Liga Europa.

Foto: Reprodução/Lineup11 - Apesar de testar várias formações, Klopp aposta no 4-2-3-1

Foto: Reprodução/Lineup11 – Apesar de testar várias formações, Klopp aposta no 4-2-3-1


O atalho da Liga Europa

Se as estatísticas empolgam, dentro de campo os resultados não foram assim tão animadores, pelo menos na liga nacional. Rodgers deixou o Liverpool ocupando a 10a colocação da Premier League, com 12 pontos em oito rodadas, um aproveitamento de 50%.

O desempenho de Jurgen Klopp não é tão superior, com 48 pontos nas 30 partidas restantes e somando 53% da pontuação possível no período. O saldo final foi a oitava posição, seis pontos atrás do Manchester City, que fechou o grupo de classificados à próxima UEFA Champions League.

A chance de uma vaga na principal competição de clubes do planeta passa pela Liga Europa, que se tornou uma espécie de atalho em Anfield. Não é comum os ingleses valorizarem o torneio, mas ele ganhou importância com a chegada do alemão. Na primeira fase, com o novo técnico, foram duas vitórias e dois empates, se classificando em primeiro num grupo que tinha Bordeaux, Rubin Kazan e Sion (este último também avançou de fase).

Foto: John Powell/Liverpool FC - A vitória sobre o Dortmund foi o marco na campanha da Liga Europa

Foto: John Powell/Liverpool FC – Vitória sobre o Dortmund foi um marco na campanha

No mata-mata passou por Augsburg, Manchester United, Borussia Dortmund e Villarreal. Os espanhóis foram os únicos a derrotarem o Liverpool, que somou quatro vitórias, três empates e uma derrota até a final.

Sem um título europeu desde 2005, quando bateram o CSKA Moscou na Supercopa da Europa, os Reds terão pela frente um time “copeiro e peleador”. Atual bicampeão da Liga Europa, o Sevilla também está na final da Copa do Rei, onde enfrentará o Barcelona, domingo, no Vicente Calderón.

Sétima colocada na Liga BBVA, a equipe comandada por Unai Emery aposta nos gols do francês Gameiro e no ucraniano Konoplyanka para manter a hegemonia espanhola na competição. Nas últimas seis edições foram quatro conquistas de clubes da Espanha, sendo duas delas do próprio Sevilla, que pode alcançar seu quinto título no torneio.

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Esperança na nova temporada

Uma vitória nesta quarta-feira representará mais do que apenas acrescentar um caneco à galeria de troféus de Anfield. Significará uma vaga na próxima Champions League e um acréscimo de, pelo menos, 30 milhões de libras a um orçamento já turbinado com os 90 milhões de libras do novo contrato de transmissão da Premier League.

Foto: Divulgação/UEFA - Volta à Champions reforçará os cofres do Liverpool

Foto: Divulgação/UEFA – Volta à Champions reforçará os cofres do Liverpool

Além disso, Klopp poderá trabalhar a equipe desde o início, planejando a pré temporada e, acima de tudo, participando da montagem do elenco, algo que foi o calcanhar de aquiles do Liverpool nos últimos anos.

É inegável a capacidade do alemão em montar bons elencos e lapidar peças, agora com um bolso muito mais cheio do que nos tempos de Borussia Dortmund e já adaptado ao futebol inglês.

Um cenário ideal para o heavy metal tomar de assalto a terra dos Beatles…

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.