Pinturas Inesquecíveis: Alex e o gol de placa

  • por Leandro Lainetti
  • 3 Anos atrás

Clássico é clássico e vice-versa. A máxima popular informa: quando os maiores rivais se enfrentam, é melhor pensar bem no que você deixará em campo. A consagração ou vexame no duelo que ninguém quer perder pode selar destinos. A expulsão estúpida causa julgamentos pesados; a goleada vergonhosa derruba empregos. O gol perdido, embaixo da trave, te transforma em pior atacante do mundo. O frango por entre as pernas é a condenação, e o drible desconcertante é galeria de lances eternos do embate. O golaço, a glória suprema.

E quem a alcança não são os jogadores nota 6 ou 7, são sempre os acima da média. Os craques. Sujeitos que nasceram para ter a bola como amiga, a camisa 10 como segunda pele e os clássicos para marcarem história, valha título ou valha nada. Um toque espetacular aqui, outro ali, e mais um capítulo é escrito. A genialidade desfilando em sua plenitude, levando euforia e humilhação em proporções exageradamente iguais para um lado e outro.

Lembro uma vez quando isso aconteceu. O calendário apontava o dia 20 de março de 2002. Dia de clássico. São Paulo e Palmeiras escreveriam mais um pedacinho desta história no Morumbi. O placar de 4×2 para o Verdão até seria o assunto principal. Não fosse a genialidade de um certo meia alviverde, um daqueles casos raros de quem nasceu para ter a bola como amiga e a camisa 10 como segunda pele.

Ansiosa que só, a amiga o procurou ainda atrás do meio campo. Ele a cumprimentou e disse: “nos encontramos em breve ali na frente”. E foi no seu trote cadenciado, marca registrada de quem nunca foi muito de correr, mas sim de jogar. Magrão a levou até determinado ponto, tocou para Christian que devolveu a Alex. A amiga era dele, afinal.

E que amizade bonita! Digna de aplausos. O primeiro tapa, com a parte de fora do pé, maltrataria muitas pelotas por aí. Mas não nos pés de Alex. Melhor, não no pé, o esquerdo, de Alex. Ali, o toque que poderia virar pixotada virou chapelaria. Primeiro no zagueiro. Depois em Rogério Ceni. Um chapéu. Dois chapéus. Certeza que, se houvesse uma fila de tricolores, todos seriam devidamente agraciados com um modelo próprio. Não precisou. Depois da genialidade, o complemento simples para trazer um quê de cotidiano ao lance. Como se fosse possível.

Alex

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Tão verdadeiramente um gol de placa que até placa virou.

gol de placa Alex

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Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.