Tite precisa (e pode) reformular o Corinthians

  • por Elcio Mendonça
  • 4 Anos atrás
Foto: Pedro Martins/Estadão Conteúdo - Tite precisa dar uma nova cara ao Timão

Foto: Pedro Martins/Estadão Conteúdo – Após o desmanche, Tite precisa dar uma nova cara ao Timão

19 de novembro de 2015. Neste dia o Corinthians selava a conquista do Campeonato Brasileiro, o sexto em sua história. Seis meses, um desmanche e duas eliminações depois, Tite se vê com a missão de reformular o time alvinegro para ter chances de brigar por mais um título nacional.

Um cenário compreensível, sem dúvida alguma. Ninguém escapa ileso da saída de seis titulares, ainda mais sendo quatro deles jogadores de Seleção Brasileira (Gil, Jadson e Renato Augusto, na principal, e Malcom, na olímpica). Para agravar a situação, o zagueiro Felipe, outro que também já foi convocado por Dunga, pode trocar o Timão pelo Porto, de Portugal.

A necessidade de acertar as contas da Arena Corinthians e o baixo valor das multas rescisórias de quem saiu impossibilitaram o clube paulista de repor as baixas à altura. Nove jogadores desembarcaram no Parque São Jorge, mas é notório o déficit de qualidade em relação ao time que disputou o último Brasileirão.

Ainda assim, Tite optou por manter o estilo de jogo da equipe. Uma ideia que faz todo o sentido, já que seus comandados mostraram que era possível seguir com o padrão tático mesmo com as substituições por suspensão ou lesão, comuns em um campeonato por pontos corridos. O ápice desse modelo foi a goleada por 6 a 1 sobre o São Paulo, quando o Corinthians foi a campo com um time composto por reservas.

https://www.youtube.com/watch?v=Dh3Y5DtcoIM

Se na teoria a ideia era boa, na prática não foi bem assim. A intensidade e o jogo vertical, referências do time, ficaram em 2015, um claro exemplo da falta que fazem Renato Augusto e Jadson.

Até mesmo sem a posse de bola é visível a queda de rendimento. O Timão já não é mais implacável, seja na marcação pressão ou recuando a linha defensiva para apostar no contra ataque.

Além disso, o Alvinegro se tornou previsível e sem um plano B, tendo sério problemas para furar defesas bem armadas, como aconteceu na eliminação para o Nacional, nas oitavas de final da Copa Libertadores.

https://www.youtube.com/watch?v=BG-3PybQliY

O técnico corintiano até experimentou a troca do 4-1-4-1 pelo 4-2-3-1 em alguns momentos do Paulistão, entre eles o clássico diante do Santos, na Vila Belmiro, mas a equipe não reagiu bem à mudança.

Foto: Reprodução - Diante do Santos, o 4-2-3-1 com Danilo na armação

Foto: Reprodução – Diante do Santos, o 4-2-3-1 com Danilo na armação não funcionou

Algumas escolhas de Tite também não surtiram o efeito esperado. Giovanni Augusto, que viveu seus melhores momentos no Atlético Mineiro jogando pelo meio, não rendeu o seu melhor futebol sendo escalado pela beirada do campo. Já Guilherme não se adaptou à função de meio campista. Romero, por sua vez, merece um lugar entre os titulares.

Por mais que a comparação com o ano passado não empolgue o torcedor, não há motivos para desespero. Tite conhece bem as suas peças e tem total competência para montar novamente um time campeão. Talvez sem a mesma força do grupo anterior, mas capaz de cair novamente nas graças da Fiel.

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.