Um diabo português em Manchester

De repente, um forasteiro caminha solitariamente pelos arredores do velho teatro. Aquele que por tanto tempo fora inimigo, desta vez, pela porta da frente, chega com status de salvador. Com uma aura especial e uma mística única, Mourinho vem à Manchester com a missão de reacender a chama do torcedor e fazer o United voltar a ter pretensões mais compatíveis com a sua grandeza.

Soa meio controverso, mas sua chegada é uma tentativa de trazer otimismo ao ambiente e amenizar uma saudade relutante que agoniza o torcedor desde a aposentadoria de Alex Ferguson.  O “special one” é uma luz que surge em meio a um momento de incertezas e baixa estima. Uma tentativa certa em meios as incertezas que permeiam a história recente do gigante inglês. É o sopro de esperança no coração de um gigante.

O trabalho de Louis van Gaal, em que pese, encerrado com um título, ficou muito aquém do que se esperava. Diante de uma queda brusca no valor das ações, do dispêndio de verba com contratações infrutíferas, dos rombos financeiros decorrentes da não classificação para a Champions League e do desgaste da imagem do clube decorrentes das picuinhas do holandês com a “malvada” imprensa, o United finalmente teve a sapiência de destitui-lo do cargo.

Nessa consonância, instaura-se um novo reinado em Manchester, onde o novo imperador terá por grande incumbência conduzir o exército vermelho na árdua tarefa de reconquistar seu território. A mentalidade vencedora de Mourinho aliada à estrutura do clube poderão recolocar o clube entre as potências continentais.

A rivalidade com Pep Guardiola:

A chegada do “special one” traz à tona uma rivalidade que excita o amante do futebol. Eis que um duelo à parte surge na beira da cancha!

Como o fogo e o gelo, a luz e a escuridão, Mourinho e Guardiola são duas versões distintas com um denominador comum: a sede por títulos. É isso que conspira a favor. O mundo do futebol sonha em reviver essa rivalidade, visto que são os dois treinadores mais badalados e geniais dos últimos tempos.

De um lado, o pragmático e irreverente gênio português, um taticista nato e verdadeiro estrategista sorrateiro, amante da consistência defensiva e contragolpes rápidos. Doutro lado, o invencionista espanhol que simboliza a classe e a elegância do jogo. O cara culto e refinado que prefere um futebol mais solto, marcado pela posse de bola, triangulações e recomposições rápidas.

Um jogo de encanto e leveza em contraste com um de pura eficiência e segurança. É como uma batalha entre ciências exatas com as humanas. É questão de gosto. É como se um fosse vinho tinto e outro suave. Enfim, será um embate à parte, algo secular e que o mundo inteiro vai parar pra ver.

Um sonho de infância:

Finalmente o Manchester United começou a corresponder o amor e admiração que este português sempre lhe teve. Para quem não sabe, desde o início de sua carreira, Mourinho sempre sonhou em dirigir o clube inglês. Sonho este que fora frustrado após Alex Ferguson nomear David Moyes como seu sucessor. Aquela escolha ilógica parecia selar o “fracasso” de Mou.

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“Há uma mística e um romance sobre o United que nenhum outro clube consegue igualar”.

No entanto, passem anos ou décadas, “o ser humano é movido a sonhos e um sonho nunca morre enquanto aquele que sonha o mantiver vivo”. O mundo dá voltas! Mourinho soube ser paciente e maduro o suficiente para aguardar o melhor momento – e chegou. Aquilo que outrora parecia obsoleto e longínquo, agora lhe está escancarado. O brilhante treinador não só tem a oportunidade de escrever mais uma página do seu belíssimo livro, mas o de na verdade, reescrever sua história, afinal, um capítulo titulado “Manchester United” pode mudar todo o roteiro da história.

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Mourinho e Manchester United é um casamento perfeito! Uma mistura de amor e ódio, de paixão ofegante e fúria abominante, um verdadeiro romance diabólico.

É pensando grande e tendo esperanças de que finalmente o clube caiu em boas mãos que o torcedor Red Devil anseia para o início da próxima temporada. Mourinho chega para mostrar porque recebe a alcunha de “especial” e para provar que é o único capaz de suceder alguém como Sir. Alex Ferguson.

O que o futuro reserva, não se sabe, porém se espera que o gigante inglês adormecido ressurja como uma fênix avassaladora e honre a alcunha diabólica que ostenta, voltando assim a impor temor aos que se opuserem a teu reinado. Para isso, contam agora com o espírito endiabrado de um líder sedento por almas e vitórias.

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Filipy é um jovem advogado do interior de Pernambuco. Católico por amor e convicção, tem 23 anos, vive e respira futebol, inclusive, já furou encontro com a própria namorada para jogar descalço nos sórdidos gramados sertanejos. É no esporte bretão que ele encontra o seu maior refúgio nas tardes negras de sábado. (Colunista - Manchester United Brasil)