Vitória de volta à Série A

  • por Doentes por Futebol
  • 4 Anos atrás
(Por Tiago Lemos)

Em 7 de dezembro de 2014, o Vitória despedia-se de forma melancólica da Série A. A derrota para o Santos por 1 a 0, em pleno Barradão, era a 20ª da equipe rubro-negra naquela edição da principal competição nacional.

O rebaixamento foi um baque para o clube, que fora quinto colocado no Campeonato Brasileiro de 2013. Agora, contudo, o Leão volta a figurar entre a nata do futebol nacional e quer dar trabalho a seus adversários. Neste domingo, 15, estreia no Brasileirão diante do Santa Cruz, no Estádio Arruda, em Recife (PE).

Terceiro colocado na Série B de 2015, o Vitória manteve peças importantes da campanha do acesso, como o zagueiro Ramon, o lateral Diego Renan – atualmente capitão e cobrador de pênaltis da equipe – e o volante Amaral. Além disso, conta com a permanência de Vagner Mancini, que tem feito um bom trabalho no comando técnico. Para suprir baixas importantes, como as do meia Escudero, que foi jogar no Puebla-MEX, e do atacante Rhayner, atualmente na Ponte Preta, a diretoria rubro-negra investiu em contratações e anunciou seus três principais reforços durante a disputa do Baianão. O zagueiro Victor Ramos, 27 anos, e os atacantes Kieza, 29, e Dagoberto, 33.

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Dos três, o defensor tem história no clube. Formado nas categorias de base do Vitória, VR3 foi titular da campanha no Brasileiro 2013, que quase rendeu ao Leão uma vaga na Libertadores. O mais caro, no entanto, é Kieza. Pouco utilizado no São Paulo no início do ano, o camisa 9 – destaque do Bahia na temporada 2014 – foi comprado pelo Leão junto ao Tricolor do Morumbi por cerca de R$ 4 milhões. Até agora, disputou seis jogos e marcou dois gols. Já Dagoberto atuou por apenas 31 minutos e se recupera de lesão na coxa.

Mas é outra contratação que tem se destacado com a camisa vermelha e preta: Marinho, 25 anos. O famoso atacante do “Sabia não”, que rendeu memes de sobra nas redes sociais quando atuava pelo Ceará, foi emprestado pelo Cruzeiro e já balançou as redes oito vezes em 12 partidas pelo Vitória. Na última segunda-feira, 9, o canhoto foi escolhido o craque do Campeonato Baiano, título conquistado pelo time do Barradão depois de duas temporadas.

TREINADOR APOSTA NA VELOCIDADE PELAS PONTAS

O técnico Vagner Mancini escala o Vitória no já tradicional 4-2-3-1: Fernando Miguel; José Welison, Victor Ramos, Ramon e Diego Renan; Willian Farias e Amaral; Vander, Leandro Domingues e Marinho; Kieza. Além das jogadas rápidas pelos lados, principalmente com as investidas de Vander e Marinho e o apoio de Diego Renan, os volantes do Leão têm liberdade para atacar. Com isso, Amaral, famoso pelos desarmes e chegadas mais fortes, marcou três gols na atual temporada.

Formação tática do Vitória

Na criação das jogadas, o experiente Leandro Domingues, 32 anos, que também possui currículo no clube, tem organizado o meio de campo. Quem o cerca de perto por uma vaga no time titular é Tiago Real, 27, que está recuperado de lesão. O contestado Arthur Maia, 23, também fazia parte do elenco, mas foi emprestado para a Chapecoense na última quinta-feira, 12. Com isso, a diretoria busca um armador que vista a camisa de titular e faça a torcida esquecer o argentino Escudero.

A lateral direita também precisa de pelo menos uma contratação. José Welison, 21, jogava na posição enquanto promessa da base, mas virou volante no profissional e agora voltou às origens pelo forte poder de marcação. No elenco, Mancini tem à disposição Maicon Silva, 27, e Norberto, 25. O primeiro jogou cinco partidas e não agradou. Já o segundo está recuperado de grave lesão no joelho e pode ser uma boa alternativa.

A equipe rubro-negra também precisa de um reserva à altura de Diego Renan na lateral esquerda, de mais um volante experiente e de um centroavante que faça sombra a Kieza no ataque. Reserva imediato de K9, Robert deixou a Toca do Leão para vestir a camisa do Paraná Clube e disputar a Série B.

DEFESA DO LEÃO SOFREU POUCOS GOLS NA TEMPORADA

Um dos pontos positivos do esquema montado por Vagner Mancini é o sistema defensivo, que faz uma linha de marcação alta. Se comparado com os outros 19 clubes da Série A em 2016, o Leão inicia o Brasileirão com a defesa menos vazada, com apenas dez gols sofridos. Na média, o Vitória também ocupa uma boa colocação: é o quinto colocado, com 0,66 gol por partida. A parte ofensiva também é positiva. O rubro-negro baiano faz 1,86 gol por partida e ocupa a terceira colocação no ranking entre as equipes que disputarão o Brasileirão, ao lado do Santos (levando em conta todos os jogos disputados no ano de 2016).

Mesmo que as médias sejam favoráveis, o Vitória tem uma estatística que pode ser um problema, ao menos neste início da Série A. De todos os 20 clubes, o atual campeão baiano é o que menos atuou em 2016: apenas 15 partidas. Antes do Leão, Cruzeiro e Ponte Preta são os mais próximos, com 19 jogos. O baixo número é reflexo da ausência da equipe vermelha e preta da Copa do Nordeste – não obteve índice de classificação no Estadual 2015.

Se por um lado a pouca quantidade de duelos deixa o clube do Barradão com gás de sobra para a disputa do Brasileiro, por outro pode atrapalhar na questão do entrosamento. Principal contratação da equipe, Kieza só disputou seis jogos e ainda não desenvolveu o futebol que a torcida espera dele.

Entrosado ou não, o clube baiano vai precisar ir se acertando durante a competição, tanto em relação a buscar mais reforços quanto a definir uma equipe base para ao menos permanecer na elite do futebol nacional.

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