Chegamos ao fundo do poço, agora só nos resta subir

  • por Jean Madrid
  • 3 Anos atrás

Dizer que o 7×1 foi pouco pode, por hora, parecer brincadeira ou deboche. Mas essa frase, tão repetida depois daquele fatídico 8 de julho de 2014, reflete nada menos do que a realidade nua e crua. Porém, é errado afirmar que o passeio alemão em solo brasileiro foi o início da crise do futebol pentacampeão mundial. O golpe que os alemães nos deram foi o nocaute. Quando estávamos caídos, a seleção peruana tratou de nos finalizar. Contudo, o nosso verdadeiro rival, nesse embate que já dura décadas, estava o tempo todo ao nosso lado.

https://www.youtube.com/watch?v=zoecRIB3GEQ

Alemanha e Peru foram os eleitos pelo destino para escancarar tudo isso dentro de campo, mas o real problema acontecia fora dele.

⚽ Imigrantes da Bola – Drops 002 | (Mais um) Vexame em verde e amarelo ⚽

Foto: Reprodução CBF │ O verdadeiro rival do futebol brasileiro, da base à seleção principal: a CBF

Foto: Reprodução CBF │ O verdadeiro rival do futebol brasileiro, da base à seleção principal: a CBF

Desde a elitização financeira do futebol, há muitos anos, a Seleção Brasileira vem perdendo força. A arrogância e o desprezo para com o esporte, por parte da confederação que nos rege, é gigante e evidente. A desorganização e o foco monetário eram os sinais claros de que, em algum momento, tombaríamos. Pois bem, esse tombo veio em 2014 e apagamos agora há alguns dias.

Os motivos todos conhecem, mas não custa repeti-los: desentendimentos entre clubes e a CBF, má gestão, distribuição de cotas, vendas de promessas da base, calendário, eleições, corrupção, desatenção, escândalos, a decadência do futebol, o peso dobrado nas costas de meninos, as escolhas incoerentes, o presidente que mal sabe diferenciar um 4-3-3 de um 4-1-4-1, o técnico que não tem currículo… E por aí vai. Tudo isso veio à tona em 2014, dentro de casa e banhado por lágrimas verdes e amarelas, infelizmente.

No ano do penta, em 2002, a situação também era crítica. A sorte da Confederação Brasileira de Futebol foi que, na época, Luis Felipe Scolari era um dos melhores técnicos do mundo e a safra de jogadores era espetacular. Felipão, Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho retardaram em alguns anos a nossa queda rumo ao fundo do poço. Marco Polo Del Nero, Coronel Nunes, Dunga e Gilmar Rinaldi nos levaram até lá.

⚽ Esfaqueamos o retrato ⚽

É difícil aceitar o ponto em que o nosso futebol chegou. A crise é tão grande que nossas crianças, que sempre cresceram admirando um time e um craque brasileiro, hoje admiram um time e um craque estrangeiro. Não temos nada que faça com que o que temos em casa seja espelho para as nossas futuras gerações.

O futebol pentacampeão está sozinho, machucado e com medo. Medo de qualquer um. Coisa que qualquer um não tem dele.

Culpa dos jogadores, das comissões técnicas que passaram pela seleção nesse período, mas ainda mais do comando – que não comanda há muito tempo. O berço de vários dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos está se esvaindo. Não temos referência no topo do esporte – e seria complicado enxergar de tão longe.

⚽ A “Titebilidade” chega à seleção ⚽

Foto: Corinthians.com.br │ Adenor Leonardo Bacchi, o homem incumbido do renascimento da seleção brasileira

Foto: Corinthians.com.br │ Adenor Leonardo Bacchi, o homem incumbido do renascimento da seleção brasileira

A CBF criou um cenário escuro e preocupante. Levou nosso maior bem para a lama e, lá, acabou com ele. Reerguer a maior instituição da história do futebol, que carrega cinco estrelas no peito, é hoje a tarefa de Adenor Leonardo Bacchi. Porém, nossa situação é tão grave que nem sob o comando do melhor técnico do país podemos ter a certeza de evolução. Com uma confederação vilã nos guiando, o futebol brasileiro segue uma trilha incerta.

Chegamos ao fundo poço. Resta-nos saber se iremos cavar mais fundo ou alçar uma corda e subir pouco a pouco.

Comentários

A classe de Zidane, a sintonia de Xavi e Iniesta, a irreverência do baixo e o cabelo do Beckham.