De cara nova, Chile quer fugir da sombra de Sampaoli

  • por Elcio Mendonça
  • 3 Anos atrás
Foto: Divulgação/Copa América - Chile emplacou 4 vitórias seguidas nesta Copa América Centenário

Foto: Divulgação/Copa América – Chile emplacou 4 vitórias seguidas nesta Copa América 

Poucos países foram tão afetados pelo Fifagate como o Chile. O país de Neruda viu o presidente da federação nacional, Sergio Jadue, deixar o cargo por conta da investigação do FBI. A renúncia do cartola levou, também, à saída de Jorge Sampaoli no começo deste ano.

Além da fidelidade a quem o contratou, Sampaoli deixou o cargo por ver seu nome envolvido em uma polêmica. A imprensa chilena divulgou que parte do salário do treinador era pago em uma conta secreta em um paraíso fiscal. O argentino negou o fato, mas encarou isso como um vazamento proposital feito pela nova diretoria da federação, quebrando qualquer possibilidade de um laço de confiança entre eles.

Responsável pelo único título oficial do Chile em toda a história, a Copa América do ano passado, Sampaoli foi de herói a vilão em seis meses. Era hora de partir, após quatro anos à frente da Roja.

Nesse período ele mudou a forma dos chilenos jogarem. Montou um time a partir da posse de bola, tentando extrair ao máximo o talento de Sanchez e Vidal, os dois maiores nomes desta que talvez seja a melhor geração do país na história.

Se a vida seguiu para o argentino, a Federação Chilena fez o possível para ir adiante também. Trouxe como substituto o argentino naturalizado espanhol Juan Antonio Pizzi. Ex-atacante, fez sua carreira como jogador atuando na Argentina, Espanha e Portugal.

Como técnico, venceu um campeonato chileno com a Universidad Católica, em 2010, e o Torneio Apertura do Argentino, em 2013, com o San Lorenzo. Ele estava desde 2015 no Leon, do México.

Apesar de também ser argentino, Pizzi tem um perfil bem diferente do antecessor. Aposta em um jogo mais vertical, direto, e não tem qualquer pudor de apostar nos contra ataques. Estreou perdendo por 2 a 1 para a Argentina, em Santiago, pelas Eliminatórias. No jogo seguinte goleou fora de casa a Venezuela, por 4 a 1, também pelo qualificatorio.

Foto: Carlos Parra/Divulgação ANFP - Pizzi (dir) tem a missão de suceder Sampaoli à frente da Roja

Foto: Carlos Parra/Divulgação ANFP – Pizzi (dir) tem a missão de suceder Sampaoli à frente da Roja

A primeira fase da Copa América não empolgou. Começou perdendo para a Argentina, novamente por 2 a 1. Derrotou a Bolívia por 2 a 1, com direito a um pênalti no mínimo polêmico já nos acréscimos, e levou a vaga na última rodada em um confronto direto contra o Panamá, que acabou com vitória chilena por 4 a 2.

A Roja, de fato, só começou a chamar a atenção nas quartas de final, quando massacrou o México, tido como um dos favoritos, com um histórico 7 a 0.

Na semifinal foi a vez da Colômbia sofrer com o jogo intenso do Chile, que precisou de apenas 11 minutos para decretar a vitória por 2 a 0. Pizzi se aproveitou da escalação de James Rodriguez na esquerda. Não é segredo que o meia do Real Madrid deixa a desejar na marcação. Por ali aconteceu a parceria entre Isla e Fuenzalida, que sempre levou vantagem diante de Fabra, sempre desprotegido na lateral esquerda.

A Roja varia taticamente entre o 4-3-3 e o 4-4-2 em duas linhas. Com a segunda formação, os chilenos empurram os quatro homens ofensivos e tiram a sobra do adversário, que precisa recuar um dos volantes para voltar a ter superioridade numérica. Isso abre o caminho para um dos centro-campistas subir com liberdade, como aconteceu com Aránguiz no primeiro gol diante dos colombianos.

https://www.youtube.com/watch?v=dtlaibbWHas

Na final terá pela frente a Argentina, uma velha conhecida de Pizzi. Será o terceiro confronto entre os times somente neste ano. Uma dura missão, sem dúvida alguma, contra uma equipe que tem todo o favoritismo no confronto.

Muita coisa mudou desde o encontro na final da última Copa América. Enquanto o Chile busca encontrar o seu caminho sem Sampaoli, a Albiceleste mostra grande evolução. O time de Tata Martino encontrou o equilíbrio entre os setores, algo que fez muita falta nos últimos anos.

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Mais do que isso, Messi está bastante à vontade na seleção. Joga com a naturalidade que tem no Barcelona. Isso faz com que a Argentina lide com bastante tranquilidade com o fato de ser a principal equipe do torneio.

Nesse cenário, Pizzi, que contará com o retorno de Vidal, suspenso no último jogo, deverá apostar no 4-4-2. Tentará encaixotar o bom meio campo argentino, buscando isolar Messi do restante do time. Com a bola, contra ataques rápidos e diretos, sempre buscando as laterais da Argentina, o elo mais fraco do setor defensivo adversário.

Foto: Carlos Parra/Divulgação ANFP - Após cumprir suspensão automática, Vidal retorna para a final

Foto: Carlos Parra/Divulgação ANFP – Após cumprir suspensão automática, Vidal retorna para a final

O objetivo do Chile vai além de conquistar o bicampeonato da Copa América. A Roja quer provar que pode seguir evoluindo sem Sampaoli e se consolidar de vez como uma força no continente.

Chegar novamente à final, com um técnico que desembarcou há pouco tempo, é um sinal animador mesmo que o título não venha. Ainda assim, é preciso pensar adiante. O avanço será medido, de fato, na sequência das Eliminatórias, assim como a Copa das Confederações será um interessante teste. O desafio é chegar à Rússia, em 2018, sem a sombra de Sampaoli.

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.