Do êxtase à decepção: Uma Croácia à espera de Modric

  • por Elcio Mendonça
  • 2 Anos atrás
Foto: Diario AS - Lesão na coxa esquerda pode tirar Modric da Euro

Foto: Diario AS – Lesão na coxa esquerda pode tirar Modric da Euro

Uma geração talentosa da Croácia desfilando pelos gramados franceses. A frase acima poderia ser sobre o time de 1998, com Suker, Boban, Jarni, Prosinecki e companhia, mas a equipe em questão é a liderada por Modric. 18 anos depois do terceiro lugar na Copa do Mundo, a seleção croata volta à França para tentar fazer história, mas, assim como naquele Mundial, longe dos holofotes.

Atuando no 4-4-1-1, o time dirigido pelo técnico Ante Cacic tem no meio campo a sua força. Um setor que não conta só com Modric, mas também tem Rakitic e Perisic em grande fase. Um competente Badelj, o mais recuado do quinteto, e Brozovic, aberto pela direita.

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Apesar de ter o meia do Barcelona mais à frente da linha de quatro jogadores, cabe à Modric a responsabilidade de fazer o time jogar. Ele é o responsável pelas transições ofensivas. Mesmo deixando o campo aos 17 minutos do segundo tempo, com uma distensão no músculo adutor da coxa esquerda, foi quem mais trocou passes no time croata, com 36 acertos e apenas três erros.

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E foi a partir da saída do madridista que tudo passou a correr mal. Sem a mesma qualidade na saída de bola, a Croácia perdeu volume de jogo e viu uma briosa República Tcheca crescer e empatar o jogo. É bem verdade que a paralisação por conta dos sinalizadores lançados pela própria torcida da Croácia, já nos minutos finais, serviu para desestabilizar ainda mais o time, que viu a vitória escapar entre os dedos após um pênalti infantil de Vida, no melhor estilo Thiago Silva.

Foto: Divulgação/hns-cff.hr - Necid cobrou o pênalti que garantiu o empate para os tchecos

Foto: Divulgação/hns-cff.hr – Necid cobrou o pênalti que garantiu o empate tcheco

O êxtase criado pela boa atuação e a sensação de que a vitória e, consequentemente, a classificação viriam foi substituído pelo sentimento de decepção. Não só pelo empate, mas, principalmente, pela possibilidade de perder Modric para a sequência da Euro. A própria federação croata dá como certa a ausência do meio-campista diante da Espanha na próxima rodada. O objetivo, agora, é recuperá-lo para um possível duelo nas oitavas de final.

É notório o prejuízo com a ausência do meia. Kovacic, contra os tchecos, não conseguiu dar conta do recado. Uma opção para o jogo contra a Roja é recuar Rakitic, adaptando o time ao 4-1-4-1, e deixá-lo com uma função mais parecida com a que ele desempenha no Barça.

Foto: Divulgação/UEFA - Autor do segundo gol croata, Rakitic se torna o protagonista com a ausência de Modric

Foto: Divulgação/UEFA – Rakitic se torna o protagonista com a ausência de Modric

Outra preocupação é a baixa eficiência ofensiva. Na estreia contra a Turquia foram 16 finalizações, com oito certas e apenas um gol. Já na segunda rodada foram 15 no total e só quatro à baliza. Para efeitos de comparação, a República Tcheca chegou ao empate arrematando apenas em sete oportunidades. A Croácia apresenta um número baixo de acertos, principalmente em uma Euro marcada pelo equilíbrio.

Longe do selo de favorita, a Croácia ainda precisa provar que pode surpreender. Enfrentar a Espanha, principalmente sem Modric em campo, pode ser esse teste.

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.