EURO2016: Toni Kroos em essência

  • por Victor Mendes Xavier
  • 3 Anos atrás
Foto: Site Oficial da Uefa | Atuação de Kroos contra o Brasil na Copa do Mundo de 2014 acabou com qualquer dúvida: estávamos diante de um volante de classe mundial

Foto: Uefa | Atuação contra o Brasil no Mundial de 2014 acabou com qualquer dúvida: trata-se de um volante de classe mundial

A categoria de Toni Kroos é indiscutível. Maestro de classe mundial, o alemão está no centro das atenções do futebol desde a magnífica temporada 2013/2014, quando Guardiola o converteu num volante organizador sublime. As atuações pelo Bayern foram prolongadas na Copa, até o auge contra o Brasil, quando o camisa 18 teve uma das maiores exibições de uma semifinal de Mundial, sendo um dos responsáveis diretos pelo massacre por 7 a 1. Seu rendimento como primeiro volante no sistema de Carlo Ancelotti pelo Real Madrid em 2014/2015 teve picos potentes, mas quando a equipe baixou seu nível após a sequência de lesões, seu papel foi discutido. Até hoje, há quem conteste o recuo excessivo (sobretudo pelo excelente fim de temporada com Zidane como interior esquerdo), mas não dá para negar a qualidade.

A Alemanha de Joachim Löw preza pelo jogo de passes. Portanto, é essencial um zagueiro e um volante que sejam responsáveis pelo início da jogada. E é por isso que, com Schweinsteiger com o estado físico combalido, o técnico tem utilizado Kroos como primeiro volante de seu 4-2-3-1. Até o momento, os campeões do mundo tiveram caminho cômodo na competição, sem sofrer gols e sempre comprometidos e disciplinados. Dentro do plano tático germânico, Kroos é uma peça essencial. Se reduzimos seu impacto como primeiro volante à sua capacidade para encontrar jogadores livres à frente da bola, descobrimos poucos no mundo com seu nível. Um exemplo: o jogo de estreia da Alemanha na Euro, contra a Ucrânia. Kroos exibiu-se como nos melhores dias.

O sistema construído por Löw privilegia todas as suas características. Há bastantes linhas de passes e jogadores que se aproximam para tabelar. Kroos também tem liberdade para, mesmo estando à frente da defesa, se mover à zona de interior esquerdo, em um mecanismo onde Hector e Khedira recuam, Draxler abre à esquerda e Özil pula uma linha. É basicamente ali onde Toni mostra todo seu arsenal. A precisão é sempre milimétrica, seja lançando verticalmente, invertendo a bola, tocando curto ou em profundidade, finalizando a gol e assistindo um companheiro. Kroos manda na Alemanha e a Alemanha torna-se mais forte ainda.

Fonte: Whoscored

Fonte: Whoscored

A Alemanha tem um desafio contra a Itália. A Azzurra vai entrar em campo em blocos baixos, à espera de uma saída direta, tal qual fez para desnortear a Espanha. A frescura e mobilidade dos homens que jogam à frente de Kroos será crucial. Müller e Özil se entendem na direita, Draxler tem causado estrago a partir de seus dribles na esquerda e Gomez será importante para mover Barzagli, Bonucci e Chiellini. Ofensivamente, apesar dos adversários, a Alemanha convence, devido à capacidade para mover a bola agilmente. A volúpia no ataque é alta, o que contrasta com a inércia da Espanha demonstrada em Paris na segunda-feira. O time de Löw vai precisar de paciência. Marcar um gol custará. Acima de tudo, será preciso manejar bem a bola. E a Alemanha tem em Kroos uma peça que, até o momento, nenhum adversário da Itália teve. Será bonito ver esse duelo.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.