Existe vida sem Messi

  • por Elcio Mendonça
  • 5 Anos atrás
Foto: Divulgação/Copa América Centenário - Na ausência de Messi, Di Maria foi o protagonista contra o Chile

Foto: Divulgação/Copa América – Na ausência de Messi, Di Maria foi o protagonista contra o Chile

Imagine que seu time estará desfalcado do melhor jogador. E se eu dissesse que o atleta em questão não só é o craque da equipe, como também é o melhor do mundo? Preocupante, certo? Não se você torcer para a seleção argentina.

A estreia diante do Chile na Copa América Centenário mostrou que o time de Gerardo Martino pode ser plenamente competitivo sem a presença do 10. Algo que os números também ajudam a entender. Em 23 jogos sem o craque do Barcelona, desde que ele assumiu a titularidade na seleção, a Albiceleste soma 70% de aproveitamento, retrospecto ligeiramente superior ao rendimento com a Pulga em campo, por exemplo, que gira em torno de 66% em 105 jogos.

Foto: Eurosport - Messi se lesionou às vésperas da Copa América, mas não deve ser problema

Foto: Eurosport – Messi se lesionou às vésperas da Copa América, mas não deve ser problema

Mas longe da frieza dos números, muitas vezes encorpados com amistosos sem grande importância, a atuação na vitória sobre a Roja mostrou uma Argentina forte e bem estruturada taticamente, com o jogo baseado em um meio campo forte e rápidas transições para o ataque.

Não por acaso os dois gols saíram em contra ataques criados a partir de erros na saída de bola da defesa chilena. Em ambos os casos a bola foi roubada na faixa da direita no meio de campo e chegou rapidamente à esquerda do terço final, graças às arrancadas da dupla Di Maria e Banega.

Foto: Reprodução/Youtube - Banega desarma no meio e dá início ao contra ataque que gerou o 1o gol argentino

Foto: Reprodução/Youtube – Banega desarma no meio e dá início ao primeiro gol argentino

O esquema tático foi o mesmo de quando Messi está em campo. Tatá Martino montou a Argentina no 4-3-3. A diferença foi a maneira de atuar sem a bola nos pés. A fase defensiva da Albiceleste se baseou, de fato, no 4-1-4-1. Com Di Maria e Gaitan voltando para fechar o meio campo, o trio central pôde atuar de forma mais compacta e diminuiu o espaço do Chile.

Já com a Pulga, o 4-3-3 se transforma em duas linhas de quatro na transição defensiva, com um dos centro-campista precisando cobrir o camisa 10 no extremo do campo.

A diferença se mostra nos números. Diante dos chilenos foram 23 desarmes bem sucedidos, com nove deles realizados pelo trio de meio campo formado por Mascherano (2 desarmes), Augusto Fernandez (5 desarmes) e Banega (2 desarmes). Dois desses resultaram nos gols. Uma ferramenta necessária em um jogo aonde os argentinos tiveram apenas 47% de posse de bola.

https://www.youtube.com/watch?v=uHM799erWv4

Mais do que ajudar na busca pelos contra ataques, a compactação do meio campo protege a frágil linha defensiva, principalmente os laterais Mercado e Rojo. Há muito tempo a luta na seleção argentina é para equilibrar ataque e defesa. Algo natural em um time com tantos nomes de peso no ataque e sem tanta força no setor defensivo.

Com a bola nos pés, Banega era o responsável pela transição entre meio e ataque, atuando no estilo “box to box”, como os ingleses dizem. Di Maria e Gaitan, pelas pontas, davam a amplitude ofensiva, enquanto Higuain, centralizado, era a referência no ataque.

Foto: Reprodução/Footstats - Mapa de calor mostra a movimentação "box to box" de Banega

Foto: Reprodução/Footstats – Mapa de calor mostra a movimentação “box to box” de Banega

O triunfo sobre o Chile praticamente colocou os argentinos nas quartas de final da Copa América Centenário. Difícil imaginar os albicelestes tropeçando em Panamá ou Bolívia. Cenário ideal para a recuperação de Messi, que já deverá estar em campo na sexta-feira, diante dos panamenhos.

Sequência interessante também para Martino definir qual time levará a campo no mata-mata. Com o 10 ou sem ele, não há dúvidas de que a Argentina tem chances reais de acabar com o jejum de 23 anos sem um título do time adulto.

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.