(Mais um) Vexame em verde e amarelo

  • por Elcio Mendonça
  • 1 year atrás

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51 minutos do segundo tempo. Quando o árbitro uruguaio Andrés Cunha apitou o fim da partida, Dunga não havia feito uma alteração sequer no esquema de jogo da Seleção Brasileira.

Mais do que isso, “morreu” com duas alterações no bolso. Se limitou a trocar o centroavante improvisado Gabriel pelo também improvisado Hulk.

Não consigo imaginar algo mais emblemático do que isso. O Brasil sendo eliminado, jogando mal, e o treinador sem conseguir fazer uma mudança no time, algo que pudesse alterar o destino canarinho. Dunga se limitou a assistir incrédulo ao final do jogo, torcendo para que um lance de sorte pudesse lhe dar a classificação e um novo fôlego.

É bem verdade que o gol peruano foi de mão, mas também não se pode esquecer do tento legal do Equador anulado na estreia, que poderia ter deixado o Brasil em uma situação ainda mais complicada na última rodada.

Mesmo que os erros de arbitragem se limitassem à vitória do Peru, é pensar pequeno justificar a eliminação com isso. O Brasil jogou mal na Copa América Centenário. Exceto pela pelada contra o Haiti, não marcou um golzinho sequer. Também foi o único que conseguiu ser vazado pelos haitianos.

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Desde o início da competição, Dunga sinalizou que gostaria de um Brasil com maior qualidade no meio de campo, que trocasse os tão comuns lançamentos pelos passes. Em parte funcionou. De fato a equipe tocou mais a bola na faixa central, se mostrou mais compacta, mas continuou com enormes dificuldades no terço final do campo.

A falta de triangulações e de maior intensidade no ataque tornaram o time previsível. Wiliam se posicionou o tempo inteiro aberto na direita, como se estivesse com os pés colados na ponta do campo. Renato Augusto, por sua vez, tentava ser o homem surpresa, mas fez tantas vezes a mesma função que, claramente, deixou de surpreender alguém. Gabriel, novamente improvisado lá na frente, pouco conseguiu fazer em um jogo aonde a bola mal chegou até ele.

A ausência do suspenso Casemiro levou Dunga a trocar o 4-1-4-1 pelo 4-2-3-1, mudança que já havia acontecido na rodada anterior. Com isso Lucas Lima ganhou um lugar no time, mas esteve abaixo da expectativa, assim como Elias.

O treinador também pecou pelos erros na convocação. Deixou Thiago Silva e Marcelo, ambos considerados como referências mundiais em suas posições, de fora por conta de picuinhas pessoais.

Sem falar em Neymar, que não foi ao torneio porque a Seleção preferiu priorizar o “projeto Olímpico”. Dunga sempre reclamou da falta de tempo para treinar. Quando surge a possibilidade de juntar a equipe para trabalhar, o que ele faz? Dá mais atenção a um torneio de base, como os Jogos Olímpicos. É compreensível a sina brasileira na busca pela inédita medalha de ouro, mas isso não pode pautar o trabalho na seleção adulta.

Foto: NBA - Olha o flash, Curry! Neymar foi aos EUA, mas para curtir as férias

Foto: Divulgação/NBA – Olha o flash, Curry! Neymar foi aos EUA, mas para curtir as férias

Nem mesmo o “estilo guerreiro” de Dunga se mostrou presente no time. Os jogadores estiveram apáticos diante do Peru, como se a eliminação fosse algo comum.

A inércia do treinador à frente da Seleção é apenas um reflexo de como a CBF trata o futebol brasileiro. Após o 7 a 1, havia um clamor por mudanças, tanto dentro como fora de campo. A escolha da entidade máxima do futebol brasileiro foi chamar de volta quem ela demitira quatro anos antes e que no período entre a Copa da África do Sul e a do Brasil não teve um trabalho sequer que justificasse seu retorno à Canarinho.

Assusta como o Brasil se desconectou da maneira que o mundo inteiro joga futebol. É evidente que enquanto os outros evoluem, o futebol brasileiro tem dificuldades para seguir em frente.

E o que esperar da CBF? Para quem pensa que 7 a 1 foi pouco, ficar fora da Copa de 2018 pode ser um mero apagão…

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.