O maestro extraterrestre e sua orquestra Albiceleste

  • por Lulu
  • 4 Anos atrás
Primeiramente, o evidente. Não é a Argentina que joga pra Messi. É Messi que joga pra Argentina. O camisa 10 conduz, distribui, cadencia, acelera, flutua entre as linhas, cai nas pontas, busca o jogo na zona dos volantes, tabela pelo meio, dialoga com os laterais, centraliza na área, puxa a marcação, abre espaços, lança, passa, chuta e rege. O futebol total o personifica.
.
Seu talento tem pacto com o impacto. A maturidade trouxe-lhe maior requinte, além da democratização do protagonismo, sem vaidade. Isso é qualidade de líder. Perfil de um capitão. Que mesmo sendo um homem de poucas palavras, fala muito com os pés. E vem comandando uma Argentina que não jogava tão bem e com tamanha solidez desde a Copa América de 2007. Novamente, a Albiceleste tem tudo pra quebrar o indigesto jejum e muito se deve ao melhor jogador do mundo. Messi marcou 5 gols e deu 4 assistências, atuando em 4 partidas. Ele é o termômetro e o nitro.
Lionel Messi comemorando gol sobre os Estados Unidos com seus companheiros | Foto: Site Oficial da Conmebol

Lionel Messi comemorando gol sobre os Estados Unidos com seus companheiros | Foto: Site Oficial da Conmebol

Desde o início da competição, os comandados de Tata se portaram como um rolo compressor. São 5 vitórias – 4 por goleada! –, 19 gols marcados e apenas 2 sofridos. Do meio do caminho até a classificação à final, existiram contratempos como a contusão de Ángel Di María e algumas mudanças nas escalações. Contudo, o 4-5-1 (para os modernos, 4-2-3-1, ou 4-4-2 sem a bola) vem se mostrando eficaz.
.
Com Mascherano e Banega cirúrgicos na desconstrução e construção de jogadas, culminando com a valorização da posse de bola. Com Funes Mori e Otamendi entrosados na proteção defensiva. Com Rojo e Mercado burocráticos na frente, mas seguros atrás. Com Lamela, Lavezzi e Higuaín alternando bons momentos efetivos. Com outros coadjuvantes, vindos do banco ou não, também contribuindo para o sucesso argentino e o pouco trabalho do goleiro Sergio Romero.
Por fim, cabe ao maestro Messi e seus orquestrados que jogam por música, confirmarem no último ato o que vêm fazendo desde o princípio. Pra quebrar o hiato de 23 anos sem títulos oficiais. Pra tirar das costas um peso enorme e exorcizar críticas passadas. Pra finalmente prevalecer o favoritismo. Mas mais ainda, pra concretizar o que está sendo brilhantemente escrito pelo genial camisa 10. Que ama o país natal e sua seleção, tanto quanto amamos vê-lo jogar!
Comentários

Homem garoto de convicções grisalhas formado em Ciência da Menstruação, Agronomia Espacial, Lirismo Marginal e Terapia Libidinosa. Com repertório vocacional fincado em irreverência, improviso, cinismo lúdico e boleiragem plena.