Que venham os alemães!

  • por Lucas Martins
  • 3 Anos atrás

Não basta ter melhores jogadores, não basta saber o que fazer. Para bater a Itália nos grandes jogos, é preciso transpor a barreira do oculto. Como um animal feroz e vingativo, a Azzurra sempre retornará caso não seja executada de vez. Nesta segunda-feira (27), os espanhóis de Vicente Del Bosque tiveram o desprazer de presenciar este fenômeno.

Provando que existe uma equipe para as partidas de alto calibre e outra para desfilar pelos duelos menores, uma que atinge o ápice da competitividade e outra incapaz de marcar gol contra Malta, a Nazionale segue forte pelo título da Euro 2016. A mensagem deixada é evidente, curta e objetiva: Alemanha, arrume as malas e prepare-se para o pior.

Pois esta é a Itália.

Paixão pelos jogos decisivos

Sem espaço para dúvidas, após a fase de grupos a Eurocopa se dividiu claramente. De um lado os gigantes históricos, como França, Espanha, Inglaterra, Espanha e Itália. Na ponta oposta, menos pesada, Croácia, Bélgica e Portugal largaram como os principais favoritos. Possivelmente quase todos os times da primeira chave teriam adorado cair contra os menos tradicionais, mas um com certeza amou enfrentar logo as camisas que envergam varal.

Porque tirando esse entorno, esse contexto de alta expectativa, a Itália de Antonio Conte se reduz a algo até sofrível.

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Foto: Uefa

É muito simples exemplificar o que foi dito, é só visar a fase de grupos. Na estreia, defrontando a Bélgica de De Bruyne, Hazard e Lukaku, a Squadra do Belpaese completou uma exibição de cinema. Já na 2ª rodada, contra a Suécia que pouco vai além de Ibrahimovic, atuação tão fraca quanto um suco de laranja.

A Itália prefere defender, oferecer a bola a fim de reagir às ações adversárias. Daí, conforme vai criando contragolpes e anulando magicamente o oponente, se enche de confiança para fazer de tudo no gramado. Já com a responsabilidade pura de construir jogadas, sente-se mal a ponto de errar coisas básicas. Fica previsível, perde intensidade, não é um conjunto talhado para esse cenário. Simples, preto no branco.

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Foto: Uefa

Além disso, há o fator psicológico de uma grande partida. É quando o nível de concentração está lá em cima, quando a entrega total pode facilmente lhe oferecer um triunfo. Os italianos começam a atropelar no hino nacional, sob regência do tenor Gigi Buffon. Levam isso para o campo, pressionam feito loucos – com ordem e clareza organizacional, contudo – e trocam passes em altíssima velocidade. Todo o grupo ingere uma droga letal, chamada motivação. Que, quando combinada aos conceitos táticos assimilados, vira uma coisa imparável.

Vitória sobre a Espanha

Para derrotar a seleção de um tal Andrés Iniesta, atual bicampeã da competição, por 2 a 0, a Itália teve de dar tudo. Grudou Pellè em Busquets, isolou Iniesta e Fábregas do jogo a partir de forte marcação central (sobretudo com Parolo e De Rossi), encaixotou a Roja pelos lados e assim forçou De Gea a praticar ligações diretas – contra o trio de zaga da Juventus, tão dominante por cima, o solitário Morata não rendeu.

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Imagem: Soccerway.com

Depois de recuperar a pelota, era preciso produzir. Isso ocorria ao aproximar suas peças nas beiradas do relvado, acelerando em seguida (os alas Florenzi e De Sciglio foram fundamentais); ou então passando pela péssima pressão alta espanhola, aproveitando os buracos cedidos para progredir. O 1 a 0 na 1ª etapa ficou barato.

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Foto: Uefa

O 2º tempo foi mais duro, sofrendo com a atitude diferente do Team Del Bosque. Até Insigne entrar, aos 37 minutos, a Azzurra não respirava. Depois o ponta do Napoli puxou alguns contra-ataques, como no segundo gol, de Graziano Pellè. Agora virá a Alemanha, evoluída ao longo da Euro. Novamente um rival com jogadores melhores, de camisa pesada, que gosta de ter a posse e detém time acertado. Entretanto, sendo Itália, este é o cenário perfeito.

Nada a temer, capitão.

Comentários

2000. Um doente por futebol que busca insistentemente entender esse jogo magnífico de forma completa - claro, sem sucesso.