São Paulo aposta alto para transformar Maicon em “novo Lugano”

  • por Elcio Mendonça
  • 4 Anos atrás
Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net - Maicon caiu nas graças do torcedor são-paulino

Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net – Maicon caiu nas graças do torcedor são-paulino

O São Paulo ficou órfão de um ídolo com a aposentadoria de Rogério Ceni no final do ano passado. Tal carência, somada ao fraco desempenho do setor defensivo e às cobranças por mais raça, criaram uma comoção pelo retorno de Diego Lugano.

Ter o uruguaio de volta não era um desejo recente para os são-paulinos. Desde que o uruguaio trocou o clube do Morumbi pelo Fenerbahçe, em 2006, havia o sonho de ver o “Dios”, como o defensor é chamado pelos torcedores, novamente com a camisa tricolor.

Com o aval do técnico Bauza, a diretoria acertou o retorno de Lugano. O problema é que, tanto a torcida como os diretores, quando olharam o uruguaio, enxergaram o defensor de 10 temporadas atrás, não um zagueiro com 35 anos de idade. O tempo é cruel para jogadores que precisam do vigor físico para fazerem a diferença. E não é segredo algum que o uruguaio nunca foi reconhecido por sua qualidade técnica.

Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net - A torcida invadiu o aeroporto para receber Lugano

Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net – A torcida invadiu o aeroporto para receber Lugano

Não foi preciso muito tempo para o time do Morumbi descobrir que Lugano não era mais o mesmo. O problema defensivo continuava e foi preciso lutar contra o relógio para conseguir uma solução antes do fechamento das inscrições para a disputa da Libertadores.

Foi aí que surgiu o senso de oportunidade do São Paulo, que conseguiu o empréstimo de Maicon junto ao Porto. Não se tratava de um jogador encostado. Maicon era capitão do clube português, mas viveu um inferno astral e ficou sem condições de continuar no Dragão.

Recuperado de uma lesão na coxa esquerda, o defensor retornou aos gramados em fevereiro deste ano. Em uma partida diante do Arouca, em casa, Maicon errou na saída de jogo e foi desarmado. Ao invés de correr atrás do adversário, desabou em campo, levando a mão à coxa. A atitude foi duramente criticada pela imprensa portuguesa, assim como por ex-jogadores portistas. Para piorar a situação, a esposa e o irmão do zagueiro questionaram publicamente o departamento médico do time luso, alegando falhas no tratamento.

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Não havia clima para o defensor seguir no Porto. Com a janela de inverno já fechada, a solução foi cedê-lo para o São Paulo, que havia acertado pouco tempo antes, também com os portugueses, o empréstimo de Kelvin. Próximo ao prazo final das inscrições para a Libertadores, o Tricolor não conseguiu adicionar ao contrato duas cláusulas que lhe fizeram falta nessa última negociação: valor para compra futura e prolongamento do empréstimo em caso de avanço às fases finais da competição continental.

É inegável o sucesso de Maicon no Morumbi. O zagueiro, que caiu nas graças do torcedor, é um dos pilares do time de Bauza nesta Libertadores. Tem a raça e a determinação que esperavam em… Lugano! E foi por isso que os dirigentes são paulinos apostaram alto em sua permanência.

Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net - Maicon marcou o gol que levou o São Paulo à semifinal da Libertadores

Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net – Maicon marcou o gol da classificação à semifinal da Libertadores

Seis milhões de euros (cerca de R$22 milhões) é um valor alto para um zagueiro, fora da realidade do futebol brasileiro. Ainda mais se levarmos em conta a idade do atleta. Dificilmente o São Paulo conseguirá recuperar o valor investido com uma nova venda. Além disso, abriu mão da metade do dinheiro que receberá em uma possível transferência de Lucão ou Inácio no futuro.

Desde fevereiro os cartolas tricolores sabiam que o contrato se encerraria agora. Poderiam ter encontrado uma outra opção. Sem alternativa e às vésperas da semifinal da Libertadores, negociaram com a faca no pescoço e precisaram abrir o cofre para assegurarem a permanência de Maicon.

O São Paulo, literalmente, paga caro pelo erro na montagem do elenco atual. Se lá atrás, ao invés de trazer Lugano, tivesse investido em uma contratação e não no reencontro com a história, poderia ter resolvido o problema defensivo sem precisar investir R$22 milhões.

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.