Contratação de Lopetegui reforça estilo de jogo da Espanha

  • por Elcio Mendonça
  • 2 Anos atrás

Do tradicional 4-3-3 holandês à velocidade e verticalidade da “nova” Alemanha, há times e seleções que prezam por um estilo, moldando a sua identidade através de uma filosofia de jogo. Nesse cenário, é impossível falar do Barcelona e não pensar em uma proposta que valorize a posse de bola e uma postura ofensiva, por exemplo.

E foi justamente o Barça quem influenciou o salto da seleção espanhola na virada da última década, conquistando duas Euros e uma Copa do Mundo. O surgimento do “tiki-taka”de Guardiola, que revolucionou o futebol mundial, naturalmente chegou à Roja, recheada de jogadores do clube catalão.

O tempo passou, Pep já está em seu segundo clube desde que deixou o Nou Camp, o próprio Barcelona mudou um pouco sua característica, mas a Espanha continua fiel ao estilo. Segue como um time que gosta de ter a bola nos pés e usa isso como proposta de jogo, apostando nas triângulações e com uma defesa alta, compactando ao máximo a faixa de campo em que se pode jogar.

Foto: Divulgação/RFEF - Treinador basco assinou por dois anos com a Roja

Foto: Divulgação/RFEF – Treinador basco assinou por dois anos com a Roja

A contratação de Julen Lopetegui, que chega para substituir Vicente Del Bosque, sinaliza claramente o desejo pela manutenção desse estilo. O basco de 49 anos é conhecido por montar suas equipes de maneira bem parecida com o Barça de Guardiola. Foi assim nas seleções de base da própria Fúria, aonde trabalhou entre 2010 e 2014, conquistando os Europeus sub 19 e sub 21, ou no Porto, seu último trabalho.

Nos Dragões, Lopetegui sofreu justamente por tentar implantar tal filosofia, que era uma novidade para o clube. Montou um elenco à sua maneira, bastante recheado por espanhóis, e conseguiu colocar em prática o seu modelo de futebol, que esbarrou muitas vezes na falta de objetividade em um time pouco vertical, principalmente diante de times pequenos na Liga Portuguesa.

Sem títulos no Porto, viveu o seu melhor momento na temporada 2014/15, levando a equipe às quartas de final da UEFA Champions League, com direito a uma vitória por 3 a 1 sobre o Bayern no jogo de ida. A falta de repertório, por sua vez, cobrou o seu preço justamente na partida de volta. Com um time acostumado a ter a bola nos pés, Lopetegui não conseguiu segurar os bávaros e perdeu por 6 a 1 na Allianz Arena. Foi demitido no início deste ano, após uma temporada e meia à frente dos lusos.

Além do perfil, o basco tem a seu favor o fato de ter trabalhado na base da Roja. Conhece de perto boa parte dos jogadores espanhóis e tem experiência em lidar com jovens atletas, o que será muito importante em uma seleção que já mostra não ter o mesmo “fôlego” de 2012.

Seu primeiro desafio será chegar sem sustos à Copa da Rússia, em um grupo que também terá a Itália como protagonista. Além da dupla, Albânia, Israel, Liechtenstein e Macedônia completam a chave. Apenas o primeiro colocado terá vaga direta, enquanto o segundo (exceto o pior entre os nove grupos) irá à repescagem.

Lopetegui terá na Espanha a chance de se redimir após a passagem nos Dragões. A Roja, por sua vez, encontrou alguém que se identifica com o seu estilo. Uma união interessante, justamente em um momento aonde se discute qual a real importância da posse de bola…

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.