Egoísmo da CBF prejudica o Brasileirão

  • por Elcio Mendonça
  • 3 Anos atrás
Foto: Rafael Ribeiro/CBF - Gabriel é um dos 3 jogadores que desfalcarão o Santos

Foto: Rafael Ribeiro/CBF – Gabriel é um dos 3 jogadores que desfalcarão o Santos

Imagine que você é o organizador de um campeonato. Provavelmente gostaria que as equipes envolvidas na disputa pudessem contar com o melhor time possível, certo? Não se você for a CBF. Para a entidade máxima do futebol nacional, que também divide as suas atenções com a Seleção, os clubes estão em segundo plano.

Aliás, dizer que a Confederação divide a gestão é exagero. A menina dos olhos é a equipe canarinho, com seus contratos milionários. Nenhuma seleção nacional fatura tanto com marketing como a brasileira. Sem falar na boa estrutura que o time verde amarelo tem. Algo para se elogiar, sem dúvida alguma, pena que essa não é a realidade do Campeonato Brasileiro.

A CBF não cuida do Brasileirão como um “produto premium”. Basicamente entrega tudo, dos contratos de TV às placas de publicidade, à emissora detentora dos direitos de transmissão. Sem uma gestão que cuide do campeonato como um todo, o Brasileiro fica distante dos principais torneios do mundo.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF - Destaques do Brasileirão, Gabriel Jesus (esq) e Luan vão ao Rio 2016

Foto: Rafael Ribeiro/CBF – Em alta no Brasileirão, Gabriel Jesus (esq) e Luan vão ao Rio 2016

A partir de hoje seis clubes da Série A (Atlético Mineiro, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos e São Paulo) e um da Série B (Vasco da Gama) estarão desfalcados por até seis rodadas devido à convocação para os Jogos Olímpicos, um exemplo de como a confederação nacional enxerga os clubes locais. Dos 18 atletas chamados por Rogério Micale, 13 atuam no país, sendo que 12 deles são titulares em seus respectivos clubes.

O Santos é o maior prejudicado, perdendo três titulares: Zeca, Thiago Maia e Gabigol. O Palmeiras, por sua vez, não contará com Gabriel Jesus, o principal destaque do Brasileirão até agora, e Fernando Prass, grande liderança da equipe. O Grêmio não fica atrás, desfalcado de Walace e Luan. Atlético Mineiro (Uilson e Douglas Costa) e Internacional (Willian e Rodrigo Dourado) também tiveram dois atletas convocados, enquanto São Paulo (Rodrigo Caio) e Vasco (Luan) precisarão lidar com a ausência de um titular.

É compreensível a sede brasileira pelo inédito ouro, ainda mais por organizar os Jogos Olímpicos, mas há uma super-valorização do torneio, que não passa de uma competição de base. Nenhuma seleção virá ao Rio de Janeiro com força total, uma vez que muitos clubes europeus vetaram convocações. Vale lembrar que não se trata de um torneio FIFA, então não há a obrigatoriedade da liberação dos atletas.

Foto: Divulgação - O Benfica não liberou Ederson para defender a Seleção

Foto: Divulgação – O Benfica não liberou Ederson para defender a Seleção

Então por que os times brasileiros não fazem o mesmo? Existe um receio de retaliações por parte da CBF, tanto que nenhum clube sequer cogitou vetar algum jogador. Ninguém quer virar alvo da vingança da entidade máxima do futebol nacional. Aí, então, deveria entrar em cena o bom senso, equilibrando os interesses da seleção e dos clubes. Mas esperar o que de quem elabora um calendário que sequer respeita as datas FIFA?

Não são apenas os clubes que perdem com isso. O futebol brasileiro perde como produto. Você não precisa ser palmeirense para gostar de ver o Gabriel Jesus ou ser santista para se encantar com Gabigol. Depois não reclamem de serem obrigados a assisti-los apenas pela televisão, com a camisa de algum gigante europeu…

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.