EURO2016: Cinco motivos para crer que Portugal irá à final

  • por Elcio Mendonça
  • 3 Anos atrás

Foto: Divulgação/UEFA – Quaresma cobrou o pênalti que selou a classificação à semifinal

Portugal chega a mais uma semifinal de Euro, a quinta em sua história, com um time que se encaixou durante a competição continental.

Após uma primeira fase abaixo da crítica, que lhe rendeu o terceiro lugar em um grupo com Hungria, Islândia e a eliminada Áustria, o time de Fernando Santos ganhou corpo.

Passou pela Croácia (que venceu um grupo que tinha a Espanha como cabeça de chave), considerada como a “sensação” da primeira fase e dona de um meio campo de impor respeito, com Modric, Rakitic e Perisic, nas oitavas de final.

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Na sequência foi a vez de eliminar na decisão por pênaltis a Polônia, que, por exemplo, somou o mesmo número de pontos da Alemanha em uma chave que também tinha Irlanda do Norte e Ucrânia. Pepe e companhia conseguiram segurar o bom ataque polaco, liderado por Lewandowski e Błaszczykowski.

PORTUGAL-SEMIS

Agora, a Seleção das Quinas terá pela frente Gales, que faz história em sua primeira participação na Euro. Mais do que um encontro entre Cristiano Ronaldo e Gareth Bale, o duelo colocará frente a frente duas escolas diferentes.

É bem verdade que cinco empates trouxeram Portugal a esta partida, que promete ser a mais dura em solo francês, mas há bons motivos para se acreditar na segunda classificação dos lusos à final da competição em toda a história.

1-PESO

Foto: Daily Mail – Desde a Euro 2000, Portugal chegou quatro vezes à semifinal

Nas últimas cinco edições da Euro, Portugal chegou à semifinal em quatro delas, o melhor retrospecto entre todas as seleções do Velho Continente no período. Para efeitos de comparação, a Alemanha, que se classificou para oito semis em toda a história, nos últimos cinco torneios só ficou entre os quatro melhores em três oportunidades e foi eliminada duas vezes na fase de grupos.

A Seleção das Quinas chegou à fase final da Euro em sete edições, ficando sempre entre os oito melhores. Foi à final em uma oportunidade, chegou à semifinal em quatro e parou duas vezes nas quartas de final.

Um bom retrospecto, sem dúvida alguma, e que poderá fazer a diferença diante de uma equipe estreante na competição continental.

2-COLETIVO

Seleção portuguesa cresceu ao longo da competição (Foto: Francisco Paraíso/FPF)

Seleção portuguesa cresceu ao longo da competição (Foto: Francisco Paraíso/FPF)

Ao contrário dos antecessores Paulo Bento e Carlos Queiroz, Fernando Santos apostou na montagem de um time mais coletivo, tirando um pouco do peso que Cristiano Ronaldo carrega nas costas.

É claro que o jogador do Real Madrid é a estrela da companhia, mas hoje Portugal tem mais opções para quando CR7 não está nos seus melhores dias, como aconteceu diante da Polônia, por exemplo.

Os lusos alternam entre o 4-1-4-1 e o 4-4-2 em duas linhas, sempre com Ronaldo no comando de ataque. Além de segurar a defesa adversária, tal formação dá mais liberdade para o setor de criação.

3-COZINHA

Foto: Divulgação/UEFA – Pepe esteve impecável diante do bom ataque polonês

Fernando Santos sempre foi visto com um técnico pragmático, montador de boas defesas. Tanto que antes de assumir Portugal levou a Grécia às oitavas de final da última Copa.

Nas Eliminatórias para a Euro, os verde-encarnados sofreram apenas quatro gols em oito jogos. Na fase de grupos tudo corria como o previsto até o jogo contra a Hungria, quando um furacão passou pela defesa, em uma partida que terminou 3 a 3.

O empate fez Santos mudar praticamente toda a linha defensiva. Na direita, Cédric pegou a vaga de Vieirinha, enquanto no miolo de zaga José Fonte substituiu Ricardo Carvalho. Por fim, na esquerda Raphael Guerreiro garantiu a titularidade que antes era de Eliseu.

As mudanças surtiram efeito. Em 240 minutos jogados no mata mata, Portugal sofreu apenas um gol. Vale ressaltar também Pepe, com grandes atuações diante de Croácia e Polônia.

4-MIUDO

Renato Sanches tem sido uma das principais armas lusas nesta Euro. (Foto: Divulgação/FPF)

Renato Sanches tem sido uma das principais armas lusas nesta Euro. (Foto: Divulgação/FPF)

A sensação de Portugal nesta Euro é Renato Sanches. Do time B do Benfica a uma transferência para o Bayern por 35 milhões de euros em sete meses, o meio campista é um dos destaques da competição. Foi eleito o melhor em campo nas duas últimas partidas. Além de ter marcado o gol do empate com a Polônia, teve 12 desarmes bem sucedidos no jogo, um recorde nesta edição do torneio.

Típico centro-campista box to box, o “Miúdo das Rastas”, como foi apelidado em Portugal, tem grande importância na armação das jogadas e pode fazer a diferença diante dos galeses.

5-PROFESSOR

Foto: Divulgação/UEFA – Fernando Santos segue invicto em jogos oficiais com Portugal

Portugal não perdeu um jogo oficial desde que Fernando Santos assumiu a seleção no final de 2014. São 12 partidas, com sete vitórias e cinco empates. Curiosamente, todos os triunfos aconteceram nas Eliminatórias para a Euro.

Já a invencibilidade do treinador é ainda maior, chegando a 15 duelos, já que não perdeu nos últimos três encontros da Grécia no último Mundial, com uma vitória (Costa do Marfim) e dois empates (Japão e Costa Rica). A última derrota dos lusos aconteceu na estreia do Qualificatório, diante da Albânia, em casa. Já o último revés de Santos foi na primeira rodada da Copa, contra a Colômbia.

DESAFIO

Craque ainda não jogou tudo que pode nesta Euro (Foto: @UEFAEURO)

Craque ainda não jogou tudo que pode nesta Euro (Foto: @UEFAEURO)

As semifinais da Euro chegaram e o mundo ainda não viu uma atuação daquelas de Cristiano Ronaldo na competição. Em que pesem os dois gols marcados contra a Hungria, na última partida da fase de grupos, o astro não conseguiu render aquilo que costuma mostrar a serviço do Real Madrid.

O fraco desempenho do capitão português certamente ajudou a mostrar a força da coletividade da equipe montada por Fernando Santos. Mas sua vaidade não lhe perdoará caso deixe esta Eurocopa – que pode ser sua última – dando brechas para seus detratores ecoarem as velhas críticas de que ele não consegue render pela Seleção das Quinas.

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.