O Flamengo e a eterna busca pelo 10

  • por Elcio Mendonça
  • 3 Anos atrás
Foto: Divulgação/Flamengo - Diego chega à Gávea como reforço de peso

Foto: Divulgação/Flamengo – Diego chega à Gávea como reforço de peso

Existe no futebol brasileiro uma mística em torno do camisa 10. Aquele jogador habilidoso que é o dono do time, o responsável pela criação das jogadas ou por levantar a galera. Impossível não olhar para a 10 da Seleção ou do Santos e não lembrar de Pelé, assim como não dá para ver a 10 rubro-negra e não pensar em Zico.

E é justamente o Flamengo quem parece sentir mais falta desse meia. Há um bom tempo o time da Gávea busca por alguém com esse perfil. A 10 hoje é vestida por Ederson, que chegou com moral, mas não tem esse perfil. Depois a esperança foi depositada no argentino Mancuello, que também não costuma desempenhar tal função, embora tenha sido escalado como meia armador nas últimas partidas.

A bola da vez é Diego, que acaba de trocar o Fenerbahçe pelo Mengão. Com status de reforço de peso, o antigo “Menino da Vila” era um velho sonho flamenguista e chega com alto salário, no mesmo patamar do peruano Paolo Guerrero. Um investimento pesado para empolgar uma torcida que sonha em ter “o meia” no time.

https://www.youtube.com/watch?v=cBWfb-MgAk0

Mas Diego é esse camisa 10? Ele surgiu como meia no Santos campeão brasileiro em 2002, o grande articulador do time de Emerson Leão. Foi nessa função que se destacou no futebol alemão, com as camisas de Werder Bremen e Wolfsburg, por exemplo, assim como não teve sucesso no Porto, Juventus ou Atlético de Madrid.

Foi titular na maior parte da última temporada pelo Fenerbahçe, mas um pouco mais recuado. No 4-1-4-1 do português Vitor Pereira era o centro-campista pela esquerda. Atuou em 45 jogos, sendo titular em 31 deles. Contribuiu para sete gols, com dois tentos e cinco assistências.

Foto: Reprodução - Diego deverá atuar como o armador central no Fla

Foto: Reprodução – Diego deverá atuar como o armador central no Fla

Independentemente disso, a tendência é que Diego seja o armador centralizado em um possível 4-2-3-1 flamenguista, atuando atrás de Guerrero. Só não se pode esperar aquele meia à moda antiga. Cada vez mais dinâmico e com menos espaço em campo, o futebol exige um 10 diferente, capaz de se movimentar e encostar nos pontas, diminuindo a “distância” do trio ofensivo.

Os bons passadores, porém não tão rápidos, começam a recuar, organizando o jogo um pouco mais de trás. É o que Sampaolli promete tentar fazer com Ganso no Sevilla, por exemplo, o transformando em uma espécie de “novo Pirlo”, mas não imagino o novo reforço rubro-negro atuando assim.

Foto: Divulgação/Flamengo -  Diego terá salário no mesmo patamar de Guerrero

Foto: Divulgação/Flamengo – Diego terá salário no mesmo patamar de Guerrero

Diego teve seu nome em alta por essas bandas nas últimas janelas de transferência, sempre ligado a um possível retorno. Aos 31 anos desembarca na Gávea com a responsabilidade de ser “o cara” em um time sedento por uma boa campanha no Brasileirão.

Uma aposta alta, sem dúvida alguma, mas compreensível em um mercado carente de opções…

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.