Palmeiras e o peso da vitória longe de casa

  • por Elcio Mendonça
  • 3 Anos atrás
Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/ Divulgação - Gabriel Jesus mais uma vez jogou como falso 9

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação – Gabriel Jesus mais uma vez jogou como falso 9

Seja pela qualidade do elenco ou pelo bom trabalho de Cuca. Seja pelos 28 pontos conquistados em 13 jogos ou pelos 100% de aproveitamento como mandante. O Palmeiras não é líder do Brasileirão por acaso. Fortalecendo ainda mais a expectativa que rondava o Allianz Parque antes do campeonato começar, o Verdão se consolidou como candidato real ao título.

Mas não existe um campeão que só vença em casa. Por melhor que seja o desempenho em seus domínios, não se pode contar com um rendimento perfeito durante uma longa competição como a Série A. Por isso a vitória sobre o Sport, na Ilha do Retiro, tem grande peso para o Alviverde.

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Nem tanto pelo adversário. O time pernambucano está na zona de rebaixamento. Até tem bons jogadores, mas não um bom time. No papel a expectativa era de um desempenho melhor, mas o que se vê dentro de campo é que terá dificuldades na luta contra o descenso.

O Palmeiras, obviamente, não tem nada a ver com isso. Saiu do Recife com os três pontos na bagagem e o sentimento de que encontrou a sua maneira de jogar como visitante.

No Allianz, claramente há um estilo imponente de jogo, baseado na intensidade, em se posicionar no campo adversário e forçá-lo a errar. Isso, é claro, sempre com a maior velocidade possível.

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/ Divulgação - Futebol de Moisés cresceu com a chegada de Cuca

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação – Moisés cresceu com a chegada de Cuca

Longe de casa é inviável atuar sempre assim. Cuca chegou a apostar em um marcação mais baixa, chamando o adversário para o seu campo e depois contra atacar. Longe do setor ofensivo, a transição não funcionou. Também optou por um meio mais leve, como nos jogos em casa, mas faltou solidez defensiva.

A solução, então, foi o equilíbrio. Saiu de cena o 4-2-3-1, que deu lugar ao 4-1-4-1. O Verdão se posicionou atrás da linha da bola, mas com uma marcação média. Deu a posse para o adversário sem convidá-lo ao seu terço final de campo. Thiago Santos foi escalado à frente da zaga para proteger a defesa. Foi o melhor “ladrão de bolas” do jogo, com cinco desarmes, 31% do total de acertos palmeirenses no fundamento.

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/ Divulgação - Gol de Cleiton Xavier selou a vitória

Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/ Divulgação – Gol de Cleiton Xavier selou a vitória

Mas a chave da vitória foi a transição para o ataque, com um time leve e veloz. Tchê Tchê e Moisés dominaram o meio, assim como Cleiton Xavier quando entrou no segundo tempo. Sem falar no trio de ataque. Mais uma vez com Gabriel Jesus como “9”, mas não um atacante fixo, o Verdão teve muita mobilidade. Destaque também para Roger Guedes e Erik, que entrou muito bem no lugar de Dudu.

A postura palestrina também foi outra. Mesmo após sofrer o empate, não se abateu. Seguiu fazendo o seu jogo e foi recompensado com a vitória. Ainda tem chão para o fim do Campeonato Brasileiro, mas o Palmeiras parece saber qual caminho escolher. O desafio, agora, é percorrê-lo até o final.

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Jornalista pós graduado em Gestão Aplicada ao Esporte e um doente por futebol. Trabalha atualmente como gerente executivo de esportes na RedeTV! e já passou por Esporte Interativo, Náutico, Portuguesa e Santo André.