O cheiro de napalm pela manhã

  • por Nilton Plum
  • 2 Anos atrás
ZR

Zé Ricardo sabe que o brasileirão é ganho jogo a jogo.

A cena é uma das mais emblemáticas do cinema na obra-prima “Apocalipse Now”, de Francis Ford Copolla: o comandante do regimento de cavalaria (que na verdade são helicópteros) do exército norte-americano, metodicamente interpretado por Robert Duvall, fala tranquilamente para alguns soldados enquanto bombas, tiros, fogo e morte se espalham ao seu redor. Ele está completamente à vontade porque é cria da guerra. Cresce e sobrevive da guerra. Seu lugar é o caos. Sua tranquilidade subverte o desespero natural das cenas de batalha e quase resvala na arrogância. Ele é, ali, a forma caricatural estadunidense: Poder e certeza de vitória. No auge de seu pequeno monólogo ele cita:

“Eu adoro o cheiro de napalm pela manhã (…) Cheira à… vocês sabem…Vitória.”

Existe um cheiro que impregna o ar ao fim do primeiro turno do brasileirão.

Mais do que nunca, na era da comunicação de massa, a palavra redobra o seu poder. O torcedor rubro-negro sabe disso quase de maneira inconsciente e repete um mantra, um slogan, um meme. Todos, absolutamente todos, sabem que é um campeonato difícil, equilibrado, imprevisível e longo. Restam mais 19 longos jogos. Qualquer coisa pode acontecer, mas lá está o rubro-negro, crescido no caos, resvalando na arrogância, emanando felicidade e autoconfiança, partes saborosas de ser torcedor, proferindo a palavra para que talvez, apenas talvez, ela se concretize num futuro. O cheiro que ele sente pela manhã é de vitória.

Cada tipo de campeonato tem a sua beleza particular: O mata-mata tem suas viradas, sua imprevisibilidade, sua agonia emergencial. O campeonato de pontos corridos é uma sinfonia. Sua plena execução depende de afinação impecável. É decidido nos detalhes e foram estes detalhes que tornaram a liderança do Flamengo, ao final do primeiro turno, efêmera. Do penal perdido no último minuto contra o São Paulo, passando pelos gols “entregues” no Fla x Flu, até os empates com Botafogo e Santos. 4 jogos, 3 pontos em 12.

O que seria do torcedor do Flamengo se 9 pontos fossem conquistados nestes jogos? A tabela de pontos corridos não permite a existência do “se”. É a beleza do campeonato decidido em detalhes. O futebol e a vida têm destas coisas. Afinal, de nada valeu a autoconfiança do comandante americano do filme. Os EUA perderam aquela guerra.

Diego

Seria Diego a “arma secreta” pra consolidar a boa campanha rubro-negra? Que técnico dispensaria esta “dor de cabeça” com um meio com Diego, Mancuello e Alan Patrick?

Comentários

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