Quartas de Finais da Champions League: Atlético de Madrid x Leicester City

Naquele que se apresenta como o encontro mais tático das Quartas de Finais da UEFA Champions League, os treinadores Diego Simeone e Craig Shakespeare certamente terão dificuldades para encontrar espaços e provocar erros defensivos. Gols não deverão ser muitos e são esperados jogos muito estudados.

Como vem o Atleti?

No lado Colchonero da disputa, o momento é animador. Desde o final de fevereiro, quando enfrentou o Barcelona, o Atlético de Madrid não perde no Campeonato Espanhol. No período, disputou sete partidas, empatando duas, vencendo cinco e sofrendo apenas três gols. Além disso, vindo de empate alcançado no apagar das luzes contra o rival e líder da competição, Real Madrid, o alvirrubro chega com moral à disputa contra o atual Campeão Inglês.

A principal força da equipe segue sendo sua retaguarda, a melhor de La Liga. No setor, o montenegrino Stefan Savic se encaixou com perfeição com o experiente Diego Godín, grande referência e capitão da equipe; Juanfran e Filipe Luís seguem completando a primeira linha de marcação do Atleti.

Saúl será peça importante no meio Colchonero (Foto: Divulgação/ Atlético de Madrid)

Sem Nico Gaitán, Tiago e Kevin Gameiro, todos lesionados, a equipe escolhida por Simeone não deverá fugir muito do tradicional 4-4-2, há tempos utilizado por Cholo. Assim sendo, Gabi, Koke, Saúl e Ferreira Carrasco devem compor a linha de meio-campistas, com Antoine Griezmann, novamente em grande fase (tem seis gols nos últimos sete jogos no Espanhol), e Fernando El Niño Torres no ataque.

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A tônica do jogo madrileno não mudou com relação àquela dos últimos anos. Após superar certa inconsistência que marcou o início da temporada, os Colchoneros voltaram a encerrar com perfeição os espaços existentes entre seus setores, sempre marcando com muitos jogadores e linhas compactas. Uma vez recuperada, a bola rapidamente procura a velocidade de Carrasco e Griezmann e, consequentemente, chega ao gol adversário.

Griezmann é a grande arma ofensiva do Atleti (Foto: Divulgação/ Atlético de Madrid)

É curioso pensar como o time se estruturará para enfrentar outra equipe que baseia seu jogo na entrega da posse de bola ao adversário, contando com a rápida recuperação dela e sua rápida destinação aos jogadores mais letais e velozes, no caso do Leicester, Riyad Mahrez e Jamie Vardy.

É previsível que Gabi, Koke e Saúl (os dois últimos alternando posições) tenham papel importante na partida, gerindo a bola e provocando as movimentações de Carrasco, Griezmann e Torres, que como dificilmente se verão em muitas situações de contragolpe, terão que participar mais da construção e rotação da bola. Na técnica, o Atlético de Madrid é mais time que o Leicester, porém tendo que tomar as rédeas da partida poderá sofrer com o choque de estilos semelhantes.

Atletico de Madrid vs Leicester - Football tactics and formations

O que esperar dos Foxes?

Igualmente, equipe que, desde os tempos em que foi comandada por Claudio Ranieri, notabilizou-se pela qualidade de sua reação às ações adversárias, o Leicester City vive bom momento na temporada, sem dúvidas seu melhor.

Desde a chegada do jovem volante nigeriano Wilfred Ndidi, o meio-campo ganhou estabilidade e a equipe desempenho. Embora o marco da evolução dos Foxes tenha sido de fato a saída do treinador italiano, já era possível acompanhar certa evolução nas últimas semanas sob o comando do campeão inglês. Nos últimos seis jogos que disputou na Premier League, venceu cinco e perdeu um.

A tônica do jogo do Leicester segue sendo a mesma da vitoriosa temporada 2015/16: a entrega da bola ao adversário, sua recuperação e o veloz contra-ataque. O 4-4-2 ainda é o esquema tático padrão, mas, diferentemente do último ano, o time não tem tido uma escalação absoluta.

Ndidi vem jogando muito bem (Foto: Divulgação/ Leicester City)

No ataque, Shinji Okazaki e Islam Slimani disputam uma vaga ao lado de Jamie Vardy, que vive bom momento na temporada (seis gols e duas assistências nas últimas seis partidas). Na prática, embora os estilos de japonês e argelino sejam distintos, muda muito pouco. A referência segue sendo Vardy, que vê seu companheiro participar mais da marcação e recomposição defensiva, enquanto aguarda a recuperação da bola para ser lançado em velocidade.

No entanto, Riyad Mahrez faz temporada irregular. De seu talento ninguém duvida e o jogador continua sendo a arma mais perigosa do time, mas o brilhantismo da última temporada não tem sido visto. Ainda na criação, uma dúvida se consolidou durante o presente ano: Demarai Gray ou Marc Albrighton? O primeiro é alternativa mais veloz e com o recurso do drible, o segundo é coletivamente mais útil, tendo importante função nos cruzamentos.

Contra uma equipe com o perfil do Atleti (que acaba entrando com certo favoritismo), o mais lógico é a utilização de Albrighton, dando mais liberdade a Mahrez e equilíbrio ao time, mas não seria de se espantar a titularidade de Gray.

De resto, os Foxes devem ir a campo com escalação padrão: Kasper Schmeichel no gol, Danny Simpson e Christian Fuchs nas laterais, Robert Huth e Yohan Benalouane (Wes Morgan é baixa praticamente certa, lesionado) no miolo de zaga e a dupla Danny Drinkwater e Ndidi na contenção.

Vardy segue sendo referência (Foto: Divulgação/ Leicester City)

Na prática, os ataques do time se iniciam com bolas vindas de seus volantes e contam com a velocidade de seus pontas e atacantes; já a defesa se organiza com linhas muito próximas, quase em um 4-4-1-1, apenas com Vardy à frente, esperando um contra-ataque.

Como o Atlético apresenta média de apenas 49% de posse de bola em La Liga e o Leicester 46% na EPL, é difícil imaginar qual quadro se apresentará nas partidas. No entanto, diante da maior qualidade e capacidade técnica dos espanhóis, é provável que lhes caiba a iniciativa do jogo, deixando o Leicester à vontade para reagir. Todavia, sendo o setor defensivo alvirrubro muito forte, os Foxes terão que potencializar ao máximo suas oportunidades, que deverão ser poucas.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no O Futebólogo, no Chelsea Brasil e na Corner.

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