Será mesmo que a Ponte Preta nunca ganhou um título?

  • por Lucas Sartorelli
  • 6 Meses atrás

 

A Ponte Preta joga neste domingo a primeira partida de uma decisão que pode marcar sua história. Depois de eliminar Santos e Palmeiras de forma surpreendente, a tradicional Macaca mede forças contra o Corinthians no estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, e tenta acabar de vez com a sina da eterna seca de títulos, muito utilizado por torcedores rivais para desmoralizar o clube que completa 117 anos em 2017.

Mas será que o deboche tem fundamento? O mais antigo clube em atividade de São Paulo nunca comemorou um título?

Não é bem assim.

Engana-se quem pensa que a torcida alvinegra de Campinas jamais teve o privilégio de ver seu time levantar uma taça no futebol profissional.

Na noite de 31 de outubro de 1969, uma sexta-feira, a Ponte Preta sagrou-se campeã da divisão de acesso do campeonato paulista.

Enfrentou algum dos clubes do chamado trio de ferro de São Paulo? O Santos de Pelé?

Não.

Mas somado a clubes já extintos, equipes tradicionais do interior do estado (alguns, inclusive figurando atualmente na série A1) disputaram o torneio.

Há 48 anos, quando a elite do Paulistão era chamada de “Divisão de Honra” e o torneio de acesso tinha o nome de “Primeira Divisão”, a Ponte terminou campeã do que hoje seria equivalente à disputada série A-2 do estadual.

Mais do que gritar “é campeão”, a conquista possibilitou aos campineiros encerrar uma série sombria e dramática de 9 anos na divisão inferior, o maior período atravessado pelo clube nessa situação.

Após um doloroso rebaixamento em 1960, a guerra para a volta à elite se iniciou no início da década e só foi se concretizar quase 10 anos depois, o que exaltou ainda mais os festejos pelo êxito alcançado.

O torneio foi dividido em duas etapas: classificação e fase final. A fase de classificação, com turno e returno, contou com duas séries. Os dois primeiros colocados de cada grupo disputariam o quadrangular final no estádio Parque Antárctica, resultando no clube campeão. Na época, apenas uma equipe conquistava o acesso. A Macaca, que estava na série A, terminou a fase classificatória de forma invicta, com 11 vitórias e um empate.

Ponte Preta na fase classificatória

Ponte Preta 1×0 Saad (São Caetano do Sul)
Nacional (São Paulo) 0x1 Ponte Preta
Ponte Preta 3×1 Vasco da Gama (Americana)
São Carlos (São Carlos) 0x1 Ponte Preta
Ponte Preta 2×0 Noroeste (Bauru)
União Barbarense (Sta. Bárbara d’Oeste) 0x2 Ponte Preta
Ponte Preta 1×1 União Barbarense (Sta. Bárbara d’Oeste)
Saad (São Caetano do Sul) 1×4 Ponte Preta
Ponte Preta 2×0 São Carlos (São Carlos)
Vasco da Gama (Americana) 1×3 Ponte Preta
Ponte Preta 2×1 Nacional (São Paulo)
Noroeste (Bauru) 0x2 Ponte Preta

Assim, a Ponte se juntou a Noroeste, Francana e Linense para a disputa que levaria apenas um time ao acesso e consequentemente, ao título.

Ponte Preta no quadrangular final

Ponte Preta 3×1 Linense (Lins)
Ponte Preta 3×0 Noroeste (Bauru)
Ponte Preta 1×3 Francana (Franca)

Classificação final

1º) PONTE PRETA – 6 PONTOS
2º) Francana – 5 pontos
3º) Noroeste – 4 pontos
4º) Linense – 1 ponto

Foto: Reprodução – Em pé: Teodoro, Wilson, Samuel, Henrique, Nelsinho e Santos. Agachados: Alan, Dicá, Manfrini, Roberto Pinto e Ézio

  • Em 15 jogos, foram 13 vitórias, um empate e apenas uma derrota, num incomum aproveitamento de 89% dos pontos disputados.
  • Conhecido como “Expresso da Vitória”, a base do time campeão era quase toda formada por jovens revelados nas categorias de base do clube, entre eles um habilidoso meia de nome Dicá, que fazia sua estreia no elenco principal e se tornaria o maior jogador da história da Associação Atlética Ponte Preta.
  • O lateral direito Nelsinho Baptista, que integrava o elenco, após o encerramento da carreira de jogador, voltaria ao clube em mais três passagens, dessa vez como técnico.
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Paulistano, projeto de jornalista e absolutamente ligado a tudo o que envolve essa arte chamada futebol, desde a elegante final de uma Copa do Mundo às peculiaridades alternativas das divisões mais obscuras de nosso amado esporte bretão. Frequentador assíduo nas melhores (e piores) várzeas e peladas de fim de semana, sempre à disposição para atuar em qualquer posição.