A ascensão de Julian Nagelsmann

  • por Lucas Sousa
  • 7 Meses atrás

Era julho de 1987 e o Hoffenheim vivia o maior momento da sua história. O clube do sudoeste da Alemanha alcançava sua melhor colocação em 88 anos de existência: o 5º lugar na Kreisliga A, uma liga regional que, à época, equivalia a oitava divisão. A cerca de 300 quilômetros dali a pequena Landsberg am Lech, belíssima cidade de traços medievais localizada na região sul, recebia mais um habitante, o qual a família Nagelsmann daria o nome de Julian.

A partir de então se deram duas ascensões admiráveis. O Hoffenheim engatou uma série de promoções, conquistou seis títulos e saiu do oitavo escalão nacional para o primeiro em apenas 20 anos. Nagelsmann entrou para o futebol e se destacou como treinador precoce, sendo o mais novo a ocupar o cargo em toda história da Bundesliga.

Unidos por crescimentos rápidos, os caminhos de ambos se cruzaram para mais uma façanha: em seu primeiro ano completo no futebol profissional, Julian levou os azuis de Sinsheim a inédita disputa da Liga dos Campeões e faturou o prêmio de técnico do ano na Alemanha. Mas essa história começou bem antes do início da temporada.

De jogador frustrado a Baby Mourinho

Aos 14 anos Julian Nagelsmann deixou Landsberg am Lech para tentar a carreira de jogador de futebol. Foi jogar nas categorias de base do Augsburg, um dos maiores da Baviera e o mais próximo da sua cidade natal. Após um ano partiu para o 1860 Munique e atuou por lá até os 20, quando retornou ao Augsburg, já pelo elenco B. Nessa época o zagueiro Nagelsmann se viu obrigado a encerrar a carreira por sérias lesões no joelho.

Foto: Hoffenheim/Twitter oficial – O zagueiro Nagelsmann contra o atacante Sandro Wagner, seu futuro jogador

Seu último comandante foi Thomas Tuchel (hoje no Borussia Dortmund), a quem ajudou como observador após pendurar as chuteiras. Não foi algo planejado, mas uma solução pragmática para o ex-atleta cumprir seu contrato até o fim. No momento, Nagelsmann não pensava em continuar no futebol e chegou a estudar negócios, mas logo viu que essa não era a carreira certa e decidiu seguir no esporte.

Seu primeiro trabalho no campo foi como auxiliar no sub-17 do 1860 Munique, quando tinha recém completado 21 anos. Neste período, curiosamente, dirigiu Kevin Volland, que mais tarde seria a estrela do sua primeira equipe profissional. Ficou em Munique até 2010 e, finalmente, chegou ao Hoffenheim. Foi auxiliar do sub-17 por duas temporadas até ser convidado para compor a comissão técnica principal, na reta final da temporada 2012/2013.

Não era um bom ano para o clube, que brigava para não cair e estava com seu quarto técnico da temporada, Frank Kramer. Ele próprio ligou para Nagelsmann e o convidou para integrar o corpo técnico. “Quando Frank Kramer ligou, eu tive que rir. Eu não acho que ele estava falando sério. Foi muito bizarro em qualquer caso”, disse Julian Nagelsmann ao site Spox.com.

Foto: Hoffenheim/Site oficial – Frank Kramer durante sua passagem pelo clube

O time sofreu, mas escapou do rebaixamento direto na última rodada e venceu o Kaiserslautern no playoff de acesso para garantir a permanência na primeira divisão.  Não foi o suficiente para a manutenção de Kramer, demitido ao final da temporada. A experiência de Julian no meio dos profissionais foi curta, porém suficiente para lhe render o apelido de Baby Mourinho, dado pelo ex-goleiro Tim Wiese, e o comando do sub-19 na temporada seguinte.

O ano de 2013/2014 foi o primeiro grande momento do jovem treinador. Seu garotos foram campeões regionais da júnior Bundesliga pela primeira vez e asseguraram a vaga na semifinal nacional, ao lado dos outros vencedores regionais Hannover, Schalke 04 e Wolfsburg. Bateu o Schalke com um magro 1 a 0 no agregado, mas não tomou conhecimento do Hannover na final e levantou o título nacional após golear por 5 a 0. Naquele jogo, Nadiem Amiri, hoje titular do grupo principal, marcou dois gols.

Foto: Hoffenheim/Site oficial – O Hoffenheim sub-19, campeão nacional da temporada 2013/14

Na temporada seguinte, campanha de 20 vitórias e duas derrotas em 26 partidas e mais um título regional. No entanto, o Schalke vingou a eliminação do ano seguinte e conquistou a taça levando a final por 3 a 1. O time caminhava para mais um título regional com 12 vitórias em 15 jogos, quando o excelente trabalho de Nagelsmann na base do clube foi interrompido em fevereiro de 2016. Ele já havia feito muito pelos meninos, agora recebia o chamado para o elenco principal.

Arte: Doentes por Futebol – O desempenho de Julian Nagelsmann na base do Hoffenheim

Chegada ao time principal

A situação não era boa quando o técnico mais jovem da história da Bundesliga começou sua caminhada. O Hoffenheim era o vice lanterna e estava a sete pontos de se salvar sem precisar do playoff de rebaixamento. Havia 14 rodadas pela frente e um calendário ingrato reservado para o precoce treinador.

Borussia Dortmund (2º), Herta Berlim (3º), Schalke 04 (4º), Borussia Monchengladbach (6º) e Mainz (7º) visavam a Liga dos Campeões, enquanto Wolfsburg (8º) e Colônia (9º) ainda corriam pela Liga Europa. Além disso, as batalhas mais importantes ainda estavam para acontecer, já que os últimos seis colocados seriam adversários na reta final: Hannover (18º), Werder Bremen (16º), Frankfurt (15º), Augsburg (14º), Hamburgo (13º) e Stuttgart (12º). Pior, apenas o Augsburg seria na Rhein-Neckar-Arena. Nagelsmann teria que buscar pontos na casa dos principais rivais para cumprir sua missão.

Foto: Hoffenheim/Site oficial – Apresentação como técnico do time principal, em fevereiro de 2016

Na estreia, empate em 1 a 1 frente ao Werder, seguidos de vitória contra o Mainz (3 a 2), derrota para o Dortmund (3 a 1) e novo triunfo, agora diante do Augsburg (2 a 1). Em dois jogos dentro de casa, Julian já conseguia igualar as duas vitórias que o time havia conquistado no campeonato. Esse foi o principal fator na heroica recuperação do Hoffenheim. A equipe levou 16 dos 21 pontos que disputou no seu estádio. Além disso, uma sequência de cinco jogos invictos (com quatro vitórias) garantiu um pequeno alívio para as últimas quatro rodadas.

No último dia de campeonato o time de Sinsheim já estava fora de risco. A goleada sofrida para o Schalke por 4 a 1 diante da torcida não foi a melhor forma de se despedir da temporada, mas o trabalho estava feito. Após 14 semanas intensas, Nagelsmann poderia descansar e focar na temporada seguinte.

A temporada de Julian Nagelsmann

O ano começou com baixas importantes para o elenco. Kevin Volland, a estrela do time, estava de malas prontas para se juntar ao Bayer Leverkusen. O meio-campista Tobias Strobl (Borussia Monchengladbach) e os pontas Eduardo Vargas (Tigres) e Jonathan Schmid (Augsburg) também tomaram a porta de saída.

A venda de Volland, na casa dos 20 milhões de euros, deixou algum dinheiro para Julian Nagelsmann gastar. A maior parte dele, aproximadamente 10 milhões, foi para assegurar o atacante Andrej Kramaric em definitivo. O restante foi para aquisições modestas, mas precisas. Sandro Wagner, centroavante de presença no terço final, vinha de uma temporada de 14 gols com a camisa do Darmstadt; o meio-campista Lukas Rupp teve bom ano no Stuttgart, com cinco gols e quatro assistências; Kevin Vogt era um volante/zagueiro muito útil ao Colônia; Benjamin Hübner, titular na zaga do Ingolstadt; e Kerem Demirbay, o maior achado do clube, estava emprestado pelo Hamburgo ao Fortuna Dusseldorf, na segundona alemã. Estas seis aquisições custaram em torno de 23 milhões aos cofres azuis.

Foto: Hoffenheim/Site oficial – Demirbay se tornaria uma das peças mais importantes do time

Com o elenco montado, o Hoffenheim estava preparado para a temporada 2016/2017. Iniciou o Alemão com quatro empates consecutivos e, na sequência, embalou cinco vitórias. A primeira derrota só foi acontecer na abertura do segundo turno, em visita ao RB Leipzig, mas a essa altura a equipe havia mais empatado que vencido (10 E e 7 V).

Embora as partidas de um ponto tenham sido recorrentes na campanha (foram 11), elas deram estabilidade e crescimento constante. Prova disso é que na 12ª rodada a equipe ocupava o 6º lugar e esta foi a sua pior posição até o fim da competição. De lá pra cá variou entre terceiro e quinto, terminando na histórica quarta colocação. Outro fator fundamental da brilhante campanha foi o poderio em casa: 11 vitórias e seis empates. Aquele 4 a 1 do Schalke (em jogo que não valia mais nada) segue sendo o único revés de Julian na Rhein-Neckar-Arena pela Bundesliga.

Arte: Doentes por Futebol – O Baby Mourinho entre seus jogadores: três atletas são mais experientes que o treinador

Os reforços encaixaram, os empates deram pontos valiosos e a fortaleza caseira foi determinante, mas como um clube médio pode trocar a ponta de baixo pela de cima em apenas uma temporada? Para Nagelsmann, tudo começa na cabeça. “Não só fiz com que os jogadores estivessem na sua melhor forma física, desde o jogo contra o (Werder) Bremen, mas também melhorei a consciência deles. E ficou claro na cabeça deles que a gente pode (ganhar). E, se vencêssemos, voltaria a confiança. E assim tudo começou”, disse o treinador em entrevista a Trivela.

Sem conquistar a confiança de cada jogador, nada disso teria acontecido. Afinal, como os atletas acreditariam em um técnico com menos de 30 anos e sem currículo no meio profissional? Para o Baby Mourinho, aí está uma das principais funções do comandante: mostrar aos jogadores que ele pode melhorá-los, como destacou em entrevista ao El País.

“O jogador deve ter o sentimento de que o treinador o faz melhor. Eles devem sentir que há alguém que lhes ensinando coisas novas, que está desenvolvendo-os. O que sempre fazemos e treinar com a bola. Sempre a bola. Isso é o que os jogadores gostam. É um ciclo. Se eles sentem que eu os apoio, eles têm gana para vir treinar”.

É a partir disso que se constrói um grupo vencedor. Não é apenas “injetar confiança”, passar vídeos motivacionais e fazer discursos acalorados minutos antes de subir para o campo, mas o desenvolvimento de um relacionamento treinador-atleta que faz com que este cresça como profissional e passe a confiar mais em si. Assim um Demirbay sai da segunda divisão para a seleção alemã em um ano. Claro que o talento do jogador é imprescindível, é a essência do jogo e sem ele não se produz muito, mas é função primordial do comandante fazer o jogador evoluir, canalizar seu potencial e mantê-lo confiante.

Foto: Bundesliga/Site oficial – Julian Nagelsmann recebe o prêmio de treinador do ano de 2016

Adam Szalai demonstrou isso falando ao site da Bundesliga, antes de viajar para enfrentar o Borussia Dortmund. “Desenvolvemos um bom senso de autoconfiança nesta temporada. Se você olhar para os nossos jogos, pode reconhecer rapidamente em nossa linguagem corporal como vamos abordar os próximos jogos. Não precisamos nos esconder em Dortmund. Queremos impor nossa maneira de jogar e implementar o plano do treinador”. E não é um titular absoluto falando isso, mas o atacante reserva (bastante útil, é verdade) que começou jogando apenas sete vezes.

Outro que ratificou o relacionamento de Nagelsmann com o elenco foi o zagueiro Benjamin Hubner. “Julian é um verdadeiro especialista com uma ideia muito clara de futebol. Mas isso não é novidade. Ele também tem um relacionamento muito bom com o elenco e com cada jogador. Ele gerencia para manter os jogadores motivados mesmo quando eles não estão jogando muito. E isso é uma grande vantagem”.

Arte: Doentes por Futebol – Somente Bayern e Dortmund conquistaram mais pontos que o Hoffenheim desde que Nagelsmann assumiu

Sem dúvidas esse trabalho extracampo de conquista dos jogadores carrega a maior parte do sucesso da temporada 2016/2017. De acordo com o próprio Julian Nagelsmann, cerca de 70%, já que, para ele, ser técnico é “30% tática e 70% competências sociais”. Se os jogadores aprovam sua gestão, o campo comprova seus conhecimentos nos outros 30%.

Como pensa o técnico mais jovem da Bundesliga

“Eu gosto de recuperar a posse rapidamente e ser agressivo, mas jogando com a bola”, disse Nagelsmann em sua coletiva de apresentação no cargo.  A frase sintetiza o que pensa o treinador de 29 anos e caminha na direção da sua grande influência, a Alemanha de 2014. São princípios que norteiam o jogo da sua equipe sempre. São inegociáveis e independentes da formação tática. Porém, como é dever de todo técnico, há de ser levar em conta as características dos jogadores que tem em mãos.

“O mais importante é o tipo de jogador que tem na sua equipe e quais são seus pontos fortes. Tenho princípios básicos e importantes no ataque e na defesa que sempre vou manter. Não importa o exercício no treinamento ou o rival que estamos enfrentando. Tratamos de analisar os oponentes, mas sempre tendo em conta os pontos fortes dos nossos jogadores e meus princípios básicos”. Julian Nagelsmann

E quais são os princípios do treinador mais novo da história da Bundesliga? Defensivamente, seu Hoffenheim parte da forte organização coletiva. Isso é o mais importante. Os 11 jogam como se fossem partes de um grande organismo vivo que se adapta as diferentes situações do jogo.  A partir daí, executa seus três princípios básicos: marcação zonal, pressão e superioridade numérica.

Foto: Hoffenheim/Site oficial – Julian cobra organização de seus jogadores em todas as fases do jogo

Tudo começa na marcação por zona. Julian está preocupado com o espaço, depois com o adversário. Se ele ocupar bem os metros próximos à bola, seu oponente terá dificuldades para jogar. O senso coletivo é fundamental aqui, já que o entendimento completo do sistema é que vai permitir aos jogadores realizar os movimentos certos. Por exemplo: quando alguém deixar sua posição para pressionar, um companheiro vai ter que cobrir o espaço deixado pelo primeiro, e outro pelo terceiro e assim sucessivamente.

Como o time se posiciona para ocupar o espaço, sempre procura ter mais peças naquela região que o adversário. Isso proporciona situações muito favoráveis para recuperar a posse, já que todas as opções de passe estarão fechadas e ainda sobrarão ao menos dois para irem atrás da bola. Partindo do seu 3-5-2 base, o Hoffenheim faz muito isso pelos lados na altura do meio campo. Por ter dois atacantes, naturalmente induz o rival a fazer a saída pela beiradas para depois fechar com superioridade numérica em travar o avanço.

Foto: Hoffenheim/Site oficial – Sob o comando de Nagelsmann, Sule se tornou um dos melhores zagueiros da Bundesliga e já está vendido ao Bayern

Ocupar as proximidades da bola com mais jogadores é fundamental, mas pouco adianta se não houver pressão na bola. Depois de se posicionar para defender a região do campo e colocar mais homens lá, os comandados de Nagelsmann caçam a bola, atacam quem a tem e forçam erros. É obrigatório pensar e jogar muito rápido ou será engolido pelas camisas azuis em poucos segundos.

Sustentado por esses três pilares, a equipe de Sinsheim executa outros conceitos. Gosta do bloco alto para incomodar a saída rival, forçar ligação direta e ganhar ela pelo alto com seu trio de zaga formado por Sule (1,95m), Vogt (1,94m) e Hubner (1,93m). Os jogadores estão sempre próximos, o que tira espaços, facilita coberturas e permite a superioridade numérica. Cortar linhas de passe também é regra para quem está em campo.

Foto: Hoffenheim/Site oficial – O versátil capitão Rudy, mais um já negociado com o Bayern

Isso é, na prática, o que o Julian Nagelsmann quis dizer com “recuperar a posse rapidamente”.  Para “ser agressivo jogando com a bola” o jovem treinador traz outros conceitos.

Primeiro de tudo: se quer jogar com a bola, é preciso desenvolver um ataque posicional. Os jogadores precisam ter o mínimo de organização e coordenação, não pode ser uma completa correria e cada um fazendo o que bem entender. O Hoffenheim possui essa organização ofensiva. Seu trio de zagueiros inicia o jogo com a clara ideia de superar as linhas de marcação rival. Em outras palavras, ser vertical. A trinca não tem medo de arriscar passes verticais ou conduções para deixar os atacantes para trás e fazer seu time progredir. Nem sempre é pelo chão, já que o atacante Sandro Wagner (1,94m) tem estatura para disputas aéreas.

Mais do que receber ligação direta e fazer gols, Wagner é peça-chave para o jogo azul fluir. Sabe usar seu porte físico para fazer pivôs, segurar a bola na frente ou acionar seus companheiros de frente para o gol. Muitas vezes ele segura a defesa adversária para criar espaço e seus parceiros desfrutarem após receber um passe do centroavante.

Foto: Hoffenheim/Site oficial – Goleador e participativo, Sandro Wagner foi um dos destaques da temporada 16/17

Desde a saída de bola os alas estão abertos, quase pisando na linha lateral. São os responsáveis pela amplitude, para separar os adversários e criar corredores vazios na região central. Esses corredores podem ser aproveitados pelos zagueiros ou pelo volante Sebastian Rudy para os passes verticais encontrarem as opções mais adiantadas. Ou também podem ser ocupados pelos meio-campistas Demirbay, Amiri e até mesmo por Andrej Kramaric na circulação da posse.

O importante é que a equipe está sempre se posicionando para abrir e ocupar espaços. Os alas alargam o campo para todo mundo, o meio-campo arrasta jogadores para os zagueiros fazerem a saída e o centroavante prende a defesa rival para quem for jogar entre as linhas. É um processo contínuo, pensado, exaustivamente treinado e bem executado que dá vida a um dos melhores times da Alemanha.

Foto: Hoffenheim/Site oficial – Ao pé da montanha, os treinamentos em Zuzenhausen são intensos

Aqui vale destacar as escolhas certeiras na montagem do elenco. Sabendo o tipo de jogo que iria propor, Nagelsmann foi ao mercado buscar jogadores que se encaixariam no perfil proposto. Como queria qualidade no passe desde a defesa, acertou com Hubner e Vogt, que era volante no Colônia. O volante/zagueiro adicionou capacidade de bater linhas adversárias com passes, como neste gol contra o Bayern.

Na outra extremidade, queria um alvo para lançamentos que também gerasse condições para a equipe com a bola no chão e, obviamente, marcasse gols. Sandro Wagner foi esse achado. Para completar o centroavante, duas peças que saibam explorar as entrelinhas, aproveitar os espaços e chegar com peso nos últimos metros, seja para finalizar ou servir: Demirbay (6 gols e 8 assistências) e Kramaric (15 gols e 8 assistências). O alemão parte da linha de meio, recebe mais bolas da defesa e chega ao terço final de frente. Já o croata, mais próximo à área, ataca os espaços e busca associações.

Foto: Hoffenheim/Site oficial – Kramaric, artilheiro da equipe na Bundesliga

A ascensão de Julian Nagelsmann e seu Hoffenheim foi uma das grandes histórias da temporada. De candidato ao rebaixamento a inédita participação na Liga dos Campeões em um ano. A história do clube e do treinador mostra que não foi sorte ou obra do acaso, mas fruto da competência daqueles que estão no comando. Os azuis de Sinsheim encontraram alguém que possa levá-lo a voos mais altos e o jovem de Landsberg am Lech um lugar para seguir evoluindo. Aconteça o que acontecer daqui pra frente, esse casamento já está marcado na história do futebol alemão.

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Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.