Rogério Ceni é a escolha certa na hora errada para o São Paulo?

  • por Doentes por Futebol
  • 7 Meses atrás

Após a aposentadoria, Rogério Ceni poderia ter seguido o mesmo caminho de diversos ex-profissionais e se tornado comentarista esportivo. Ou investido noutra profissão. Porém, escolheu continuar e expandir o seu trabalho como capitão do São Paulo. E, após estudar fora do país, com a benção da diretoria e enorme entusiasmo da torcida, se tornou o técnico do time.

 

Assumir o comando de um dos maiores e mais tradicionais times de futebol do país não é uma tarefa fácil para qualquer técnico. E mesmo contando com anos de experiência como jogador e capitão, é possível afirmar que nada prepararia completamente Ceni para a função.

Resultados no campo

Após quatro meses e quase 30 jogos no comando, o agora técnico tem apresentado um desempenho misto. Praticamente o mesmo número de vitórias e empates. O que mais pesa contra seu trabalho são as derrotas em jogos decisivos. Eliminações na Copa do Brasil, no Campeonato Paulista; e especialmente na Copa Sul-Americana.

 

O São Paulo perdeu para o estreante Defensa Y Justicia após empatar fora de casa. Eliminação indigesta logo na primeira fase da competição. Em números, são apenas cinco derrotas no total. Indicam que, apesar do peso das eliminações, estão dentro do esperado para um técnico iniciante na carreira e no clube na nova função.

O time montado por Ceni tem vocação ofensiva. Tem disputado com Flamengo e Fluminense pelo posto de mais prolífico do Brasil. Sua média próxima a três gols por partida mostra que a equipe está alinhada neste quesito.

O que melhorar

Deixando de lado polêmicas relacionadas a fair play, Ceni ainda não conseguiu arrumar seu sistema defensivo. O São Paulo contrasta seu ataque com sua defesa insegura.

O time tem jogado predominantemente no 4-3-3 ou no 4-1-4-1. Essas formações, aliadas ao ritmo de jogo rápido e voltado para atacar deixa o time mais vulnerável. Fisicamente e defensivamente, isso pesa no segundo tempo das partidas. Dos 32 gols sofridos até agora, 21 ocorreram no segundo tempo ou nos minutos finais do primeiro. Trata-se primariamente de um problema de ritmo de jogo, de costume. Que também pode ser resolvido pelo técnico com mais tempo de treinamento.

Devido aos anos dedicados ao São Paulo e a sua excelente carreira como jogador e líder – dentro e fora de campo – Rogério conta com o apoio da diretoria e dos jogadores. Isso garante que ele terá mais tempo para implementar as mudanças necessárias.

 

Transição pós-carreira de jogador

Para algumas alas da torcida, Rogério deveria ter começado com equipes mais fracas. Ir pegando o jeito da coisa aos poucos. Críticos mais ferrenhos defendem que Ceni sequer deveria ter assumido. De fato, há vários ex-jogadores que se aposentam e tiram um período sabático. Um exemplo curioso é o de Teddy Sheringham (ex-Manchester United). Após se aposentar começou a se dedicar ao poker.  Ele figura constantemente em escalações de melhores ex-jogadores que optaram por competir no esporte das cartas. Outros exemplos você pode ler (em inglês) neste belíssimo artigo do Telegraph. Nem todos possuem a coragem, ou o desejo,  que Ceni demonstrou ao topar assumir o comando do São Paulo.

Futuro

Ambição não falta a Rogério. Sua política de usar diversos jogadores oriundos de base do São Paulo, demonstra seu cuidado em construir um legado para o time. E também fazer jus aos altos investimentos feitos na estrutura do CT de Cotia.

 

O time está bem ofensivamente, mas precisa ajustar o sistema defensivo. As eliminações podem ser encaradas, no longo prazo, como aprendizado. Tanto para o elenco jovem quanto para seu treinador inexperiente. Rogério Ceni pode ser a escolha certa para o Tricolor e, eventualmente, entrar para o hall de grandes treinadores da história do São Paulo. Mas, para isso, é necessário tempo para se avaliar. Resta saber se Ceni conseguirá sobreviver aos primeiros meses no comando.

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