De 1998 a 2017: o rico histórico entre Juventus e Real Madrid

O ano era 1998 e uma constelação de craques faria o mundo da bola parar por 90 minutos. Pela terceira vez consecutiva, a Juventus chegava à final da UEFA Champions League, no que seria uma espécie de tira-teima. Anteriormente, havia vencido o Ajax e perdido para o Borussia Dortmund. Por outro lado, o Real Madrid buscava reafirmar sua supremacia perante o Velho Continente – fazia 17 anos que o maior ganhador do certame não disputava uma final e 32 que não levantava a taça.

Para onde quer que se olhasse, havia talento. As metas estavam devidamente protegidas pelos competentes Angelo Peruzzi e Bodo Ilgner; as retaguardas alinham gente da estirpe de Fernando Hierro, Roberto Carlos e Mark Iuliano; já os meio-campos – ah, os meio-campos – contavam com pessoal da mais alta patente. De um lado, Edgar Davids e ele, Zinedine Zidane; do outro Fernando Redondo e Clarence Seedorf. E, nos ataques, “só” estavam lá Raúl González, Pedrag Mijatovic, Alessandro Del Piero e Pippo Inzaghi. Orquestrando as esquadras, duas entidades do futebol mundial: Marcello Lippi e Jupp Heynckes.

(Foto: RealMadrid.com)

O cenário também não poderia ser melhor: a novíssima Amsterdam Arena, casa do tetracampeão europeu Ajax, inaugurada em 1996. Estava tudo nos conformes. Era certo que se veria um grande espetáculo. Todos os elementos para tanto estavam presentes. Aliás, é importante mencionar que a edição de 1997/98 foi a primeira em que foram admitidas outras equipes que não apenas as campeãs de seus países.

Embora houvesse indiscutível talento na cancha, o zero teimou em sair do placar. Se Didier Deschamps finalizou de fora da área, pela Juventus, Mijatovic respondeu pelo Real. Conquanto a primeira oportunidade clara tenha saído dos pés de Zidane, o controle do jogo foi madrileno. Confortável com seu plano de jogo, a Juve deixava os espanhóis com a bola. No entanto, estes pouco conseguiam criar. Sua primeira grande chance apareceu quando Mijatovic fez boa jogada pela esquerda e cruzou para Raúl, que finalizou rente à trave.

(Foto: RealMadrid.com)

No segundo tempo, os Bianconeri até tentaram diminuir o domínio Merengue, com o ingresso de Alessio Tacchinardi, povoando mais o seu próprio meio. A opção deu resultado e os italianos suprimiram em parte a superioridade hispânica. Inzaghi teve chances de marcar, porém, não o fez. Então, apareceu Roberto Carlos com sua patada atômica, obrigando o goleiro Peruzzi a fazer boa defesa. Contudo, com rebote. Mijatovic estava lá e, em uma fração de segundos, o incômodo zero que o score revelava desapareceu. E foi isso.

1998 foi o ano que fez renascer o mais vitorioso time da história do futebol. O Real Madrid conquistou La Séptima. Logo, vieram La Octava, La Nona, La Décima e La Undécima. Todas as finais que disputaram a partir daquele ano, os espanhóis venceram. Vale a lembrança de que falamos de um tempo que antecede a megalomania do presidente Florentino Pérez e sua galáctica política de contratações.

Diversamente, a Juventus voltou a disputar a final da competição continental por duas vezes, perdendo-as. No período comentado também viveu de tudo; foi do céu ao inferno. Quando começava a construir hegemonia nacional, protagonizou escândalo de manipulação de resultados. Perdeu títulos. Foi à segunda divisão. Viveu duro desmanche. Aos poucos se reergueu e voltou a mostrar sua grandeza, hoje novamente indiscutível.

(Foto: Juventus.com)

Nesse tempo, as equipes se encontraram algumas vezes, inclusive. Pavel Nedved conquistou um lugar na história dos maiores de todos os tempos (em 2003), Del Piero foi ovacionado pelo Santiago Bernabéu (2008) e Álvaro Morata fez valer a famosa “lei do ex” (2015). Todavia, embora a Vecchia Signora tenha tido bom retrospecto contra o Madrid, os títulos continentais não voltaram, ao passo que, no lado alvo da disputa, tiveram que ser providenciados novos espaços para guardar mais quatro taças.

(Foto: Juventus.com)

2017 remonta 1998. Os craques estão lá. O palco será especial: o belíssimo Millenium Stadium, em Cardiff (estádio cuja importância é tanta que foi o escolhido para receber as finais da FA Cup, enquanto Wembley era reconstruído). Um jejum incomoda também, mas dessa vez é a Juve que dele sofre.

(Foto: Juventus.com)

No dia 03 de junho, tudo pode acontecer. Roberto Carlos e Mijatovic não vestem mais o manto merengue – ao menos não dentro das quatro linhas. Entretanto, Marcelo e Karim Benzema o envergam. Mais que isso: outra camisa pesadíssima, liderada por uma defesa intransponível e um goleiro soberbo, marcará presença. Os objetivos estão definidos: para os Merengues o jogo é a chance de aumentar o abismo existente entre si e os demais clubes, no tocante à títulos; já os Bianconeri tentam impor ao continente a situação que vivem na Itália.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.