Nunca duvide: Fred nasceu para marcar gols

 

Passou-se quase um ano desde que Frederico Chaves Guedes, o Fred, retornou às Minas Gerais. Ao contrário do que muitas vezes se imaginou, não voltou para representar as cores do Cruzeiro ou do América, clubes por onde passou em sua juventude. Experiente e calejado, muitas vezes rotulado, mas vitorioso, o goleador aceitou uma proposta que trouxe consigo alguns desafios: não só teve de lidar com o peso de atuar no arquirrival de um time em que era ídolo, como também chegou a uma equipe cujo ataque já contava com as estrelas de Robinho e do argentino Lucas Pratto.

Se havia alguma dúvida ou ressalvas por parte do torcedor do Galo sobre a lealdade que Fred trazia consigo ao clube, esta não sobreviveu por muito tempo. Em sua estreia pelo Alvinegro, na primeira vez em que teve o Estádio Independência como casa sem defender as cores americanas, o ilustre teófilo-otonense foi às redes. Contra quem? O grande rival atleticano, Cruzeiro. Ao final, a vitória não veio, contudo, a certeza de que coisas boas estavam por vir, sim.

 

É bem verdade que o Campeonato Brasileiro de 2016 foi decepcionante para o torcedor do Atlético. Da briga pelo título ao distante quarto lugar (18 pontos atrás do campeão Palmeiras), o time voltou a desiludir seu torcedor. O consolo que poderia vir na Copa do Brasil também não veio: o Galo foi inferior ao Grêmio nas finais e o clube gaúcho mereceu se isolar na liderança dos maiores vencedores do certame. Todavia, quanto a isto há um importante dado a considerar: Fred não pode disputar a competição; havia atuado previamente pelo Fluminense.

Teria sido a história diferente caso o artilheiro estivesse lá? Talvez. Quem pode dizer?

Seus números não mentem

Foto: Bruno Cantini / Atlético

Não se duvida, entretanto, dos números do goleador. Mais uma vez artilheiro do Campeonato Brasileiro, a terceira de sua carreira, aos 33 anos, o brasileiro se mostrou on fire. Mais que isso, muitas vezes relegou o excepcional e selecionável argentino Pratto à reserva – o que é passível de uma discussão que não cabe aqui.

 

Em 28 jogos, marcou 12 vezes pelo Atlético. Considerando que os gols do time foram muito distribuídos (Robinho também anotou 12 tentos, Juan Cazares seis, Pratto cinco, Clayton e Jr. Urso quatro), o recorde se torna ainda mais relevante.

2017

O ano virou, as mágoas foram se dissipando aos poucos e algumas coisas mudaram. A principal delas sido a troca do identificado treinador Marcelo Oliveira pelo promissor Roger Machado. Logo, também ficou clara a preferência do comandante por Fred em detrimento de Pratto. O argentino, ansiando a disputa da Copa do Mundo de 2018, com muita dignidade deixou o clube e partiu para o São Paulo.


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Desde o começo do ano é difícil argumentar qualquer coisa negativa com relação a camisa 9. O goleador vive momento de rara inspiração; Fred e gol voltaram a firmar um pacto de sangue, selando, mais uma vez, um vínculo incrível.

A prova disso é o fato de que muitas vezes, aos olhos de quem está do lado de fora do campo, Fred parece alheio ao jogo, estático em meio às zagas rivais. Todavia, ao menor descuido tem feito valer seu combinado com as redes. Aliás, também tem sido garçom: já proveu três assistências (na temporada completa de 2016, foram cinco).

Foto: Bruno Cantini / Atlético

Destaques

Em 2017, já disputou 16 jogos e balançou as redes 16 vezes. Há, aliás, aparições que merecem o devido destaque. Na 4ª rodada do Campeonato Mineiro, contra o América, a famigerada “Lei do Ex” foi implacável: Fred superou o ótimo goleiro João Ricardo três vezes, fazendo, pois, seu primeiro hat-trick representando o Alvinegro.

 

Pouco depois, já na Copa Libertadores da América, foi o herói em um jogo dificílimo. Ao contrário do que o placar final sugere – 5×2 para o Atlético – o encontro contra o Sport Boys, da Bolívia, teve contornos de tragédia em grande parte da partida. Conquanto tenha aberto o placar com Robinho, logo aos quatro minutos de jogo, o Galo sofreu a virada e até os 26 minutos do segundo tempo viveu uma verdadeira agonia. Eis que apareceram Fred e seus quatro gols. Sim, quatro gols.

“É um jogador de altíssimo nível, como tem mostrado nesse começo de temporada. Não precisa de muitas oportunidades para fazer o gol. Essa é a grande qualidade do centroavante de alto nível, não precisa de muitas oportunidades para fazer os gols”, disse Roger Machado em entrevista coletiva após o jogo contra o Sport Boys.

 

No Estadual, o artilheiro finalizou 23 vezes, conseguindo 10 tentos, ou seja, precisa de praticamente duas ocasiões apenas para marcar um gol. Na disputa continental, o recorde é semelhante: são 12 finalizações e cinco gols. Por último na Primeira Liga tem um gol marcado em duas finalizações. O que mais se pode fazer diante disso senão aplaudir Fred? Nem mesmo uma expulsão estúpida contra o Cruzeiro consegue afastar tal realidade.

Palmas para Fred

 

Aos 33 anos, o goleador voltou a viver excelente momento. Após passar anos no Fluminense, viver um passado com algumas polêmicas, e chegar ao Galo trazendo questões importantes, Fred mostra que está concentrado apenas em marcar gols e prolongar ao máximo sua trajetória como algoz dos goleiros rivais.

Hoje, prova, mais uma vez, para os incrédulos e críticos que se há alguém no futebol brasileiro com expertise na missão de fuzilar as metas adversárias, este é ele.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 25 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no O Futebólogo e na Revista Relvado.