Empréstimo de Valdívia é bom negócio para todos os envolvidos

Na última semana, finalmente terminou a novela concernente à permanência ou saída de Valdívia do Internacional. Questionado desde que retornou de grave lesão no joelho, o meia não vinha tendo destaque nas partidas do Colorado e não contava com a predileção do então técnico da equipe, Antônio Carlos Zago. Então, o Atlético Mineiro entrou na parada e os clubes entraram em acordo. Por empréstimo de um ano, o atleta rumou à Cidade de Galo.

A necessária mudança de ares

Foto: Internacional/ Alexandre Lops

Do talento do personagem Valdívia ninguém duvida. Embora ainda aparente ser um jogador com potencial para ser trabalhado, sobretudo em alguns fundamentos, suas habilidades são notórias. O meia é habilidoso, veloz, possui bom arremate e não se omite das partidas. Erra muito, é bem verdade, mas também tenta bastante.

Contudo, a figura descontraída, que ganhou fama mediante o uso de hashtags com o prefixo #Poko, foi murchando; seu brilho se apagando. O clima no Beira Rio foi ficando pesado para o atleta, que, justiça seja feita, não passa de um garoto de 22 anos. Valdívia e Inter tentaram ao máximo preservar o forte liame existente entre ambos, mas a situação ficou muito ruim. No início de abril, após marcar contra o Cruzeiro, no Campeonato Gaúcho, Valdívia foi às lágrimas. Sentira a pressão.

A despeito disso, não é simples se desfazer de um jogador com o tamanho de seu potencial, também levando em consideração sua valorização no mercado, ainda alta. Dessa forma, o negócio foi muito positivo para todos. Emprestado, Valdívia se mantém um ativo do Inter, que o verá vestir a camisa do Galo por um ano e recebeu cerca de R$ 1 milhão pela cessão, abatida, ainda, dívida referente à negociação do volante Eduardo Henrique com o clube gaúcho.

O possível impacto no Galo

Foto: Atlético/ Bruno Cantini

Para o Galo, a chegada do jogador tem o condão de reparar problemas estruturais no elenco. Embora sejam muito técnicos, os atletas de que dispõe Roger Machado não são particularmente velozes. Não há ninguém capaz de “incendiar” uma partida. Alternativas com esse tipo de características fazem falta em um campeonato longo e duro como o Brasileirão.

Tal papel, em tese, caberia à Luan, mas o jogador tem sofrido com lesões, ora em seu problemático joelho, ora em seus músculos. Conquanto a disputa por posições no Atlético seja dura, Valdívia tem a seu favor o fato de que tem característica distinta da de seus competidores.

As nuances do negócio

Além disso, se o jogador for bem, o clube mineiro terá a possibilidade de fazer alto investimento por sua manutenção. É difícil imaginar esse quadro ocorrendo, dado o fato de que seus direitos federativos foram afixados no valor de 15 milhões de euros, mas não é impossível. Valdívia pode até custar caro, mas, destacando-se, também traz a possibilidade de oferecer alto retorno no futuro.

Além disso, para o Inter a hipotética venda representaria a entrada de valores consideráveis em seus cofres, por um jogador que não vinha sendo tão utilizado. Ademais disso, existe previsão do pagamento de compensação ao Galo, caso o Colorado opte pela negociação de Valdívia no curso do empréstimo. Ninguém sai perdendo.

Foto: Internacional/ Alexandre Lops

“A vida de jogar é feita de momentos e como fiquei cinco anos no Inter, às vezes não temos a mesma confiança e dedicação. Lá eu não estava jogando, foi por opção do treinador. Era momento de sair. Tem dias que não é a hora. Achei que o momento era bom para sair. Seria uma honra retomar o futebol no Galo. Tenho carinho pela torcida do Inter, foram dois anos e meio de alegrias. O Inter me deu a estrutura para ser o Valdívia que sou hoje. Mas agora é só pensar no Galo, no recomeço, para voltar a mostrar grande futebol”, disse o jogador em sua apresentação.

Por sua vez, o empréstimo representa para o jogador a possibilidade de trocar de ares e recuperar seu conhecido futebol. Mais do que isso, terá estrutura física e companheiros qualificados para o auxiliar nessa missão. Estará, também, longe da pressão inevitável pela qual passa o Inter na busca pelo acesso à Série A.

As partes envolvidas no negócio souberam o fazer com muita perícia. Sua conclusão tomou tempo, é verdade. Entretanto, parece satisfazer a todos.

O veredito

Foto: Atlético/ Bruno Cantini

O Atlético contratou peça que ajuda a dar maior equilíbrio ao elenco, Valdívia tem no Galo a chance de, em nova circunstância, recuperar seu futebol, e o Inter pode ganhar dinheiro com o atleta ou o buscar de volta no futuro breve. Tais situações são, incomparavelmente, melhores do que a manutenção do jogador no Beira Rio, nas condições em que o jovem se encontrava, teria sido.

O risco de que o jogador não se adapte existe. Mas é um risco por que passa todo time em qualquer contratação. À primeira vista, Valdívia, Atlético e Inter saíram da mesa de reunião satisfeitos.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no O Futebólogo, no Chelsea Brasil e na Corner.