Juventus e Real Madrid tem tudo para fazerem uma das melhores finais da Liga dos Campeões dos últimos anos

  • por Victor Gandra Quintas
  • 6 Meses atrás

Falamos um pouco do que podemos esperar desta grande final

O título deste texto sobre a final da Liga dos Campeões poderia soar prepotente, não fosse a fase das duas equipes citadas. Tanto Juventus quanto Real Madrid estão em excelente momento. As duas equipes venceram suas ligas nacionais, possuem jogadores de extrema qualidade e técnicos qualificados. Para muitos, são consideradas as maiores equipes de seus países, com as maiores torcidas em cada. Como, então, poderia ser diferente?

Histórico nos campeonatos nacionais

Enquanto a Juventus liderou de ponta a ponta, sem praticamente ter sido ameaçada no campeonato italiano, o Real Madrid teve que se dedicar até as últimas rodadas para se sagrar campeão espanhol.

Não é segredo para ninguém que a Juventus sobra na Itália ultimamente. Os dois grandes rivais históricos, Milan e Internazionale, estão passando por reestruturação e somente brigaram por vaga na Liga Europa nesta temporada. Os concorrentes para o título foram Roma e Napoli, mas que pouquíssimas vezes preocuparam a Velha Senhora.

Na Espanha a situação é um pouco diferente. Lá, Real Madrid disputa com o Barcelona um campeonato a parte, onde raramente um terceiro time entra neste pleito. O Atlético de Madrid até tenta incomodar, até conseguindo em alguns momentos, mas os dois mais ricos dominam facilmente o torneio. No final, o Real Madrid ganhou mais uma vez o título espanhol.

Histórico na Liga dos Campeões

Fase de grupos

A Juventus não fez diferente na Liga dos Campeões. Controlou facilmente o grupo H, com 4 vitórias e 2 empates. O time marcou ainda 11 gols, sofrendo apenas 2. O Real Madrid ficou em segundo em seu grupo, atrás do Borussia Dortmund, com 3 vitórias e 3 empates. Foram 16 gols marcados contra 10 sofridos. A equipe italiana terminou a fase de grupos com a defesa menos vazada e a equipe espanhola com o ataque mais positivo da competição até então.

Oitavas de final

Já na fase seguinte, A Juventus enfrentou o Porto e ultrapassou seu rival com duas vitórias, 2×0 em Portugal e 1×0 na Itália. O real Madrid enfrentou o Napoli, vencendo os dois jogos pelo mesmo placar, 3×1.

Quartas de final

Nas quartas de final muita gente acreditava que a Juventus daria adeus à competição, já que enfrentaria o Barcelona do trio MSN. Esta crença se baseava ainda na espetacular vitória do time catalão na fase anterior, quando tirou um prejuízo de 4×0 frente ao Paris Saint-Germain, ao vencer por 6×1 o jogo da volta.

 

Mas o time italiano soube lidar bem com a pressão e, na primeira partida em Turim, venceu por 3×0 e conseguindo segurar o placar limpo no jogo da volta em Barcelona. Uma classificação para não deixar dúvidas.

O Real Madrid também não teve vida fácil. Enfrentou o Bayern de Munique e só conseguiu a classificação com gols na prorrogação no segundo jogo. Ganhou a primeira partida por 2×1 na Alemanha, e perdeu na Espanha, no tempo normal, pelo mesmo placar. Na prorrogação o time merengue parecia outra equipe, fazendo três gols. Cristiano Ronaldo, iluminado, marcou um hat-trick nesta partida.

 

Semifinais

As semifinais também foram emocionantes. A Juventus teria à frente o sensacional Monaco, time que viria a ser campeão francês. Mas novamente os Bianconeri não deixaram dúvidas de seu favoritismo, vencendo a primeira partida, em território monegasco, por 2×0, os dois do argentino Higuaín. Na volta, em Turim, nova vitória, por 2×1, com a revelação da temporada, o craque de 18 anos, Kylian Mbappé, marcando para seu time.

 

Já o destino resolveu que o Real Madrid enfrentaria seu maior rival, o Atlético de Madrid. Em 3 anos, as duas equipes fizeram, por duas vezes, a final da Liga dos Campeões, com o Real vencendo nas duas oportunidades. Infelizmente para o Atlético a freguesia continuou, e o clube foi eliminado. Na primeira partida, no Santiago Bernabéu, 3×0 para os donos da casa. Na Volta no Vicente Calderón, 2×1 Atlético.

Agora resta o jogo final, em Cardiff, para decidir quem será o melhor. Não é a primeira decisão destas duas equipes, que já se enfrentaram em mata-mata de Liga dos Campeões anteriormente, como falamos neste texto anterior.

Expectativa da Juventus

Nas três últimas decisões, o Real Madrid esteve em duas, vencendo em 2013-14 e 2015-16, sendo, portanto, o atual campeão. No ano em que esteve fora, o Barcelona ganhou a competição, justamente sobre a Juventus.

A Juventus vem se consolidado e se preparando para assumir de vez o protagonismo na Europa. O time não se deixou levar pela atual situação do campeonato italiano e investiu pesado em sua formação. Este trabalho começou com Antonio Conte, mas foi Maximiliano Allegri quem realmente deu cara a este time.

Allegri chegou na temporada 2014-15 e levou o time à surpreendente final da Liga dos Campeões daquele ano. Sim, foi uma surpresa, pois o time não estava cotado para ir tão longe naquele momento. Mesmo contando com jogadores do gabarito de Vidal, Pogba, Pirlo e Tévez. A derrota na final foi vendida cara, mas inevitável, já que o Barcelona era muito superior, com o trio de ataque bastante eficiente.

Esquema de jogo

De lá para cá o time mudou bastante. Os 4 craques citados saíram, dando lugar para outros bons jogadores, mas menos badalados, como Khedira, Pjanic, Mandzukic e Dybala. A forma de jogar também mudou. Antes o 3.5.2, agora é a vez do 4.2.3.1.

Além de todo este histórico, a forma do time jogar atualmente tem deixado a torcida muito empolgada e confiante em relação a esta final. Allegri conseguiu impor seu estilo, fazendo com que alguns jogadores mudassem completamente sua forma de atuar em prol da equipe. É o caso de Mandzukic. Antes um centroavante de referência, o croata tem atuado aberto pela esquerda, sendo muito mais importante taticamente para a Juventus do que marcando gols, apesar de os fazer de vez em quando.

 

Tem ajudado bastante Alex Sandro na marcação no setor, sendo o primeiro a impedir o avanço dos adversários.

Destaque também para Daniel Alves. Dispensado do Barcelona, o lateral brasileiro tem vivido uma temporada iluminada. Assim como Mandzukic, teve que mudar as suas características para se adaptar à Juventus. Coisa fácil para quem é o recordista de títulos da atualidade. Dani não só “reaprendeu” a marcar, como tem sido um dos principais jogadores nas criações de jogadas.

 

A defesa continua sendo a melhor da Europa. Não tem o que discutir. Sofreu somente 3 gols em toda a campanha até a final. Buffon, no alto de seus 39 anos, parece um garoto debaixo das traves e está decidido a conquistar a única taça que ainda não tem. O setor ainda tem o sempre desejado Bonucci e o eficiente Chiellini.

Destaque

Mas, provavelmente, o maior destaque do time atende pelo nome de Miralem Pjanic. O Bósnio, jogando ao lado de Khedira, também se adaptou ao novo estilo, tendo muitas obrigações defensivas que não tinha quando atuava pela Roma.

 

Com excelente visão de jogo, é o distribuidor de jogadas, sendo o pilar principal da formação da equipe.


Leia mais: a subestimada contribuição de Miralem Pjanic


Não é à toa que, para muitos, a Juventus chega como a grande favorita esta decisão. O time tem ultrapassado seus próprios limites, com jogadores decididos a vencer. A time titular ainda conta com Cuadrado, Dybala e Higuain, três atletas em excelente forma que tem contribuído, e muito para a excelente fase da equipe.

Juventus - Football tactics and formations
E ser favorito contra o Real Madrid não é fácil!

Expectativa do Real Madrid

“La duodécima!” Esta é a marca que o Real Madrid tenta alcançar. Já é o grande recordista de conquistas de Liga dos Campeões, considerado o maior e melhor time do mundo, tendo em seu elenco jogadores consagrados; Além do melhor do mundo, Cristiano Ronaldo.

E este time começou com desconfiança. Depois de conquistar o décimo título sob o comando do excelente Carlo Ancelotti, o clube parecia que iria desandar, perdendo seu comandante e apostando no ainda inexperiente treinador, Zinedine Zidane.


Leia mais: Zidane e a herança maldita de Benítez


Zidane dispensa apresentações. Vencedor de 3 prêmios de melhor jogador do mundo, foi um dos melhores atletas que o futebol já viu, uma lenda dentro de campo. Mas, como treinador, era uma incógnita. Havia somente treinado divisões de base do próprio Real Madrid. Comandar um time com tantas estrelas não é fácil, a pressão de ser técnico num clube com a esta grandeza é de deixar qualquer um, sem capacidade, louco. Mas Zidane não se abalou. Mesmo com a desconfiança, e até alvo de críticas muitas vezes, conseguiu fazer com que o time tivesse a sua cara.

Esquema de jogo

O Real Madrid de Ancelotti tinha o 4.3.3 como formação ideal, mas Zidane soube transformar este time no 4.1.2.1.2 mais seguro, sobretudo com a entrada de Casemiro. O brasileiro deu segurança ao setor, liberando Kroos e Modric para brilharem na criação, diminuindo as funções defensivas de ambos.

 

Mas é outro brasileiro o grande destaque do time espanhol. Marcelo, o lateral esquerdo titular do Brasil, tem vivido excelente temporada. Atuando com mais liberdade, o jogador tem apoiado com eficiência o ataque. E esta postura do atleta tem ajudado ainda mais Cristiano Ronaldo em sua transição funcional para centroavante.

Isco tem grandes chances de ser o titular, já que vem jogando com mais regularidade. Bale deve ficar no banco, ainda mais depois de ter sofrido com lesões durante a temporada. No fim, só saberemos na hora da partida, mas, por agora, apostamos no espanhol de titular. Benzema completa o ataque.

A defesa também é bastante convincente. Sergio Ramos, que tem feito muitos gols, inclusive o do título da “Décima”, forma dupla com Varane. Carvajal tem demonstrado qualidade na lateral direita e Keylor Navas, o goleiro antes dispensável, tem provado porque é o dono da camisa 1 do Real Madrid, atuando com segurança e salvando o time em várias oportunidades.

Destaque

Voltemos a falar de Cristiano Ronaldo. Sim, ele está mudado. O jogador, antes apoiado mais na sua capacidade física e vontade fora do comum, tem mostrado porque é um dos maiores craques da história. Tem se feito presente na área adversária com eficiência, marcando gols de todas as formas, um dos artilheiros desta Liga dos Campeões.

 

Alguns podem comentar que ele não aparece durante toda a partida, mas saber que ele está ali, e a qualquer momento pode emergir em sua genialidade e eficiência, é perigoso para qualquer rival.

Real Madrid - Football tactics and formations

Para alguns a Juventus pode ser favorita pela fase, mas ignorar a grandeza do Real Madrid, com Cristiano Ronaldo no comando, beira a estupidez.

O jogo

A grande final desta Liga dos Campeões será realizada em Cardiff, capital do País de Gales. O Millennnium Stadium, inaugurado em 1999, será o palco da decisão. Ian Rush, ídolo do Liverpool, e que também já atuara pela Juventus, foi o escolhido da UEFA como embaixador da grande final.

Uma decisão épica, com duas equipes que tem desequilibrado o futebol europeu na atualidade. Um jogo que entrará para a história, independente do vencedor.

Comentários

Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).