Patrik Schick, a talentosa aposta de ataque da Juventus

O Leste Europeu é famoso, dentre outros motivos, por revelar jogadores talentosos, hábeis com a bola nos pés, decisivos. Na República Tcheca, que chegou a contar com ótima geração no início dos anos 2000, formou-se mais um expoente com essas características. Atacante rápido, inteligente e bom finalizador, Patrik Schick, cria do Sparta Praga, despontou na temporada 2015/16, emprestado ao Bohemians 1905 e, no último ano, surpreendeu com a camisa da Sampdoria. Como não era de se estranhar, a Juventus foi atrás da qualidade do jovem, de 21 anos.

Início precoce e com poucas oportunidades

Em país nenhum é fácil a realidade dos garotos que são revelados no mais vitorioso clube da nação. Na República Tcheca, acontece da mesma forma. Embora a falta de recursos force o Sparta Praga a revelar novos valores, a adaptação desses às exigências de um clube que precisa ser campeão todo ano não é fácil. Tal se revelou verdadeiro no caso de Schick.

Foto: sparta.cz

A primeira aparição do atleta como profissional aconteceu no final da temporada 2013/14, aos 18 anos. No encerramento da liga tcheca, atuou duas vezes, somando pouco mais de 15 minutos em campo. Não foi às redes.

No ano seguinte, 2014/15, viveu semelhante realidade, entrando em apenas três partidas, ou 31 minutos. No entanto, seu histórico e presença constante nas equipes de base da Seleção Tcheca seguiram testemunhando a favor de seu talento. O atacante passou pelos escalões sub-16, 17, 18, 19, dividindo hoje as atenções entre a equipe principal e a sub-21.

Sem espaço no Sparta, foi emprestado ao Bohemians para a disputa da temporada 2015/16 e finalmente conseguiu sequência de jogos. Destacou-se.

Desenvolvimento no Bohemians 1905

Foto: bohemians.cz

Internacionalmente lembrado como o clube que revelou ao mundo a qualidade de Antonín Panenka, considerado o inventor da cobrança de pênalti em cavadinha, o Bohemians 1905 é hoje um time absolutamente mediano. Tem oscilado entre o meio da tabela e a luta contra o rebaixamento. O empréstimo de Schick aos Klokani foi opção pensada justamente por conta disso. Demonstrando as qualidades que fizeram sua fama enquanto promessa, o atacante teria oportunidades como titular; poderia mostrar seu talento.

Assim foi. Na ePojisteni.cz liga 2015/16, disputou 27 jogos e marcou oito tentos. Parece pouco? Considere que o clube marcou apenas 35. Ou seja, com 19 para 20 anos, Schick anotou mais de um quinto dos gols atribuídos a sua equipe. Não à toa, foi eleito o Talento do Ano, no país.

Foto: Sampdoria.it

Foi nesse ano que conquistou seu primeiro chamado à Seleção Tcheca principal. Sua estreia aconteceu contra Malta, em maio de 2016. Na oportunidade, entrou no segundo tempo, na vaga do experiente Tomás Rosicky e, em 24 minutos, marcou e ofereceu assistência. Provou estar preparado para ganhar novas oportunidades. Desde então, disputou mais quatro partidas, mas não voltou a balançar as redes. Pelo sub-21, no entanto, tem sido uma máquina de anotar gols: são 10 em nove encontros.

Hoje, é a grande esperança de seu país na disputa da Euro Sub-21, que acontece nesse mês.

Talismã na Sampdoria

O destaque no Bohemians levou a Sampdoria a se interessar pelo atacante, pagando €4 milhões por sua contratação. Em sua temporada de estreia pela equipe genovesa, foi a opção imediata à dupla de ataque formada por Luis Muriel e Fabio Quagliarella. O curioso é que faltou muito pouco para o jogador, a despeito da condição de reserva, ter sido o artilheiro da Samp na temporada 2016/17.

Foto: Sampdoria.it

Schick somou 11 tentos, em 32 partidas (18 como reserva), um a menos do que Quagliarella e o mesmo número de Muriel. Convém notar que o jovem marcou gols em jogos importantes. Apesar das derrotas, balançou as redes de Juventus – sua primeira vítima na Velha Bota – e Lazio, em pancada de fora da área. Também anotou tentos nas vitórias contra Roma e Inter. No jogo contra o Torino, no primeiro turno, entrou aos 90 e ainda conseguiu deixar sua marca.

O tcheco deixou sua marca seis vezes vindo do banco e outras cinco em ocasiões em que foi titular. Tornou-se, portanto, opção habitual e decisiva para o treinador Marco Giampaolo; responsável por 22% dos tentos de sua agremiação. Ganhou, com isso, admiradores. Foi elogiado.

Valorização no mercado

Jovem, prolífico e com rápida adaptação ao futebol italiano, Patrik Schick se valorizou rapidamente.

Contratado por €4 milhões, deixa o estádio Luigi Ferraris por €25 milhões (segundo informações extra-oficiais). A despeito dos interesses ingleses de Arsenal, Tottenham e Manchester United, seu destino é a Juventus. O treinador Massimiliano Allegri já se manifestou nesse sentido:

“[Patrik] Schick ainda não chegou, mas ele faz coisas extraordinárias”, disse à Sky Sports Italia.

Como joga?

Foto: Sampdoria.it

O atacante tcheco tem estilo difícil de ser encontrado. Talvez por isso tenha se valorizado tanto. Canhoto, tem considerável estatura (1,87m) e, a despeito disso, é veloz. Por isso, além de ser utilizado como referência, já atuou pela ponta esquerda em determinadas ocasiões. No entanto, são sua técnica no controle de bola e frieza à frente dos goleiros rivais que mais chamam a atenção. Schick mostra que não é preciso muito para levar perigo aos adversários.

Na temporada 2016/17, teve 60% de aproveitamento nas suas finalizações, índice altíssimo. Também mostrou versatilidade na aludida campanha. Quando foi acompanhado por Muriel, foi referência, fazendo até mesmo o papel de pivô. Com Quagliarella, circulou mais. Tem poucas deficiências, sendo uma delas a tomada de decisões. Algumas vezes, passa quando deve finalizar. Em outros turnos, faz justamente o contrário. Porém, é natural que assim seja. Falamos da temporada de estreia de um jovem de 21 anos em um país novo.

Foto: Juventus.com

Com a mudança de posicionamento de Mario Mandzukic, novamente meia pelo lado esquerdo, é natural que Schick seja alternativa ao argentino Gonzalo Higuaín na Juve. Como a equipe disputará novamente muitas competições, lutando por título em todas, é esperado que o jovem atacante ganhe minutos. Na Vecchia Signora poderá evoluir e, alcançando o potencial esperado, tornar-se um grande atacante.

Olho nele!

Comentários

Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no O Futebólogo, no Chelsea Brasil e na Corner.