Futebol mutante, força mental e Isco: os trunfos do Real Madrid

 

Domínio do vestiário, confiança e força mental são coisas fundamentais em elencos estrelados. O trabalho de campo e bola é muito importante, mas o que se passa fora dele influência totalmente em todo o resto. O Real Madrid que Benítez herdou de Ancelotti não confiava em seu trabalho. A aceitação inicial já era ruim e suas ideias não tão boas ajudaram a minar seu trabalho de pouco mais de seis meses e atuações muito abaixo da crítica na capital. Não trata-se de corpo mole. É bem mais sério.

Ser o líder de um grupo cheio de egos não é simples. Não é só colocar para jogar. Sabendo disso, Zidane chegou e estabeleceu ordem. Não juntou jogadores e distribuiu coletes, trabalhou de forma intensa e moderna, formando um time com identidade e força mental. Gestão de grupo que resultou no título da Champions League sobre o Atlético, em Milão, pouco mais de cinco meses após assumir. Mudança drástica em relação a junho de 2015.

Mais tempo para trabalhar e ainda mais resultados

No ano seguinte, com pré-temporada e possibilidade de planejar as competições, Zidane trabalhou como se deve, desde o começo. Influenciou na montagem e colocou mais ideias. Uma das mais importantes foi o rodízio. Estabeleceu graus de importância e times para jogos. Outra vez trabalho de gestão. Até Cristiano Ronaldo entrou na roda.

 

E do “fominha” que jogava todas e chegava “baleado” no fim da temporada, se converteu em um jogador inteiro e decisivo na fase aguda das competições. O resultado foi em nível máximo. Gols e boas atuações em jogos cruciais. Doblete Champions e La Liga.

Real Madrid campeão da Champions League 2016/17

Experiências, trabalho e conquistas que fizeram do Real Madrid um time sólido, confiante, concentrado, forte mentalmente… são vários adjetivos! Com o poder de proposta, jogando no campo do adversário, pressionando alto e girando a posse até encontrar a melhor oportunidade de finalizar. Mas com a força e a velocidade dos contra-ataques, verticais e mortais. Completo também na bola alta, onde conseguiu vencer vários jogos graças a Sérgio Ramos e Varane. Estilos distintos, que funcionaram para Marcelo, Kroos, Modric e Cristiano Ronaldo, mas também para Kovacic, Asensio e Lucas Vázquez, além de outros que deixaram o elenco. Futebol líquido. Intenso, variante, mutante.

A chance para Isco crescer

Vários tipos de jogo em um só, que encontrou em Isco a peça fundamental para fazer o time funcionar de forma mais equilibrada. Com o BBC, as transições defensivas eram um problema e o jogo entre as linhas do adversário pouco fluido. Era velocidade ou cruzamento, salvo algumas exceções, claro. Com a “chegada” do meio campista, graças às lesões e o baixo rendimento de Bale, Zizou encontrou a solução dos problemas de equilíbrio nas fases do jogo.

 

O Real Madrid parte de um 4-3-1-2. Isco tem liberdade para circular por todo o ataque e ser o parceiro ideal dos meias e atacantes, sempre com uma referência de onde sair e por onde regressar. Sem a bola, duas linhas de quatro compactas, prontas para marcar com intensidade e concentração, roubar, ser veloz e vertical. Com a proposta, laterais no campo de ataque, Kroos e Modric chegando, Isco trabalhado na intermediária e Cristiano próximo de Benzema, com senso de posicionamento e finalização. Algo trabalhado à exaustão e muito eficiente. Um modelo, um estilo.

Real Madrid na transição defensiva: duas linhas compactas e prontas para contra-atacar.

Em grandes noites, sejam na Espanha ou no continente, a “capa” madridista funciona de maneira impecável. Exemplos não faltam: Napoli, Munique, Cardiff… a última temporada contou com muitas exibições. É um time muito completo e forte, estabilizado, pronto para jogar com possibilidade de erro zero. Ganhar duas Champions Leagues mostra um pouco do que é a força desse Madrid. Mentalidade vencedora acima de tudo. Fome de conquista, do querer mais.

O Real Madrid de Zidane segue forte

A temporada 2017/18 começa e o Real Madrid é o time a ser batido. Não só pelo que o elenco tem a oferecer, mas também por todas as características que o jogo de Zidane mostra a cada semana importante. Com um Barça em busca de reforços e reafirmação, um Bayern de Munique com desempenho baixo, os gigantes da Inglaterra se estruturando com altas investidas no mercado e o Paris de Neymar que ninguém sabe ao certo no que pode dar, mais uma vez os brancos são os grandes favoritos as maiores conquistas. Não se trata de um prognóstico, mas sim de um leitura contextual do que acontece no planeta bola. Só pra afirmar que vai ser difícil vencer o Real Madrid. Cascudo, forte mentalmente, de futebol fluido e moderno e das atuações que encantam de Isco.

Real Madrid campeão da Supercopa da Europa.

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Estudante de jornalismo. Redator e editor no Taticamente Falando. Colunista no Doentes por Futebol. Contato: raimonteiro96@gmail.com