Neymar, suas opções e desafios em busca da eternidade em Paris

Não deve ser nada fácil arrumar as malas e decidir deixar a Catalunha, o Barcelona, Messi e Suarez, e a visibilidade que um dos três maiores clubes da atualidade e de todos os tempos traz. Neymar nunca fugiu das responsabilidades e nunca negou o protagonismo. Resolveu encarar a fúria da torcida catalã e as alcunhas de ingrato e traidor, aceitando o desafio e a responsabilidade de guiar o milionário Paris Saint Germain a sua primeira conquista de Champions League. Obsessão do Sheik Nasser Al Khelaifi, que o fez desembolsar 222 milhões de euros para ter o craque brasileiro. Cifras malucas, em um mercado que quebra recordes a cada abertura de sua insana janela.

Mas dinheiro, nesse e em tantos outros casos, não é o problema. Não o retorno dele. Neymar vai se pagar e justificar o alto investimento em todos os sentidos. Não existem dúvidas em relação a isso. Tanto dentro, quanto fora de campo. Tanto em mídia, venda de camisas, espaços publicitários, como em gols, lindos lances e atuações desequilibrantes. Não há preocupação nessa linha.

Estamos aqui para falar dos objetivos e desafios que a chegada de Neymar traz ao Paris e a ele, além das opções que Unai Emery terá com um elenco recheado.

Com muita festa, Neymar foi apresentado para a torcida em Paris.

Missão do novo camisa 10: trazer confiança ao Paris

Um dos desafios e objetivos é tornar o time da cidade luz mais cascudo e confiante, ou melhor: temido! A ponto de vencer batalhas como não conseguiu, por outros motivos, mas também esses citados, contra o Barcelona na última Champions. Duelo em que Neymar foi protagonista, a propósito. Se Ibrahimovic, com seu ego e sua bola foi gigante, Neymar já é maior, na parte que mais importa. Nesse prisma, Daniel Alves e sua vencedora experiência de carreira também ajudam. Assim como outras peças como Thiago Silva, Verratti, Di María, Draxler, Cavani…

 

Opções para que Unai Emery trabalhe e forme um time com as variações que tem. Mas é claro que entre elas, aponta uma. A mais coerente com a atualidade parece ser com Rabiot, Verratti e Di María em uma trinca de meio campo, tendo Neymar e Draxler abertos com Cavani avançado. Qualidade para alternar ritmos de intensidade, propor ou ser reativo, mais essencialmente adaptável! Um futebol mutante, pouco fixo e previsível. Sem perder coletividade e movimentos que possam equilibrar o time sem bola, como funcionou no Real de Ancelotti que ganhou a Champions com Di María. Duas linhas com o retorno do alemão por um lado e o balaço do argentino pelo outro, com Neymar solto para articular atrás de Cavani. Variações que o elenco permite dentro de um jogo e sem mudar peças.

Primeira opção de um 4-3-3, com Di María por dentro e Draxler aberto variando para duas linhas sem bola.

Variações

Como pode jogar com Pastore ou o próprio Draxler no centro de um 4-2-3-1, com Di María então aberto, ou Lucas, ou Daniel Alves – como fez Allegri contra Monaco e Real Madrid na última Champions e até Emery na final da Supercopa francesa contra o Monaco. Até Neymar pode ser esse homem mais ao centro, mais 10. Matuidi também pode aparecer por dentro do 4-3-3/4-1-4-1 com Verratti e Rabiot. Outra alternativa viável.

PSG em um possível 4-2-3-1.

A primeira linha passa longe de preocupar, também! A zaga tem como pilares Marquinhos e Thiago Silva, mas também o jovem Kimpembe, de qualidade e boas atuações no último ano. Na lateral direita o possível avanço de Daniel Alves, como jogou na Supercopa, da possibilidades ao jovem belga Meunier. Do outro lado, Yuri chega credenciado por uma ótima temporada pela Real Sociedad, mas terá de brigar com Kurzawa pelo lugar nos onze iniciais de Emery em grandes noites europeias.

Porque no Campeonato Francês, que terá bons times como Monaco, Nice, Lyon e o Lille de Bielsa e seus brasileiros, o Paris poderá mesclar mais, rodar o elenco e ter um time forte em todos os sentidos, além de preparado para os desafios de uma temporada longa e cheia de decisões. Nada se ganha antes e o trabalho mental será importante nesse sentido. Times fortes se constroem com cabeças fortes. Algo que faltou nas últimas temporadas.

Outra opção de 4-3-3, agora com Matuidi no meio e Di María na ponta.

Futuro do PSG

A chegada de Neymar faz parte de uma construção. Não trata-se apenas de um ícone, de um ídolo e de uma referência técnica. O Paris Saint Germain quer ser grande e a partir de três de agosto de 2017, não se pode permitir atuações de tormenta como as do Camp Nou. Isso tem que ser e será base para um trabalho que vai além. Vencer a Champions League é um desejo e um objetivo audacioso. E de nada adianta ter os melhores pés, se não estão juntos com as melhores cabeças. Neymar combina isso. E se lança ao desafio que está absolutamente pronto para vencer, como protagonista.

A eternidade já está reserva em Paris… só falta conquistar!

Boa sorte em Paris, Neymar!

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Estudante de jornalismo. Redator e editor no Taticamente Falando. Colunista no Doentes por Futebol. Contato: raimonteiro96@gmail.com